Quando o Hyundai HB20 foi lançado no Brasil em 2013, ele e o Chevrolet Onix foram responsáveis por mudar a categoria dos hatches compactos. Ambos ofereciam muito mais equipamentos de série, visual ousado, câmbio automático e acabamento melhor que os populares da época. Além disso, mudar a fórmula parece ser uma especialidade da Hyundai.
É que a marca sul-coreana quer fazer o mesmo com o novo Hyundai i20 aqui no Brasil. Apesar de ser a primeira vez que vemos esse nome no território nacional, essa já é a quarta geração do hatch compacto, que resolveu se tornar global. Aos poucos, ele vai substituir o HB20, mas quer fazer diferente dessa vez.
O visual aventureiro veio de propósito. A Hyundai quer que ele borre a linha que divide os hatches compactos dos SUVs subcompactos. Com isso, ele quer pegar o consumidor que quer sair do HB20 para algo maior e mais sofisticado, mas não tem bala na agulha para um Creta ou não quer algo tão grande.

A ideia é brigar, ao mesmo tempo, com Volkswagen Tera e Polo, ou com Chevrolet Onix e Sonic. Para ver até onde isso é verdade e onde o Hyundai i20 é mais HB20 do que Creta, testamos a versão topo de linha Ultimate de R$ 139.990.
Mais hatch do que SUV
Construído sobre a plataforma modular K3 do grupo Hyundai, o i20 parece e é um carro bem construído. O que chama atenção é a solidez de rodagem, que faz lembrar muito um hatch médio. Ele é um carro bem estável e passa a sensação de ser bem construído, de maneira nitidamente mais evoluída que o HB20.

A suspensão pende para o lado mais firme, como um Volkswagen ou um Peugeot, mas sem abrir mão do conforto. O pneu não ajuda nisso, mas teremos um parágrafo à parte só para ele. O i20 absorve bem as imperfeições do asfalto, enquanto pouco rola nas curvas e se mantém bem estável em alta velocidade.
A direção é bem leve nas manobras e surpreendentemente pesada no uso regular, mostrando a pegada mais esportiva que o Hyundai i20 tem ao rodar. Além disso, destaque para os sistemas de auxílio à condução, especialmente o de manutenção em faixa, que não atua de maneira chata, corrigindo a trajetória de forma natural e com avisos sutis.
![Hyundai i20 Ultimate [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/hyundai-i20-ultimate-15-1320x743.webp)
Destaque ainda para a presença de alerta de tráfego cruzado e de saída segura, além de alerta de ponto cego, os quais, nessa categoria, só ele tem. Há ainda frenagem autônoma de emergência, assistente de luz alta e piloto automático adaptativo. Porém, a Hyundai esqueceu do sensor de estacionamento dianteiro.
Cuidado com o pneu
Durante a semana de testes com o Hyundai i20, tive uma intercorrência e descobri que não foi somente comigo. Ao sair de um shopping em Campinas, interior de São Paulo, rumo à capital paulista, caí em um buraco bem fundo. Foi o suficiente para que o pneu do i20 rasgasse e todo o ar fosse eliminado.

Ele é calçado por pneus Pirelli Cinturato P7 com perfil fino 205/50 R17, os quais se tornam bastante sensíveis a buracos e rasgos. O meu caso não foi o único envolvendo o hatch compacto, e há diversos relatos de fragilidade do pneu em uso em outros carros. Além disso, ele é um tanto quanto barulhento.
Mas essa situação adversa me fez testar o sistema de troca de pneus. O macaco fica na lateral do porta-malas, preso por uma fita que é bem fácil de remover. Além disso, a peça tem uso tranquilo. O estepe de uso temporário é bem fino, permitindo rodar até 80 km/h apenas. O espaço criado ali, porém, comportaria tranquilamente uma roda original, já que testei a força dessa teoria.
![Hyundai i20 Ultimate [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/hyundai-i20-ultimate-23-1320x743.webp)
Anda mais do que parece
Algo que havia me preocupado em relação ao Hyundai i20 é que ele perdeu potência quando comparado ao motor 1.0 TGDi usado no Creta e no HB20. Nos modelos antigos da marca, são 120 cv; no novo, são 115 cv. Mas o torque de 17,5 kgfm foi mantido inalterado.
Além disso, a Hyundai fez uma nova calibração para que o i20 emita menos poluentes. Como resultado, ele larga com preguiça, precisando de um pouco de paciência para embalar. O hatch anda de verdade depois que o motor enche. Aí sim, ele ganha a agilidade esperada por um hatch 1.0 turbo.
![motor 1.0 turbo Hyundai i20 Ultimate [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/hyundai-i20-ultimate-01-1320x743.webp)
As retomadas são boas e, com o giro mais alto, a desenvoltura é bem interessante, até com uma pegada um pouco apimentadinha. Mas é no consumo que ele brilha. Oficialmente, o i20 registra 12,6 km/l na cidade com gasolina e 14,3 km/l na estrada.
Nos nossos testes, ele bateu 18 km/l na estrada e 13,1 km/l na cidade, surpreendendo e muito. Parte desse consumo baixo se deve ao trabalho da transmissão automática tradicional de seis marchas, mas que tem complexo de CVT. Isso porque o câmbio fica altamente focado em subir de marcha sempre que possível para baixar o giro o quanto antes, reduzindo o consumo.
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Em geral, ele sai de uma lombada em terceira, exigindo pisar mais no acelerador para que a segunda entre e o Hyundai i20 ande de verdade. Lembra do que falei sobre ele só andar bem com o motor mais cheio? As trocas são extremamente suaves e rápidas, assim como as reduções, que são constantes para o hatch acordar.
O elefante na mesa
Não tem como falar do Hyundai i20 sem comentar sobre seu design. Ele não é unânime, muito longe disso. Durante a semana de testes com ele, infelizmente, o que mais ouvi foi o quão feio o hatch é, especialmente visto de traseira. Confesso que a frente me agrada, mas, quanto à traseira, vou com a opinião popular.
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O modelo tenta mesclar elementos de SUV com hatch, adotando parte inferior da carroceria em plástico preto, mas sem apelar para uma suspensão elevada ou rack de teto como os SUVs subcompactos. A frente da versão Ultimate traz faróis de LED com projetores e uma barra luminosa conectando-os.
Já a traseira tem lanternas conectadas iluminadas, com a parte principal colocada apenas na zona externa à tampa do porta-malas. A área em plástico preto é maior na traseira, enquanto o vidro com corte muito reto deixa o visual pesado e baixo. Porém, isso não deve atrapalhar o modelo: basta ver o quanto o HB20 bagre vendeu.
![Hyundai i20 Ultimate [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/hyundai-i20-ultimate-13-1320x743.webp)
Parece mais caro
Por dentro, o Hyundai i20 chama atenção pelo visual moderno e sofisticado, mas a qualidade dos materiais não acompanha. Para um hatch compacto, está bom. Ele usa plásticos em tudo quanto é canto, mas que são de qualidade, bem montados, sólidos e com textura interessante.
Mas a Hyundai pecou ao deixar o apoio de braço das portas sem nenhum tipo de tecido ou material macio. O revestimento de vinil dos bancos também está abaixo do aceitável. Ele tem visual bonito e um contraste de cores interessante, mas não parece algo digno de um carro de R$ 139.990. O mesmo vale para a maçaneta de Chery QQ.
![interior Hyundai i20 Ultimate [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/hyundai-i20-ultimate-07-1320x743.webp)
Em contrapartida, o volante tem revestimento em couro de qualidade, com coloração contrastante. Os comandos físicos são muito bem pensados e fáceis de usar, além de contar com amplo ajuste de altura e profundidade. Só é estranho ter quatro pontos em vez do logotipo.
Para o painel de instrumentos, a Hyundai escalou a tela das versões mais simples do Creta. Parece digital, mas são apenas luzes que formam os números e informações, enquanto a parte digital de fato é a pequena tela central. O efeito visual é bem agradável, apesar de ser mais simples do que uma tela completa.


Já a central multimídia é, tranquilamente, a melhor da categoria. São 12,3 polegadas levemente voltadas ao motorista. O software é muito rápido, preciso e fácil de usar, além de trazer botões físicos na parte inferior que ajudam muito na operação. Há Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
Soluções diferentes
Um dos pontos mais polêmicos do interior do Hyundai i20 está no posicionamento das saídas de ar. Elas são verticais e ficam em uma parte bem baixa. Com isso, ou resfriam seu joelho ou seu rosto, não podendo direcionar o ar mais para cima para circular no ambiente. Entre elas, ficam os comandos touch do ar-condicionado digital de uma zona.

Nas versões com freio de estacionamento eletrônico, que dão de brinde o freio traseiro a disco, inexplicavelmente o console central tem um porta-objetos vazado na parte da frente. Além disso, o acionamento do freio de estacionamento fica à esquerda do motorista. Porém, há muitos porta-objetos.
Atrás, o espaço é exemplar para um hatch compacto. Mesmo um passageiro alto consegue se sentar atrás de um motorista de mesmo porte, com área para joelhos e cabeça a contento. É algo que só o Sandero fazia, mas o Hyundai i20 consegue empatar com ele nesse quesito.



Pena que o banco é desconfortável por conta de uma espuma mais dura na altura da lombar. O porta-malas leva 346 litros, o que é bem acima da média dos hatches compactos e bem próximo ao que os SUVs subcompactos levam. Outro ponto é que ele tem uma luz auxiliar de segurança na tampa do porta-malas.
Principais itens de série
- Ar-condicionado digital de uma zona
- Chave presencial
- Frenagem autônoma de emergência
- Alerta de ponto cego
- Alerta de tráfego cruzado
- Piloto automático adaptativo
- Faróis full-LED com projetor, acendimento automático e assistente de luz alta
- Vidros elétricos nas quatro portas com função um toque
- Retrovisor elétrico
- Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Câmera e sensor de ré
- Seis airbags
- Controle de tração e estabilidade
- Bancos revestidos em vinil
- Freio de estacionamento eletrônico com função auto-hold
- Partida remota
- Carregador de celular por indução

Veredicto
O Hyundai i20 consegue ser sofisticado ao rodar, gostoso de dirigir, muito bem equipado e espaçoso. A ideia de ter algo que é um meio-termo entre um hatch compacto e um SUV subcompacto faz todo sentido aqui, não somente pelo estilo, quanto pelo preço. Isso sem contar a confiabilidade da marca sul-coreana.
Ele tem alguns pequenos erros chatinhos e é um tanto quanto caro, além de ter visual mais do que polêmico. Mas isso não tira o brilho de um produto bem pensado e direcionado ao mercado brasileiro. Facilmente vai se tornar um dos carros mais vendidos do Brasil pelo mérito que tem e também por herdar o que havia de melhor no HB20.

Ficha técnica
- Preço: R$ 139.900
- Motor: 1.0 três cilindros turbo flex
- Potência e torque: 115 cv e 17,5 kgfm
- Transmissão: automática de seis marchas
- 0 a 100 km/h: 11,7 segundos
- Tração: dianteira
- Medidas: 4,13 m de comprimento / 1,78 m de largura / 1,50 m de altura / 2,58 m de entre-eixos
- Porta-malas: 346 litros
- Altura livre do solo: 16,5 cm
- Consumo etanol: 8,8 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada
- Consumo gasolina: 12,6 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada
Você teria um Hyundai i20? Conte nos comentários.

