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Carros coloridos estão sumindo das ruas; entenda o motivo

Cores como branco, preto, prata e cinza dominam o mercado brasileiro e mundial, enquanto as cores vibrantes estão são cada vez mais raridade

5 min de leitura

Basta olhar para qualquer estacionamento, shopping ou avenida para perceber que os carros coloridos praticamente desapareceram das ruas. Enquanto na década de 1970, 1980 e 1990 era comum vermos Fusca, Brasília, Parati, Chevette e tantos outros modelos em tons de amarelo, azul, verde, vermelho e até roxo, hoje a paisagem ficou praticamente monocromática. Porém, essa mudança não aconteceu apenas no Brasil.

Um levantamento da consultoria iSeeCars mostra que 80,4% dos carros novos vendidos em 2025 utilizaram apenas quatro cores: branco, preto, cinza e prata. Em outras palavras, oito de cada dez veículos vendidos atualmente apostam em tons neutros. Por aqui, a realidade vai no mesmo caminho.

Segundo um estudo realizado pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), cerca de 70% da frota brasileira utiliza exatamente essas quatro cores. 

Volvo EX30 Ultra [Auto+ / João Brigato]
Volvo EX30 Ultra [Auto+ / João Brigato]

O branco lidera com 21,9% dos veículos, seguido pelo preto, com 19%, e pelo prata, com 16,3%. Entre as cores mais vivas, apenas o vermelho ainda é um participante relevante, representando pouco mais de 15% do mercado.

Brasil também perdeu suas cores

Quem viveu as décadas passadas certamente vê essa mudança. Durante muitos anos, escolher a cor do carro fazia parte da personalidade do proprietário. Não era difícil encontrar modelos amarelos, verdes, azuis, marrons e amarelo circulando pelas cidades brasileiras.

Chevrolet Montana RS [Auto+ / João Brigato]
Chevrolet Montana RS [Auto+ / João Brigato]

Naquela época, a cor também funcionava como um símbolo de status e exclusividade. Entretanto, esse cenário começou a mudar na virada dos anos 2000 e se consolidou nas últimas décadas.

Um levantamento antigo da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), realizado em 2013, já apontava que as cores neutras representavam cerca de 69% da frota em grande parte dos municípios brasileiros. Estudos mais atuais mostram que esse domínio já alcança aproximadamente 95% das cidades do país.

BMW X1 M Sport [Auto+ / João Brigato
BMW X1 M Sport [Auto+ / João Brigato]

Além disso, uma pesquisa da Webmotors revela que entre os carros zero km, o preto aparece como a cor mais procurada pelos consumidores. Já no mercado de usados, o branco lidera as buscas.

O mundo inteiro ficou cinza

O fenômeno também aparece fora do Brasil. Segundo a iSeeCars, os carros em tons neutros representavam 47,3% das vendas em 1996. Hoje, esse índice supera 80%. Enquanto isso, praticamente todas as cores perderam espaço.

Jeep Renegade Lontidude MHEV na cor Azul Jazz estático para avaliação e teste
Jeep Renegade Lontidude MHEV [Auto+/Luiz Forelli]

Nos Estados Unidos, por exemplo, as cores chamativas ainda tem mais participação, embora também diminuiu bastante nos últimos anos. Por base, o azul ainda tem participação de 9,1% no mercado norte-americano, seguido pelo vermelho, com 7%. Já o verde representa apenas 2,2%.

Outras tonalidades praticamente desapareceram. Marrom e bege somam apenas 0,4% das vendas, enquanto o laranja aparece com somente 0,1%. Nos últimos 30 anos, ouro e roxo praticamente sumiram das concessionárias. Já o marrom e o verde perderam cerca de 84% da participação, enquanto o bege recuou quase 74%.

Volkswagen Virtus 170 TSI prata estacionado de traseira com muro de pedras ao fundo
Volkswagen Virtus 170 TSI [Auto+ / Rafael Déa]

Na direção oposta, o cinza foi o grande vencedor. Sua presença cresceu impressionantes 528,4% nesse período. O preto também subiu 64,5%, enquanto o branco aumentou sua liderança mesmo já sendo a cor mais popular na década de 1990.

Afinal, por que ninguém compra carro colorido?

A resposta  do porque ninguém compra mais carro colorido passa mais pelo mercado do que pelo gosto do consumidor. O primeiro motivo é a revenda.

Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Hoje, boa parte dos compradores escolhe um carro pensando também em quem irá comprá-lo no futuro. Como branco, preto, prata e cinza costumam ter maior procura, eles também oferecem maior liquidez no mercado de seminovos. Desta forma, vender um carro branco costuma ser muito mais fácil do que negociar um modelo verde-limão, laranja ou amarelo..

Locadoras também mudaram o mercado

Outro fator é as vendas diretas. Isso porque nos últimos anos, locadoras e grandes frotistas passaram a representar uma parcela bem grande das compras feitas pelas montadoras. 

Volkswagen Polo Track [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Polo Track [Auto+ / João Brigato]

Como essas empresas renovam suas frotas em intervalos curtos, normalmente entre um e dois anos, elas priorizam justamente as cores que apresentam maior facilidade de revenda. Consequentemente, as fabricantes passaram a produzir mais carros em tons neutros para atender esse tipo de cliente.

Produzir carros coloridos custa mais

Manter dezenas de pigmentos diferentes aumenta os custos industriais e torna a fabricação mais complexa. Por isso, as montadoras concentram boa parte da produção nas cores de maior demanda. Não por acaso, branco, preto, prata e cinza normalmente aparecem como opções sem custo adicional.

Audi SQ6 e-tron azul para avaliação estático
Audi SQ6 e-tron [Auto+/Luiz Forelli]

Já as cores metálicas, perolizadas ou mais chamativas costumam ter um pagamento extra. Como consequência, as concessionárias também preferem abastecer seus estoques com veículos nessas tonalidades, justamente porque sabem que a venda acontecerá mais rapidamente. E aí, o consumidor entra no ciclo. 

Esportivos ainda resistem

BMW M4 Competition 2026 na cor Isle of Man Green estático para avaliação impressões e review
BMW M4 Competition [Auto+/Luiz Forelli]

Existe, porém, uma exceção. Segundo a iSeeCars, os esportivos continuam sendo a categoria mais colorida do mercado. Apenas 63,6% deles utilizam tons neutros. O azul representa 15,5% das vendas, enquanto o vermelho aparece com 10,8%. Até o roxo, praticamente extinto em outras categorias, ainda tem uma pequena participação.

Até porque quem compra um esportivo normalmente procura exclusividade e personalidade. Nesses casos, a cor deixa de ser apenas um detalhe estético e passa a fazer parte da identidade do próprio carro.

Você escolheria um carro azul, verde ou amarelo, ou também prefere o tradicional branco, preto, prata ou cinza? Conte sua opinião nos comentários!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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