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Peugeot volta atrás e não será mais 100% elétrica

Fabricante francesa abandona plano de vender apenas elétricos na Europa e prepara sete novos carros até o fim da década

5 min de leitura

A Peugeot estava com um plano bem claro para o fim desta década de abandonar os motores a combustão na Europa. Em 2023, a própria marca dizia que, a partir de 2030, 100% dos seus carros vendidos por lá seriam elétricos. Bom, pode esquecer. A fabricante francesa mudou sua estratégia e continuará trabalhando com outras motorizações depois de 2030. 

Além disso, a montadora francesa confirmou uma ofensiva bem grande de produtos, com sete carros completamente novos nos próximos quatro anos. E não estamos falando de simples reestilizações. 

Peugeot desistiu de vender apenas elétricos

Essa mudança não acontece somente dentro da Peugeot. A própria Stellantis decidiu flexibilizar a estratégia e voltou a falar bastante sobre liberdade de escolha para o consumidor. Assim, o grupo continuará investindo nos carros elétricos, mas também prepara novos híbridos, híbridos plug-in e motores a combustão mais eficientes. 

Peugeot Concept 6 e Concept 8 [divulgação]
Peugeot Concept 6 e Concept 8 [divulgação]

Portanto, aquela corrida para transformar todas as marcas em 100% elétricas perdeu força. E faz sentido olhando para o próprio mercado europeu. Os carros elétricos continuam crescendo, mas não no ritmo que algumas fabricantes projetavam há três ou quatro anos.

Além disso, preço, infraestrutura de recarga e incentivos mudam bastante de um país para outro. Por isso, obrigar todo mundo a comprar exatamente a mesma motorização pode afastar os clientes também.

Sete novos Peugeot estão chegando

Futuros lançamentos da Peugeot até 2030
Futuros lançamentos da Peugeot até 2030 [Reprodução]

O CEO da Peugeot, Alain Favey, confirmou sete modelos completamente novos até 2030. Quatro deles utilizarão a nova plataforma STLA One, que será uma das arquiteturas mais importantes da Stellantis nos próximos anos. 

O primeiro aparece já em 2027 com a nova geração elétrica do 208. O próximo E-208 será também o primeiro Peugeot sobre a STLA One e deverá estrear várias tecnologias que depois veremos em outras marcas do grupo. 

Peugeot Concept 8 [Divulgação]

A Stellantis desenvolveu essa plataforma para carros dos segmentos B, C e D. Além disso, ela aceita diferentes níveis de eletrificação e promete reduzir em aproximadamente 20% os custos frente às arquiteturas atuais. Ou seja, mesmo quando a Peugeot lançar modelos elétricos, a ideia agora não será necessariamente fechar a porta para outras soluções.

208 e 2008 vão mudar completamente

208 e 2008 serão dois dos carros mais importantes dessa transformação. A próxima geração elétrica do 208 chegará primeiro, enquanto o 2008 também deverá migrar para a nova arquitetura posteriormente.

Peugeot 208 GT MHEV na cor branco Branco Nacré estático na rua para avaliação, teste e review
Peugeot 208 GT MHEV [Auto+/Luiz Forelli]

Entretanto, aqui aparece justamente a mudança de estratégia da Peugeot. As versões a combustão e híbridas não simplesmente desaparecerão da noite para o dia. Assim, a marca consegue continuar vendendo carros mais acessíveis enquanto desenvolve uma nova família elétrica muito mais moderna.

E o 208 merece uma atenção especial porque estamos falando de um dos carros mais importantes da Peugeot no mundo. Qualquer mudança nesse projeto acaba dando uma boa pista do que veremos depois no restante da marca.

308 e 408 também terão sucessores

Peugeot E-408 rodando em foto oficial [divulgação]
Peugeot E-408 [divulgação]

Subindo um pouco de categoria, a Peugeot também prepara uma renovação completa da sua linha média. O 308 hatch, a perua 308 SW e o 408 terão sucessores nos próximos anos. Além disso, a marca vai colocar um novo SUV compacto multienergia nessa família.

Esse novo utilitário também utilizará a STLA One e ajudará a Peugeot a aumentar sua participação justamente no segmento C, um dos mais lucrativos da Europa. Inclusive, a Stellantis já anunciou investimento superior a 1 bilhão de euros na França para produzir três futuros Peugeot elétricos e híbridos desse segmento a partir de 2029.

Peugeot e-308 SW [Divulgação]

Portanto, não estamos falando apenas de trocar um motor a gasolina por uma bateria. A Peugeot praticamente vai reconstruir sua gama nos próximos anos.

Peugeot terá prioridade nas novas tecnologias

Existe ainda uma vantagem importante para a fabricante francesa dentro da Stellantis. Por ser uma das maiores marcas do grupo em volume, a Peugeot vai estrear algumas tecnologias antes de Citroën, Opel, Jeep e Alfa Romeo.

Peugeot 2008 Hybrid branco de lado estático no gramado
Peugeot 2008 Hybrid [Auto+/Luiz Forelli]

A própria Stellantis confirmou que a Peugeot será a primeira fabricante a lançar um carro sobre a STLA One em 2027. Depois dela, outras marcas começam a aproveitar a mesma arquitetura. Isso ajuda a explicar a quantidade de novidades planejadas.

Hoje, a Peugeot vende cerca de 1,1 milhão de carros por ano e pretende alcançar aproximadamente 1,5 milhão em 2030. Para isso, não basta apenas substituir os modelos atuais. A fabricante também precisa entrar em novas categorias. Dos sete lançamentos confirmados, quatro justamente aumentarão a cobertura da marca no mercado.

China também entra nessa nova fase

Peugeot Concept 6 [divulgação]
Peugeot Concept 6 [divulgação]

A Peugeot também não pretende olhar apenas para a Europa. A parceria com a chinesa Dongfeng terá um papel maior nos próximos produtos e dará origem a uma nova oferta no segmento D. Ou seja, também veremos carros maiores entrando na gama.

Nesse cenário, a Peugeot quer que seus carros sejam reconhecidos imediatamente pelo desenho. E isso explica aqueles visuais cada vez mais diferentes e estranhos para muitos que estamos vendo nos últimos lançamentos e conceitos. A ideia é: você pode gostar ou não, mas precisa olhar para o carro e saber rapidamente que aquilo é um Peugeot.

Você acha que a Peugeot acertou ao voltar atrás? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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