A Omoda & Jaecoo finalmente começou a abrir mais detalhes sobre sua estratégia para o Brasil. Depois das informações obtidas pelo Auto+ durante nossa visita ao centro de pesquisa e desenvolvimento da Chery, em Wuhu, na China, a marca agora confirmou oficialmente que prepara um novo sistema híbrido-flex para o mercado brasileiro.
A novidade faz parte do plano da fabricante para crescer rapidamente no país e entrar no grupo das 10 maiores marcas do mercado nacional. Além disso, a estratégia implica a eletrificação, adaptação aos combustíveis brasileiros e futura produção local de veículos de alto volume.
Segundo o comunicado da montadora chinesa, o novo conjunto híbrido flex estreia no Brasil a partir do primeiro semestre de 2027 e terá uma arquitetura compatível com E100, ou seja, será preparada para trabalhar com etanol puro.

A marca também afirma que os atuais conjuntos motrizes que rodam somente a gasolina, como o Omoda 5 e Jaecoo 7, também tiveram desenvolvimento pensando nas exigências brasileiras, como o uso intensivo de etanol.
Inclusive, o Auto+ comentou junto com o engenheiro Gerson Borini, no Podcast #104, justamente sobre a relação dos veículos importados atuais com a gasolina brasileira.

Hoje, os carros atuais já estão muito mais preparados para lidar com o etanol presente no combustível nacional, por conta da evolução dos materiais, componentes metálicos, gerenciamento eletrônico e sistemas de alimentação.
Além disso, bombas de combustível, linhas, mangueiras, vedação, bicos injetores e outros componentes internos já recebem tem uma preparação maior para trabalhar com um combustível mais corrosivo e com maior presença de etanol em relação a outros mercados.
Brasil exige motores quase exclusivos

O cenário brasileiro virou um desafio enorme para fabricantes globais. Hoje, além do etanol hidratado vendido diretamente nas bombas, a gasolina brasileira tem uma mistura altíssima de etanol anidro. Atualmente, o país trabalha com E30, enquanto já existem discussões para aumentar ainda mais essa proporção. Isso acaba prejudicando, principalmente, proprietários de veículos antigos somente a gasolina.
Devido a essa situação, as montadoras podem criar calibrações específicas para o nosso mercado, principalmente em motores turbo e híbridos mais modernos. E isso já havia sido antecipado pelo Auto+ durante a conversa com Dr. Yunfei Luan, diretor e chefe de powertrain da Chery Internacional.

Na ocasião, o executivo explicou que o flex fuel é um dos principais focos de desenvolvimento da marca. “Para nós, o flex fuel é mais desafiador. Mas estamos trabalhando nisso”, comentou o Dr. Luan.
Ele também confirmou que a engenharia precisou adaptar diversos componentes do sistema para suportar altas concentrações de etanol. “Você tem um injetor diferente e precisa garantir que o sistema de combustível consiga se adaptar a 100% álcool”, disse.
Novo híbrido flex não substituirá os sistemas atuais
![motor Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/05/omoda-5-prestige-18-1320x743.webp)
A Omoda & Jaecoo também deixou claro que o novo conjunto híbrido flex não substituirá os motores eletrificados atuais. A ideia da marca é aumentar o portfólio para atender diferentes perfis de consumidores e estratégias de produto.
Segundo Mr. Hu Peng, CEO da Omoda & Jaecoo no Brasil, o novo sistema foi pensado para aumentar a acessibilidade dos veículos eletrificados em segmentos de maior volume.

“Além de ampliar as opções de motorização disponíveis aos consumidores brasileiros, o novo sistema foi projetado para garantir robustez nas condições operacionais locais, aumentar a acessibilidade dos veículos eletrificados em segmentos de alto volume e fortalecer nossa estratégia de democratização do luxo no Brasil”, explica Mr. Hu.
Isso reforça exatamente aquilo o que tinhámos antecipado nas reportagens anteriores. Durante nossa visita à China, Dr. Yunfei Luan confirmou que a marca trabalha em novos motores híbridos flex especificamente adaptados ao Brasil, incluindo conjuntos que abandonarão a injeção direta de combustível.

Hoje, modelos como Omoda 5 e Jaecoo 7 utilizam motor 1.5 turbo com injeção direta. Porém, a engenharia da Chery confirmou ao Auto+ que os futuros híbridos flex terão injeção indireta justamente para melhorar robustez, custo e adaptação ao combustível brasileiro.
Estratégia de nacionalização
Embora ainda não oficialize o local exato da fábrica, o jornalista Jorge Moraes, da CNN, adianta que a operação acontecerá na planta de Itatiaia (RJ), antiga fábrica da Jaguar Land Rover. Já a própria Omoda & Jaecoo afirma que os futuros modelos híbridos flex estarão ligados à expansão local da marca e à futura nacionalização dos veículos de maior volume.

Além disso, a empresa reafirma que o Brasil virou prioridade estratégica dentro da operação global. O comunicado também reforça o plano de expansão. A Omoda & Jaecoo pretende atingir 150 concessionárias no Brasil até o fim deste ano.
E você, acha que as marcas chinesas finalmente entenderam como adaptar seus carros ao mercado brasileiro? Deixe seu comentário!



