Desde que Antonio Filosa deixou claro em uma entrevista que o foco da Stellantis está em Fiat, Peugeot, Ram e Jeep, muita gente começou a jogar pedra nas outras marcas do grupo dizendo que fechariam. Existem, sim, fabricantes dentro da Stellantis que correm risco, e isso não começou agora. Mas a Citroën não é uma delas.
O foco de Filosa nessas quatro marcas principais tem como objetivo melhorar a lucratividade e o direcionamento da Stellantis. Basta ver o que acontece no Brasil. A Fiat lidera não apenas em vendas, mas também em produtos e decisões internas, enquanto as outras marcas seguem o mesmo caminho. A Stellantis também aplicará essa estratégia globalmente.
Escada Stellantis
A Fiat funciona como pilar de sustentação do grupo, atuando como marca focada em carros de entrada e alto volume. Ela domina carros compactos e utilitários, sendo o Brasil o principal centro de desenvolvimento e líder na concepção da plataforma Smart Car, variante de baixo custo da CMP.

A Peugeot ocupa o degrau seguinte, servindo como grande marca de volume na Europa, com força maior do que a Fiat fora da Itália. Já Jeep e Ram representam fortalezas do grupo nos EUA, além de carregarem enorme potencial global por atuarem em segmentos fortíssimos no mundo inteiro.
Fora dessas quatro, existirão marcas que atuarão de maneira mais coadjuvante, mas sem deixar de existir. Exemplo disso são Opel, Vauxhall e Citroën. Hoje, a Opel — e consequentemente a Vauxhall — praticamente vende carros da Peugeot com outra identidade visual. Em breve, inclusive, deve receber modelos da Leapmotor com seus logotipos.

Onde entra a Citroën?
Já a Citroën passou por um rearranjo dentro do grupo para virar a Dacia da Stellantis, além de finalmente se tornar rentável. A proposta agora é clara: vender carros baratos, simples e focados em custo-benefício, mas sem abandonar a tradicional e icônica esquisitice da marca francesa. O problema é que a Stellantis ainda não acertou completamente o tom em todos os mercados.
Na Europa, a Citroën segue vendendo bem porque criou versões mais maduras de C3 e Aircross, além de oferecer produtos posicionados acima deles. Já na Índia, a simplicidade excessiva dos modelos e o fato de a marca ser pouco conhecida transformaram a operação em um problema para o grupo.

No Brasil, é o total contrário. O fato de fazer parte da Stellantis ajudou bastante, mas a Citroën ainda está longe do potencial real que possui.
A marca vende muito mais hoje do que na época da PSA. Só que o C3 poderia emplacar números melhores se o Fiat Mobi não atrapalhasse tanto. Já o Aircross claramente não agradou ao público. Em compensação, o Basalt se mostrou um sucesso. Ainda assim, uma reestilização dele e de seus irmãos, acompanhada de mais equipamentos, poderia ajudar bastante a marca.

Quem realmente corre risco?
No final das contas, quem realmente está na corda bamba é a ala do prejuízo dentro da Stellantis, formada por Chrysler, Dodge, DS, Alfa Romeo, Lancia e Maserati. Há tempos essas marcas não apresentam lucro e, apesar de seus lineups estarem passando por renovação, os produtos atuais ainda mostram fraquezas importantes.
O Investor Day mostrará o potencial de cada marca para se reestruturar. Mas, nessa nova fase da Stellantis, dificilmente todas sobreviverão. Ao menos no Brasil, temos justamente as marcas que parecem ter o futuro mais longo dentro do grupo. Então essa ideia de que a Citroën deixaria de existir não passa de balela.

Qual marca da Stellantis você acredita que corre mais risco? Conte nos comentários.



Filosa já deixou claro que nenhuma das marcas morrerá, mas que algumas terão focos regionais e nacionais.
A Chrysler acabou de nomear o Matt McAlear como seu novo CEO. Vale lembrar que ele também é o CEO da Dodge que possui o novo Charger e tem um Durango a caminho, logo é totalmente possível imaginar sinergia entre as duas com os modelos da Chrysler sendo mais elegantes e refinados.
Alfa Romeo registrou recorde de vendas ano passado com 73 mil carros, ainda que metade sejam do Junior, foi uma boa marca.
A DS resiste por conta da família Peugeot e do orgulho francês, mas é uma marca com custos altíssimos. Por hora, eles estão adentrando um mercado de nicho misturando tendências, moda e carrocerias em modelos “teatrais”, ex: DS8.
A Lancia por sua vez está apostando tudo no Ypsilon a gasolina, além de preparar o novo Gamma para o 2° semestre. A marca também está totalmente focada no rally e em crescer nos 5 mercados atuais.
Filosa já deixou claro que nenhuma das marcas morrerá, mas que algumas terão focos regionais e nacionais.
A Chrysler acabou de nomear o Matt McAlear como seu novo CEO. Vale lembrar que ele também é o CEO da Dodge que possui o novo Charger e tem um Durango a caminho, logo é totalmente possível imaginar sinergia entre as duas com os modelos da Chrysler sendo mais elegantes e refinados.
Alfa Romeo registrou recorde de vendas ano passado com 73 mil carros, ainda que metade sejam do Junior, foi uma boa marca.
A DS resiste por conta da família Peugeot e do orgulho francês, mas é uma marca com custos altíssimos. Por hora, eles estão adentrando um mercado de nicho misturando tendências, moda e carrocerias em modelos “teatrais”, ex: DS8.
A Lancia por sua vez está apostando tudo no Ypsilon a gasolina, além de preparar o novo Gamma para o 2° semestre. A marca também está totalmente focada no rally e em crescer nos 5 mercados atuais
Achoa sugestão do Brigato inteligente: tirar Mobi de linha, ocupar o espaço com o C3, melhorar Aircross e Basalt, tornar a Citroen – de fato – a marca de entrada do grupo.