Você pode achar a Ferrari Luce moderna, estranha ou feia, não importa. Para a fabricante italiana, no entanto, o mais importante neste momento é que praticamente todo mundo tenha alguma opinião sobre ela. Até porque a Ferrari sabia que seu primeiro carro totalmente elétrico dividiria o público.
Mesmo assim, a quantidade de críticas surpreendeu até quem trabalha dentro da empresa. Em vez de tratar essa rejeição como uma tragédia, porém, a fabricante acredita que toda a discussão acabou funcionando como uma enorme campanha de divulgação gratuita.
Emanuele Carando, diretor global de marketing da Ferrari, contou ao site Edmunds que a empresa esperava uma reação forte e bastante polarizada, mas não imaginava que ela alcançaria tamanha proporção. Ainda assim, para quem trabalha justamente com a exposição da marca, o resultado não foi necessariamente ruim.
Ferrari não esperava tanta rejeição

A apresentação da Luce rapidamente tomou conta das redes sociais. Enquanto pouquíssimos elogiaram a coragem da Ferrari, muita gente criticou as proporções, a dianteira curta e a falta daquele desenho baixo e agressivo normalmente associado aos esportivos de Maranello.
Também não demoraram para surgir comparações com elétricos bem mais baratos, além de montagens, memes e comentários dizendo que o carro simplesmente não parecia uma Ferrari. O desenho nasceu de uma colaboração com a LoveFrom, empresa liderada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple.

A intensidade da rejeição chegou ao mercado financeiro. No dia seguinte à apresentação, as ações da Ferrari caíram 8,4% em Milão e 5,3% nos Estados Unidos. Ou seja, naquele, a polêmica não ficou apenas pelos péssimos comentários da internet
Mesmo assim, a Ferrari ficou ao lado daquele ditado: falem bem ou fale mal, mas falem de mim, Afinal, quantos carros lançados conseguiram chamar tanta atenção quanto o Luce?
A polêmica ajuda ou atrapalha?

Para uma fabricante comum, rejeição em massa pode afastar milhares de compradores. A Ferrari, entretanto, é a Ferrari. A marca não precisa vender centenas de milhares de unidades para justificar um produto. Ela produz carros caros, exclusivos e destinados a um grupo extremamente pequeno de clientes.
Portanto, basta que uma parcela desses consumidores aceite a proposta para que o modelo encontre seu espaço. Por isso, nesse cenário, a polêmica pode até ajudar. Consequentemente, o carro ganha uma visibilidade que nenhuma campanha tradicional conseguiria comprar com tanta facilidade.

Carando também lembrou que a Ferrari enfrentou uma rejeição parecida, embora menor, quando revelou o Purosangue. Na época, parte dos fãs dizia que um modelo alto, espaçoso e com quatro portas não combinava com a marca. Anos depois, o carro se tornou um dos produtos mais desejados da empresa. Com isso, a Ferrari espera que a história se repita.
Luce não queria imitar uma Ferrari a gasolina
A aparência diferente não surgiu apenas para causar. Segundo a empresa, a plataforma elétrica permitiu trabalhar com um capô muito mais curto e posicionar o motorista próximo ao eixo dianteiro. Com isso, a Ferrari afirma que consegue melhorar a precisão do carro nas entradas de curva, além de liberar mais espaço para os ocupantes.
![interior Ferrari Luce [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/05/ferrari_luce664-1320x742.webp)
Esse aproveitamento também transformou a Luce na primeira Ferrari capaz de levar cinco pessoas. Ainda assim, o modelo entrega cerca de 1.050 cv e acelera de zero a 100 km/h em aproximadamente 2,5 segundos. A autonomia estimada supera os 530 km, enquanto a velocidade máxima passa dos 310 km/h.
E você, acha que a Ferrari Luce ficou realmente feia ou apenas diferente de tudo o que a marca já fez?


