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Kia Tasman chega polêmica ao Brasil: maior que Hilux e mais potente que S10

Primeira picape da história da Kia estreia com motor 2.2 turbodiesel de 210 cv, tração 4x4, caçamba enorme e uma missão nada simples no Brasil

8 min de leitura

A Kia lançou no Brasil a Tasman, sua primeira picape, depois de ter sido antecipada no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro do ano passado. A novidade desembarca inicialmente em uma versão, a GL, de R$ 249.990, para encarar um dos segmentos mais tradicionais e difíceis do país, onde Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10 construíram clientes fiéis durante décadas.

O preço coloca a primeira caminhonete da Kia diretamente no coração do segmento, sendo exatamente o mesmo da Ram Dakota Big Horn e da Mitsubishi Triton GL manual, enquanto fica apenas R$ 2.990 acima da GWM Poer P30 Exclusive. No entanto, a diferença cresce bastante quando olhamos para as tradicionais: a Hilux cabine dupla automática mais barata custa R$ 294.800, ou R$ 44.810 a mais, enquanto a S10 WT automática parte de R$ 304.590. Já a Ranger XLS 4×4 custa R$ 285.900.

Potência não será sua principal arma

Sob o enorme capô está o motor 2.2 CRDi turbodiesel de quatro cilindros, semelhante ao usado no Sorento, mas que aqui entrega 210 cv e 45 kgfm de torque, sempre combinado ao câmbio automático de oito marchas. A tração é 4×4 e há reduzida.

motor diesel kia tasman
Kia Tasman [divulgação]

A Kia informa 0 a 100 km/h em 10,4 segundos para essa configuração, enquanto a velocidade máxima chega aos 185 km/h. O tanque comporta 80 litros. Comparando a rivais, a Toyota Hilux trabalha com 204 cv e 50,9 kgfm, enquanto a Chevrolet S10 chega aos 207 cv e 52 kgfm. Vantagem de potência para a Kia Tasman, mas desvantagem em torque.

A Triton tem 205 cv e 47,9 kgfm. Já Ranger V6 e Amarok simplesmente mudam de patamar, com 250 cv e 61,2 kgfm na Ford e 258 cv e 59,1 kgfm na Volkswagen. Curiosamente, até a GWM Poer P30, com somente 184 cv, passa a Tasman em torque ao entregar 48,9 kgfm. Vale lembrar que o câmbio é automático de oito marchas.

Kia Tasman prata de traseira levando carga
Kia Tasman [divulgação]

E o consumo?

A Kia divulgou que a Tasman, com seu motor 2.2 turbodiesel, faz 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada. Números compatíveis com uma picape média diesel.

É grande até para uma picape média

Se o motor não assusta pelo número, o tamanho certamente consegue. A Kia Tasman tem 5,41 metros de comprimento, 1,93 m de largura, 1,87 m de altura e 3,27 m de entre-eixos. Para termos uma referência, seu entre-eixos é praticamente igual ao da Ranger. Já no comprimento, ela passa da Hilux, de 5,32 m, e da Ranger, de 5,37 m.

Kia Tasman [divulgação]
Kia Tasman [divulgação]

Só que parte desse tamanho virou espaço útil. A caçamba tem aproximadamente 1,51 m de comprimento, 1,57 m de largura e 54 cm de profundidade, enquanto a capacidade chega a 1.173 litros. A carga chega a 1.007 kg. Ao mesmo tempo, a Kia espalhou várias pequenas soluções pelo carro para facilitar o uso.

A primeira picape da Kia nasceu pensando em mercados difíceis

A Tasman não é um SUV convertido às pressas em picape. A Kia começou o projeto do zero e criou uma arquitetura tradicional de chassi de longarinas, justamente a construção esperada de uma caminhonete média voltada a carga, reboque e fora de estrada. Na dianteira há suspensão independente por braços sobrepostos, enquanto atrás aparece o conhecido eixo rígido com feixes de molas.

Kia Tasman [divulgação]
Kia Tasman [divulgação]

É a mesma escola que faz da Hilux, da Ranger e da S10 ferramentas de trabalho. No entanto, a Kia afirma que fez um acerto diferente das concorrentes, já que projetou a picape para reduzir vibrações típicas desse tipo de veículo, com buchas do corpo separado e bucha de corpo único nos amortecedores. Além disso, eles trazem batente hidráulico de retorno que, segundo a marca, garante estabilidade e integração eficiente entre carroceria e chassi.

Grande parte do desenvolvimento foi feita pensando na Austrália, um mercado no qual Hilux e Ranger são praticamente instituições. Não por acaso, o próprio nome Tasman remete à região da Tasmânia e à ligação do projeto com aventura e ambientes extremos. Já em relação ao seu berço, ela nasceu na Coreia do Sul com foco de exportações para Austrália, Nova Zelândia, Oriente Médio, África e América Latina.

interior Kia Tasman [divulgação]
Kia Tasman [divulgação]

Faz jus ao fora de estrada

Falamos de um vão livre do solo de 34,3 cm, além do uso de pneus All Terrain. Há sete modos de condução para brincar à vontade. E, claro, um bom ângulo de ataque faz diferença: aqui temos 28,9º, enquanto o de saída chega a 25º, o suficiente para também transpor água em até 800 mm, segundo a marca. Praticamente o que uma Ford Ranger Raptor consegue entregar.

Visual talvez seja sua maior qualidade ou seu maior problema

Agora chegamos ao elefante na sala. A Tasman é estranha. E isso não aconteceu porque algum designer errou a mão e ninguém percebeu antes de mandar o projeto para a fábrica. A Kia decidiu propositalmente não desenhar outra Hilux, Ranger ou S10. Ela queria algo totalmente fora da casinha mesmo e foi ao extremo.

Kia Tasman [divulgação]
Kia Tasman [divulgação]

Até que, na apresentação, eles brincaram com o visual e até mostraram algumas caricaturas feitas, além de dizer que ela é altamente autêntica. O capô é extremamente horizontal, os faróis ficam jogados para as extremidades e as caixas das rodas ganham aqueles enormes acabamentos que parecem sobrancelhas ao redor dos pneus.

Na dianteira, o logotipo fica no alto, enquanto a grade é extremamente ampla e a iluminação cria uma cara bastante vertical. Tudo isso a Kia chama de Tigger Face, ou cara de tigre. Atrás, tudo fica um pouco mais convencional, embora as formas continuem quadradas e claramente funcionais.

Kia Tasman [divulgação]
Kia Tasman [divulgação]

É um desenho que segue a linguagem Opposites United da Kia, só que levado para um caminho muito mais bruto do que encontramos em EV5, EV9 ou Sportage. Para uma marca sem história nesse segmento, existe lógica. Segundo a coreana, eles queriam fazer algo para ser lembrado. É um ditado que eu sempre uso: fale bem ou fale mal, mas fale de mim.

Se a Kia fizesse uma picape bonita, correta e completamente parecida com Hilux ou Ranger, provavelmente ninguém lembraria dela. Agora todo mundo olha. O problema é transformar essa curiosidade em venda, principalmente entre compradores mais tradicionais.

Kia Tasman [divulgação]
Kia Tasman [divulgação]

Por dentro é outra história

Se o exterior divide opiniões, a cabine provavelmente será um dos melhores argumentos da Tasman. A Kia fez um conjunto muito funcional e elegante, seguindo sua identidade de telas. Há um trio de telas compostas por um quadro digital de 12,3 polegadas, uma pequena tela de cerca de 5 polegadas no centro e multimídia também de 12,3”.

Teoricamente, são 30 polegadas atravessando o painel. Neste caso, entram Apple CarPlay e Android Auto sem fio, carregamento por indução, portas USB-C, chave digital e atualizações remotas. Há ainda ar-condicionado de duas zonas.

Kia Tasman [divulgação]
Kia Tasman [divulgação]

Banco traseiro quer resolver um velho problema das picapes

Quem já passou algumas horas atrás em uma picape média sabe do que estamos falando. Em muitos modelos, o banco traseiro é vertical demais e o passageiro acaba viajando quase sentado em uma cadeira. A Kia tentou atacar justamente isso: o encosto da segunda fileira pode reclinar em aproximadamente 30 graus, enquanto as portas traseiras abrem quase 80 graus para facilitar o acesso. Há ainda espaços de armazenamento sob o assento.

Entre as mais tecnológicas

A parte de segurança segue o mesmo caminho. A Tasman pode combinar piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, manutenção e centralização em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado e câmera de ré nessa versão GL.

Kia Tasman [divulgação]
Kia Tasman [divulgação]

A Kia judiou bastante da Tasman antes de vender

Também não foi um desenvolvimento curto. A fabricante fala em 1.777 tipos diferentes de testes e mais de 18 mil ciclos de avaliação, passando por desertos, neve, trilhas, reboque e situações de uso severo. A Austrália teve participação grande nesse processo justamente porque funciona quase como uma prova de fogo para qualquer picape média.

A Kia também levou protótipos para regiões de frio intenso e para o Oriente Médio, além de fazer milhares de quilômetros em terrenos australianos antes de colocar o produto nas lojas. Isso é ótimo, até porque a Tasman não tem uma geração anterior como aprendizado. Embora as rivais saibam muito bem.

Você teria uma Kia Tasman? Conte nos comentários.

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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