Enquanto o Renault Sandero deixou o Brasil ainda em 2022, na Europa sua história está longe de acabar. Na verdade, o hatch já tem uma nova geração programada para 2028 e, pela primeira vez desde que nasceu, terá uma versão 100% elétrica. Só que a Dacia quer fazer isso sem abandonar justamente a receita do preço baixo que faz o hatch um sucesso.
A informação que já havia sido antecipada pela fabricante agora voltou aos ares após Lina Ribeiro, diretora-geral da Dacia no Reino Unido, afirmar ao site britânico Auto Express que o projeto segue dentro do cronograma e que a próxima família Sandero continuará tendo tanto o hatch convencional quanto o Stepway.
Além disso, a gama será o que chamamos de multienergia, ou seja, ele terá opções tanto a combustão, híbridas e elétricas. A grande novidade é que, pela primeira vez, quem quiser poderá comprá-lo sem motor a gasolina.
Um elétrico barato

Para quem conhece o Sandero brasileiro apenas com o logotipo da Renault, tem bastante história por trás. O projeto nasceu na Dacia, marca romena controlada pelo Grupo Renault e que ocupa justamente a posição de oferecer carros mais simples e acessíveis na Europa.
Foi dessa estratégia que vieram o Logan, Sandero e Duster, todos posteriormente vendidos como Renault em diversos mercados, inclusive no Brasil com fabricação por aqui também. E pela sua acessibilidade de preço, o Sandero também vai muitíssimo bem nas vendas.

Em 2025, foram 289.295 unidades comercializadas no mundo, enquanto o hatch mantém desde 2017 a liderança entre compradores particulares europeus. Portanto, eletrificar justamente esse carro precisa ter um cuidado único para não tirar sua filosofia.
Por isso, a Dacia precisa fazer um elétrico que consiga chegar ao consumidor que hoje compra um Sandero comum. Com isso, não devemos e nem esperar potência absurda, bateria gigantesca e autonomia de 600 km em um carro acessível.

Frank Marotte, vice-presidente de marketing, vendas e operações da Dacia, explicou que a fabricante quer ser referência em acessibilidade entre os elétricos. Desta forma, a engenharia precisa encontrar um equilíbrio entre desempenho, autonomia e, principalmente, aquilo que o consumidor terá de pagar no fim da conta. Diante disso, essa filosofia pode definir até a plataforma do próximo Sandero.
A Dacia ainda não decidiu como fará o Sandero elétrico
Por enquanto, existem dois caminhos principais sobre a mesa. O mais óbvio seria aproveitar a arquitetura AmpR Small, desenvolvida especificamente para carros elétricos e já usada pelo Renault 5. Ela também será a base do novo Renault Twingo e da próxima geração do Renault Kwid elétrico chamado lá de Dacia Spring.

Só que existe um problema: o próximo Sandero não será somente elétrico. Como a Dacia pretende continuar oferecendo motores a combustão e híbridos enquanto houver demanda, fazer uma arquitetura diferente apenas para a versão elétrica pode adicionar justamente aquilo que a marca quer evitar: complexidade e custo.
Por isso, um segundo caminho vem ganhando força. A Dacia estuda evoluir a atual CMF-B, usada pela família Sandero europeia, para receber também baterias e motores elétricos. Dessa maneira, diferentes versões poderiam compartilhar boa parte da mesma estrutura, da linha de produção e dos componentes.
![Dacia Sandero Stepway [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/03/dacia_sandero_stepway_512_edited-1320x792.jpg)
Inclusive, Katrin Adt, atual CEO da Dacia, confirmou que a fabricante ainda está na fase de desenvolvimento e trabalha justamente com a possibilidade de usar uma única plataforma para diferentes motorizações. A decisão final ainda não foi tomada.
Ele pode usar a mecânica do novo Twingo
Essa busca por preço baixo pode fazer também o Grupo Renault usar uma prateleira pronta de motores e baterias compactas para ser aproveitados pela Dacia. Assim, em vez de desenvolver tudo do zero, o Sandero poderá herdar componentes de modelos como Twingo e Renault 5.
O novo Twingo E-Tech é justamente o exemplo mais extremo dessa filosofia. Ele utiliza uma bateria LFP de apenas 27,5 kWh, motor elétrico de 82 cv e alcança 263 km de autonomia pelo ciclo europeu WLTP.

É pouco quando colocamos ao lado daqueles elétricos chineses que anunciam baterias enormes e autonomias cada vez maiores. Só que o Twingo também parte de 19.490 euros (cerca de R$ 116 mil) na Europa. E é essa conta que interessa para a Dacia.
O Sandero é maior e provavelmente precisará de um conjunto um pouco mais capaz. Desta maneira, o Renault 5 também vira uma referência interessante. Atualmente, ele trabalha com baterias de 40 kWh e 52 kWh, além de motores entre 110 cv e 150 cv. Depois das últimas melhorias de eficiência, sua autonomia chega a 315 km com a bateria menor e 430 km com a maior pelo WLTP.

O site apurou justamente que a Dacia pode aproveitar as configurações menos potentes e baterias menores desses modelos para controlar o preço do Sandero. Portanto, não devemos esperar de forma alguma um Sandero elétrico tentando ganhar disputa de ficha técnica.
Se ele conseguir entregar autonomia suficiente para o uso cotidiano e custar consideravelmente menos que outros elétricos equivalentes, já terá cumprido sua função.
Os chineses também estão nessa conta
![Sandero elétrico [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2023/06/dacia_sandero_908-1200x720.jpeg)
A Europa também está recebendo uma quantidade cada vez maior de fabricantes chinesas, justamente com modelos elétricos competitivos em preço e equipamentos. A própria Renault vem conseguindo reagir bem com seus produtos, caso esse do Renault 5, que ajudou a nas vendas de elétricos em 2026, mas a pressão de marcas chinesas continua aumentando.
A Dacia pode atacar essa disputa por outro lado. Em vez de colocar mais telas, mais potência e baterias cada vez maiores, a ideia é descobrir qual é o mínimo necessário para entregar um elétrico realmente utilizável e, desta forma, baixar o preço.
![Dacia Sandero [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2023/06/dacia_sandero_623-1200x720.jpeg)
É quase a mesma filosofia que fez Sandero e Logan crescerem no início dos anos 2000, só que agora aplicado a um carro elétrico. Porém, como disse Denis Le Vot, ex-CEO da marca, enquanto o consumidor europeu ainda quiser motores a combustão, a Dacia pretende mantê-los. Desta maneira, será o próprio mercado que vai determinar a velocidade dessa transição.
E o Sandero Stepway vai ficar ainda mais SUV
Além disso tudo, a Dacia confirmou que o Sandero Stepway continuará existindo na próxima geração, mas pretende aumentar ainda mais a diferença entre ele e o hatch convencional.

Hoje, ambos ainda deixam muito evidente que pertencem à mesma família. O Stepway ganha altura, proteções plásticas e uma aparência mais aventureira, porém continua sendo essencialmente uma derivação do Sandero. Na próxima geração, essa distância deve aumentar.
David Durand, chefe de design da Dacia, já indicou que a marca quer criar uma diferenciação maior entre as duas propostas. Assim, o próximo Stepway deverá assumir de vez uma aparência mais robusta, quase como um pequeno SUV separado do hatch, como vemos dos SUVs subcompactos por aqui — Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Chevrolet Sonic e cia.

Curiosamente, seria quase o caminho contrário ao que a Renault acabou de fazer com o Kardian Vibe recém-lançado. Enquanto aqui o Kardian nasceu como SUV, a opção Vibe de entrada abaixou o modelo para virar um hatch.
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