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Novo Renault Sandero será elétrico e barato em 2028

Nova geração terá pela primeira vez uma versão 100% elétrica, mas Dacia não quer fazer seu carro popular em um elétrico caro

7 min de leitura

Enquanto o Renault Sandero deixou o Brasil ainda em 2022, na Europa sua história está longe de acabar. Na verdade, o hatch já tem uma nova geração programada para 2028 e, pela primeira vez desde que nasceu, terá uma versão 100% elétrica. Só que a Dacia quer fazer isso sem abandonar justamente a receita do preço baixo que faz o hatch um sucesso. 

A informação que já havia sido antecipada pela fabricante agora voltou aos ares após Lina Ribeiro, diretora-geral da Dacia no Reino Unido, afirmar ao site britânico Auto Express que o projeto segue dentro do cronograma e que a próxima família Sandero continuará tendo tanto o hatch convencional quanto o Stepway. 

Além disso, a gama será o que chamamos de multienergia, ou seja, ele terá opções tanto a combustão, híbridas e elétricas. A grande novidade é que, pela primeira vez, quem quiser poderá comprá-lo sem motor a gasolina.

Um elétrico barato 

Projeção Dacia/Renault Sandero de nova geração  amarelo
Projeção Dacia Sandero de nova geração [Reprodução/Auto Express]

Para quem conhece o Sandero brasileiro apenas com o logotipo da Renault, tem bastante história por trás. O projeto nasceu na Dacia, marca romena controlada pelo Grupo Renault e que ocupa justamente a posição de oferecer carros mais simples e acessíveis na Europa. 

Foi dessa estratégia que vieram o Logan, Sandero e Duster, todos posteriormente vendidos como Renault em diversos mercados, inclusive no Brasil com fabricação por aqui também. E pela sua acessibilidade de preço, o Sandero também vai muitíssimo bem nas vendas. 

Renault Sandero Tech Run branco parado de traseira
Renault Sandero Tech Run [Foto: Divulgação]

Em 2025, foram 289.295 unidades comercializadas no mundo, enquanto o hatch mantém desde 2017 a liderança entre compradores particulares europeus. Portanto, eletrificar justamente esse carro precisa ter um cuidado único para não tirar sua filosofia. 

Por isso, a Dacia precisa fazer um elétrico que consiga chegar ao consumidor que hoje compra um Sandero comum. Com isso, não devemos e nem esperar potência absurda, bateria gigantesca e autonomia de 600 km em um carro acessível. 

Dacia Sandero 2026 branco visto de frente e com DRL's ligados
Dacia Sandero 2026 [Divulgação]

Frank Marotte, vice-presidente de marketing, vendas e operações da Dacia, explicou que a fabricante quer ser referência em acessibilidade entre os elétricos. Desta forma, a engenharia precisa encontrar um equilíbrio entre desempenho, autonomia e, principalmente, aquilo que o consumidor terá de pagar no fim da conta. Diante disso, essa filosofia pode definir até a plataforma do próximo Sandero.

A Dacia ainda não decidiu como fará o Sandero elétrico

Por enquanto, existem dois caminhos principais sobre a mesa. O mais óbvio seria aproveitar a arquitetura AmpR Small, desenvolvida especificamente para carros elétricos e já usada pelo Renault 5. Ela também será a base do novo Renault Twingo e da próxima geração do Renault Kwid elétrico chamado lá de Dacia Spring.

Renault 5 amarelo com teto preto de frente em um fundo rosa e amarelo
Renault 5 [Divulgação]

Só que existe um problema: o próximo Sandero não será somente elétrico. Como a Dacia pretende continuar oferecendo motores a combustão e híbridos enquanto houver demanda, fazer uma arquitetura diferente apenas para a versão elétrica pode adicionar justamente aquilo que a marca quer evitar: complexidade e custo.

Por isso, um segundo caminho vem ganhando força. A Dacia estuda evoluir a atual CMF-B, usada pela família Sandero europeia, para receber também baterias e motores elétricos. Dessa maneira, diferentes versões poderiam compartilhar boa parte da mesma estrutura, da linha de produção e dos componentes.

Dacia Sandero Stepway [divulgação]
Dacia Sandero Stepway [divulgação]

Inclusive, Katrin Adt, atual CEO da Dacia, confirmou que a fabricante ainda está na fase de desenvolvimento e trabalha justamente com a possibilidade de usar uma única plataforma para diferentes motorizações. A decisão final ainda não foi tomada.

Ele pode usar a mecânica do novo Twingo

Essa busca por preço baixo pode fazer também o Grupo Renault usar uma prateleira pronta de motores e baterias compactas para ser aproveitados pela Dacia. Assim, em vez de desenvolver tudo do zero, o Sandero poderá herdar componentes de modelos como Twingo e Renault 5.

O novo Twingo E-Tech é justamente o exemplo mais extremo dessa filosofia. Ele utiliza uma bateria LFP de apenas 27,5 kWh, motor elétrico de 82 cv e alcança 263 km de autonomia pelo ciclo europeu WLTP.

Renault Twing e-Tech verde visto de lado e com faróis acesos
Renault Twingo e-Tech [Divulgação]

É pouco quando colocamos ao lado daqueles elétricos chineses que anunciam baterias enormes e autonomias cada vez maiores. Só que o Twingo também parte de 19.490 euros (cerca de R$ 116 mil) na Europa. E é essa conta que interessa para a Dacia.

O Sandero é maior e provavelmente precisará de um conjunto um pouco mais capaz. Desta maneira, o Renault 5 também vira uma referência interessante. Atualmente, ele trabalha com baterias de 40 kWh e 52 kWh, além de motores entre 110 cv e 150 cv. Depois das últimas melhorias de eficiência, sua autonomia chega a 315 km com a bateria menor e 430 km com a maior pelo WLTP.

5 E-Tech Electric
Renault 5 E-Tech Electric [Divulgação]

O site apurou justamente que a Dacia pode aproveitar as configurações menos potentes e baterias menores desses modelos para controlar o preço do Sandero. Portanto, não devemos esperar de forma alguma um Sandero elétrico tentando ganhar disputa de ficha técnica.

Se ele conseguir entregar autonomia suficiente para o uso cotidiano e custar consideravelmente menos que outros elétricos equivalentes, já terá cumprido sua função.

Os chineses também estão nessa conta

Sandero elétrico [divulgação]
Dacia Sandero [divulgação]

A Europa também está recebendo uma quantidade cada vez maior de fabricantes chinesas, justamente com modelos elétricos competitivos em preço e equipamentos. A própria Renault vem conseguindo reagir bem com seus produtos, caso esse do Renault 5, que ajudou a nas vendas de elétricos em 2026, mas a pressão de marcas chinesas continua aumentando.

A Dacia pode atacar essa disputa por outro lado. Em vez de colocar mais telas, mais potência e baterias cada vez maiores, a ideia é descobrir qual é o mínimo necessário para entregar um elétrico realmente utilizável e, desta forma, baixar o preço.

Dacia Sandero [divulgação]
Dacia Sandero [divulgação]

É quase a mesma filosofia que fez Sandero e Logan crescerem no início dos anos 2000, só que agora aplicado a um carro elétrico. Porém, como disse Denis Le Vot, ex-CEO da marca, enquanto o consumidor europeu ainda quiser motores a combustão, a Dacia pretende mantê-los. Desta maneira, será o próprio mercado que vai determinar a velocidade dessa transição.

E o Sandero Stepway vai ficar ainda mais SUV

Além disso tudo, a Dacia confirmou que o Sandero Stepway continuará existindo na próxima geração, mas pretende aumentar ainda mais a diferença entre ele e o hatch convencional.

Projeção Dacia/Renault Sandero Stepway de nova geração verde
Projeção Dacia Sandero Stepway de nova geração [Reprodução/Auto Express]

Hoje, ambos ainda deixam muito evidente que pertencem à mesma família. O Stepway ganha altura, proteções plásticas e uma aparência mais aventureira, porém continua sendo essencialmente uma derivação do Sandero. Na próxima geração, essa distância deve aumentar.

David Durand, chefe de design da Dacia, já indicou que a marca quer criar uma diferenciação maior entre as duas propostas. Assim, o próximo Stepway deverá assumir de vez uma aparência mais robusta, quase como um pequeno SUV separado do hatch, como vemos dos SUVs subcompactos por aqui — Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Chevrolet Sonic e cia

Dacia Sandero Stepway [divulgação]

Curiosamente, seria quase o caminho contrário ao que a Renault acabou de fazer com o Kardian Vibe recém-lançado. Enquanto aqui o Kardian nasceu como SUV, a opção Vibe de entrada abaixou o modelo para virar um hatch. 

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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