Ao vivo
Home » Avaliação » Ford Ranger XLT V6 não deixa motor faltar, só os itens de série | Avaliação

Avaliação

Uma abaixo da top

Ford Ranger XLT V6 não deixa motor faltar, só os itens de série | Avaliação

Um degrau abaixo da versão topo de linha da Ford Ranger, a XLT aposta no custo-benefício, mas erra na lista de itens de série

9 min de leitura

Desde que a atual geração da Ford Ranger chegou ao mercado, ela estabeleceu um novo patamar para a categoria das caminhonetes médias. A evolução dessa picape em relação à geração anterior e ao que o mercado oferece faz dela nitidamente um produto 10 anos à frente da concorrência.

Agora já faz três anos que ela chegou ao mercado. Nesse período, a Mitsubishi Triton ganhou uma nova geração, a Toyota mexeu na Hilux o que pôde, a Chevrolet S10 passou por uma reestilização profunda e chegaram rivais chinesas como GWM Poer P30, BYD Shark, Fiat Titano, Ram Dakota e Foton Tunland. Mas a Ranger segue como rainha?

Para responder a essa pergunta, avaliamos a Ranger XLT V6, intermediária com motor seis cilindros e nunca antes testada aqui pelo Auto+. Ela fica abaixo da Limited e custa R$ 315.900, alinhando o elogiado motor V6 a uma proposta de custo mais reduzido que a variante topo de linha. Mas a economia vale a pena?

Ford Ranger XLT prata de traseira
Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]

O que ela tem a menos?

A lista completa de itens de série você encontra no final da matéria, mas aqui quero falar de dois itens que fizeram muita falta na Ford Ranger XLT V6 durante a semana de testes. Mesmo custando mais de R$ 300 mil, ela não tem ar-condicionado digital e abre mão da chave presencial.

No valor que custa, isso é imperdoável. Especialmente porque um Fiat Fastback Sem Nome já tem ar-condicionado digital, enquanto a chave presencial aparece como item de série em todas as versões do Chevrolet Onix, até no 1.0 aspirado de entrada vendido para um monte de locadoras.

Ford Ranger XLT prata de frente
Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]

Existem muitos outros itens de série na versão Limited que ainda justificariam a inclusão desses equipamentos. Ainda assim, ter uma chave canivete igual à de um Ka em uma caminhonete quase topo de linha não é justo. Da mesma forma, o ar-condicionado fica todo na central multimídia, ainda que contenha comandos físicos. Além disso, a temperatura não aparece em graus e não há ventilação automática.

Outro ponto é que a Ford ainda insiste em não colocar protetor de caçamba e capota marítima como itens de série para a Ranger. Somente esses dois acessórios adicionam R$ 3.829 ao preço final da picape, e isso é praticamente obrigatório em qualquer caminhonete. Tanto que até a Fiat Strada Endurance traz esses equipamentos.

Ford Ranger XLT [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]

A contrapartida

Apesar dessas falhas, a Ford Ranger XLT V6 vem equipada com alguns mimos importantes. Ela tem banco do motorista com ajuste elétrico, faróis de LED, exceto a seta, com assistente de luz alta e acendimento automático, sistema ADAS completo e muito bem calibrado, além de central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay.

Outro ponto é o motor. Agora que a Volkswagen Amarok se transformará em uma caminhonete PHEV, a Ranger será a única V6 diesel à venda no Brasil. São 250 cv e 61,2 kgfm de torque providos por um 3.0 V6 turbo diesel que desenvolveu um relacionamento perfeito com a transmissão automática de dez marchas.

motor V6 ford ranger xlt
Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]

A sinergia entre motor e câmbio é magistral. O motor V6 consegue ronronar em giro baixo o tempo todo. Além disso, as trocas de marcha se tornam imperceptíveis, pois cada uma das dez marchas trabalha com uma suavidade impressionante. Entretanto, quando o motorista exige mais, a Ranger V6 baixa várias marchas rapidamente e acelera com muita força.

O torque está sempre disponível e chega já a 1.750 rpm. Mesmo sendo um carro grande e pesado, com 2.283 kg, ela chega aos 100 km/h em 9,2 segundos. Além disso, com o excesso de marchas, consegue ser bem econômica. Durante nossos testes, fez média de 9 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada. Oficialmente, são 8,6 km/l e 10,1 km/l, respectivamente.

Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]

Para o alto e avante

Um dos pontos mais positivos da Ford Ranger é a dirigibilidade. Mesmo com a construção de chassi sob carroceria, ela é sólida. A versão XLT tem um acerto diferente da Limited, fazendo com que ela pule mais e seja mais dura, algo que sentimos especialmente em ruas de asfalto esburacado e cheio de relevos.

Entretanto, ela não pula tanto quanto uma Toyota Hilux, muito menos que uma GWM Poer P30. Na estrada, a estabilidade da Ranger é invejável. Ela gosta de altas velocidades e mantém a carroceria sólida e nos trilhos, sem se deixar atrapalhar por ventos, que geralmente tornam as caminhonetes mais altas menos na mão.

Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]

A direção segue a receita dos carros de passeio da Ford: não é muito leve nas manobras e fica mais pesada conforme a velocidade aumenta. Entretanto, consegue ser muito mais direta e rápida que a de muitas caminhonetes rivais, trazendo uma aura de carro de passeio, não de um mini caminhão, como muita picape faz.

Destaque ainda para o isolamento acústico, que é excelente mesmo na versão XLT. Há pouco barulho vindo do vento e muito menos do motor, que praticamente pede licença para entrar na cabine quando a Ranger V6 acelera forte.

Mais de uma década

interior Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger XLT V6 [Auto+ / João Brigato]

Por dentro, a Ford Ranger mostra mais um motivo pelo qual está 10 anos à frente de suas rivais. A cabine é moderna, bem feita e cheia de tecnologia. A versão XLT conta com painel de instrumentos totalmente digital de 8 polegadas e central multimídia de 10 polegadas. Ambas as telas são menores do que na versão Limited e apresentam bordas bem marcadas.

Entretanto, a qualidade é muito boa. O painel de instrumentos é bem completo, mas um pouco lento nas mudanças de menus por conta das animações. Ele muda de cor conforme o modo de condução. Já a central multimídia, disposta de maneira vertical, é mais rápida e fácil de usar.

Ela traz Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de duas saídas USB com tipos diferentes de entrada e carregador de celular por indução. O interessante é que, tal qual um celular, a tela tem vários níveis diferentes de brilho, permitindo dirigir no breu da noite sem cansar os olhos.

É bom, mas o nível está subindo

Um ponto sobre a Ford Ranger que chama atenção é o acabamento. Isso acontece porque ela apresenta muitos elementos positivos, mas também alguns escorregões que, novamente, não justificam os R$ 300 mil nos quais essa versão se posiciona. Ela tem painel todo feito em plástico, mas o material tem qualidade, apresenta bom encaixe e traz texturas interessantes.

cabine ford ranger xlt v6

Na parte superior das portas dianteiras, há material macio, assim como onde os braços se apoiam. Esse último também vale para a parte traseira. Entretanto, o vinil usado nos bancos deixa a desejar. É um material excessivamente artificial que estaria ok em um carro de entrada como um Volkswagen Tera. Não precisava ser couro, mas poderia melhorar.

O mesmo vale para o volante, que tem o mesmo tipo de material de qualidade decepcionante. Poderiam ter usado o revestimento de couro da manopla de câmbio, que aparenta ser bem mais esmerado. Pelo menos a direção tem ajuste de profundidade e altura, além de vários botões.

Vale lembrar que a versão XLT não tem o segundo porta-luvas, como na Limited, e os porta-copos refrigerados abaixo da saída de ar são exclusivos da Raptor. Em seu lugar, ficam dois buracos que funcionam como porta-objetos inúteis. Mas a Ford compensa com um alçapão debaixo do banco traseiro.

Com entre-eixos de 3,27 m, a Ford Ranger se estabelece como a caminhonete média com o melhor espaço interno da categoria. Os bancos são confortáveis em todas as posições, além de oferecerem boa inclinação no encosto traseiro. Ela tem ainda saídas de ar para quem senta atrás, além de saídas USB.

A caçamba, sem protetor ou capota marítima, leva 1.250 litros com até 1.037 kg de capacidade. A tampa é bem leve e fácil de abrir, com destaque para a presença de régua e apoios de morsa para prender objetos. Além disso, ela tem um degrau na lateral do para-choque traseiro para facilitar a entrada e a saída da caçamba.

Principais itens de série

  • Seis airbags
  • Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
  • Câmera de ré
  • Faróis de LED com acendimento automático e assistente de luz alta
  • Vidros elétricos nas quatro portas com função um toque
  • Ar-condicionado analógico
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Carregador de celular por indução
  • Piloto automático adaptativo
  • Frenagem autônoma de emergência
  • Sistema de manutenção em faixa
  • Tração 4×4 com seletor eletrônico
  • Freio de estacionamento eletrônico com função auto-hold
  • Sensor de chuva
  • Retrovisor com rebatimento automático

Veredicto

A Ford Ranger V6 é, de longe, a melhor caminhonete média à venda no Brasil, com uma distância bem generosa para a Mitsubishi Triton, que fica em segundo. A versão XLT V6 aposta em um motorzão aliado ao custo-benefício interessante, mas deixa faltar algumas coisas muito úteis no dia a dia que só aparecem na Limited.

Se sua conta bancária permitir tirar a diferença para a Limited, não pense duas vezes em migrar para o andar de cima. Mas não seja mão de vaca para descer para o andar de baixo na XLS, que não compensa a economia.

Ficha técnica: Ford Ranger XLT V6 2027

  • Preço: R$ 339.990
  • Motor: 3.0 V6
  • Potência e torque: 250 cv e 61,2 kgfm
  • 0 a 100 km/h: 9,2 segundos
  • Tração: 4×4
  • Medidas: 5,35 m de comprimento / 1,91 m de largura / 1,88 m de altura / 3,27 m de entre-eixos
  • Caçamba: 1.250 litros / 1.037 kg
  • Altura livre do solo: 23,5 cm

Você teria qual versão da Ford Ranger? Conte nos comentários.

Deixe um comentário

João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

Você também poderá gostar