A Toyota Hilux continua sendo a referência de vendas entre as picapes médias no Brasil, mas a Ford Ranger começou a incomodar. A cada mês as vendas da picape da fabricante americana vem crescendo e em julho até conseguiu tirar a Hilux do topo pela primeira vez depois de 58 meses de liderança. Neste cenário, a Toyota aparentemente decidiu apertar o passo e pode trazer a nova Hilux ao Brasil antes do que esperávamos.
Segundo um cronograma obtido pelo site argentino Autoblog, a estreia comercial da nova geração na Argentina aparentemente foi antecipada e deverá acontecer ainda em 2026, entre novembro e dezembro. Como toda Hilux vendida no Brasil sai justamente da fábrica de Zárate, no país vizinho, a expectativa é de que o lançamento brasileiro aconteça logo na sequência, com poucas semanas de diferença.
Até agora, o calendário apontava para outro caminho. A própria Toyota Argentina havia indicado anteriormente que a produção da nova Hilux começaria no fim de 2026, deixando o lançamento comercial para 2027. Só que o cronograma aparentemente andou.
Nova Hilux pode aparecer já em novembro

De acordo com o site argentino que teve acesso ao cronograma, a Toyota deverá iniciar a campanha da nova Hilux com teasers entre o fim de novembro e o começo de dezembro. Essa apresentação também deverá acontecer junto de um novo anúncio de investimentos na fábrica de Zárate, responsável pela produção regional da Hilux e da SW4.
Depois disso, a Toyota pretende colocar as primeiras unidades a diesel nas mãos dos clientes argentinos já em meados de dezembro, com entregas previstas entre os dias 12 e 17. Com isso, é aqui que o Brasil entra.

Como nossa Hilux vem da Argentina, não faria muito sentido manter uma distância grande entre os dois mercados. A expectativa, portanto, é de que a estreia brasileira aconteça praticamente ao mesmo tempo ou poucas semanas depois.
Desta forma, em vez de esperar pelo primeiro trimestre de 2027, podemos conhecer a nova Hilux por aqui ainda nos últimos dias de 2026.
Ranger começou a apertar a Hilux

E essa antecipação acontece justamente em um momento no qual a Toyota já não consegue olhar para a concorrência com a mesma tranquilidade de antes. A Hilux continua liderando com folga no acumulado de 2026. Entre janeiro e julho, foram 26.736 unidades emplacadas, contra 20.376 da Ranger. Só que essa diferença vem diminuindo.
Em julho, a Ford vendeu 3.402 Ranger, enquanto a Hilux registrou 3.369 unidades. Foram apenas 33 carros de vantagem, mas suficientes para interromper quase cinco anos consecutivos de liderança mensal da Toyota entre as picapes médias.

Isso não significa que a Hilux esteja ameaçada imediatamente no acumulado do ano. Mas mostra que a nova Ranger conseguiu fazer aquilo que Chevrolet S10, Mitsubishi Triton e outras rivais tentaram durante muito tempo: colocar pressão real na líder.
Além disso, a Ford ampliou bastante sua gama nos últimos meses e até recentemente trouxe a cabine simples de trabalho para a Ranger. Com isso, a picape produzida em Pacheco passou a atacar praticamente todos os espaços ocupados pela Hilux.
Primeiro vem a diesel

Apesar de toda essa mudança, a Toyota não pretende abandonar de imediato a receita que tornou a Hilux conhecida no Brasil. A primeira configuração produzida em Zárate continuará utilizando motor turbodiesel. Ou seja, o conhecido 2.8 turbodiesel da família atual com 204 cv e 51 kgfm de torque.
Depois chega a Hilux elétrica
Enquanto dezembro teremos a estreia do diesel, janeiro e fevereiro de 2027 serão reservados a inédita versão elétrica da Hilux, que inclusive já foi flagrada em testes no Brasil. A configuração usa dois motores elétricos, um em cada eixo, com tração integral.

Além disso, a bateria tem 59,2 kWh, enquanto a potência combinada será de 196 cv. A autonomia é de 257 km no ciclo combinado e 380 km no ciclo urbano, de acordo com a homologação europeia WLTP.
Só que a estratégia será um pouco diferente. Segundo o site, a Toyota pretende direcionar as primeiras unidades principalmente a empresas, operações de mineração e frotas que conseguem trabalhar com rotas previsíveis e recarga programada.

Por isso, a Hilux elétrica deverá começar sua vida comercial regional focada no público corporativo. A venda mais ampla ao consumidor comum ficaria para uma segunda etapa.
E ainda terá Hilux híbrida
A terceira etapa acontecerá mais adiante, provavelmente ao redor da metade de 2027. Nesse momento, a Toyota deverá aumentar a gama com a Hilux equipada com sistema MEHV de 48 volts como vemos com os modelos da Stellantis. Ou seja, totalmente diferente do híbrido pleno da família Corolla e Yaris Cross que consegue movimentar o veículo em pequenos trechos.

O sistema de 48V funciona como uma assistência elétrica para o motor diesel, ajudando principalmente nas arrancadas, com recuperação de energia durante desacelerações e reduzindo o esforço do conjunto a combustão.
Em outros mercados, essa configuração já trabalha justamente em conjunto com o conhecido motor 2.8 turbodiesel de 204 cv. A expectativa apontada pela apuração é de que essa motorização fique concentrada inicialmente na versão SRX, acompanhada também pelas bitolas mais largas usadas nas configurações superiores.
Ela muda bastante, mas não começa do zero

Embora a Toyota trate o modelo como uma nova geração, boa parte da estrutura deriva da Hilux atual. O chassi recebeu reforços, a suspensão passou por nova calibração e o interior foi praticamente redesenhado. Por fora, mudam capô, para-lamas, dianteira, traseira e iluminação.
Por dentro, o painel ganha instrumentação digital, nova central multimídia e um console completamente redesenhado. Desta forma, a Toyota quer corrigir uma área que a Ranger abriu muita vantagem: sensação de modernidade.
Para você, a nova Hilux tem argumentos para recuperar a distância que a Ranger começou a tirar? Deixe seu comentário!


