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Quadradão

Jetour T1 entrega visual raiz de Land Rover, mas vocação é de shopping | Avaliação

O Jetour T1 traz visual quadrado e 315 cv combinados, mas será que a falta de um detalhe pode complicar a sua vida em nosso mercado?

8 min de leitura

A Jetour é jovem. Fundada em 2018 como parte do conglomerado Chery Holding Group, ela foi promovida a uma marca totalmente independente três anos mais tarde, em 2021. E um dos responsáveis pelo sucesso meteórico foi o estilo quadrado e o apelo off-road de suas linhas, que evocam o Land Rover Defender, o Ford Bronco e até o GWM Tank 300.

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Apostando nessa receita, o SUV desembarca no Brasil em duas versões híbridas plug-in (PHEV): T1 Advance (R$ 249.900) e T1 Premium (R$ 264.900). Inegavelmente, trata-se de um modelo de personalidade, que desperta atenção nas ruas. As linhas são clássicas e bem definidas, transmitindo uma pegada boxy com boas doses de robustez.

Guardadas as devidas proporções, alguns ângulos do Jetour T1 remetem ao Jeep Renegade, principalmente pelo formato dos faróis e das lanternas. O emblema PHEV na coluna C, inclusive, lembra o logotipo Trail Rated da marca norte-americana, enquanto as rodas de 19 polegadas calçadas por pneus de medidas 235/60 guardam certa paridade com as do Renegade Trailhawk 2019.

Embora não utilize construção de carroceria sobre chassi, o SUV monobloco ostenta porte generoso: são 4,70 m de comprimento, 1,96 m de largura, 1,84 m de altura e 2,80 m de entre-eixos. Na prática, as medidas garantem ampla habitabilidade para até cinco ocupantes, além de um porta-malas com bons 574 litros de capacidade.

Tamanho é documento no Jetour T1?

Essas proporções são semelhantes às do BYD Song Plus (R$ 249.990) e às do GWM Haval H6 PHEV35 (R$ 289.000). Este último com 4,70 m de comprimento e 560 litros no porta-malas. Só que um detalhe crucial diferencia o Jetour T1.

Mesmo com o estilo parrudo que sugere aptidão para encarar pirambeiras como um Defender, o T1 possui tração apenas no eixo frontal. Nada de 4×4 ou da tração integral sob demanda. Aliás, para quem faz questão de tração nas quatro rodas, a marca promete estrear o Jetour T2 4×4 no segundo semestre.

Jetour T1 Advance parado de traseira com muro de pedras ao fundo
Jetour T1 Advance [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Sabemos que uma parcela esmagadora dos clientes não vai sujar o utilitário de lama das rodas ao teto. Contudo, o sistema 4×4 seria um forte argumento de compra em meio ao concorrido segmento de SUVs no país. Apesar dessa ausência, o modelo traz mais atributos do que críticas para uma marca estreante.

Por fora, detalhes como os para-choques pretos e a grade iluminada chamam a atenção. A assinatura em oito divisões apaga sequencialmente no estilo KITT, do seriado oitocentista A Super Máquina. O visual bacana é complementado por faróis quadrados, estribos laterais e rack de teto funcional.

Desempenho no asfalto

Os ângulos de entrada e saída são de 28º e o vão livre em relação ao solo é de 19 cm (contra 18,8 cm do Jetour S06, que parte de R$ 184.600). Mesmo com essa altura, a vocação do T1 está mais para o vaivém urbano do que para aventuras na terra.

E no asfalto ele entrega o que promete. A força vem da união do motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv e 20,4 kgfm a uma unidade elétrica de 204 cv e 31,6 kgfm. Juntos, rendem 315 cv de potência combinada e 52 kgfm de torque, empurrando o Jetour T1 de 0 a 100 km/h em 8,7 segundos, enqunato a velocidade máxima de 180 km/h.

Jetour T1 Advance [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Essa disposição agrada nas retomadas e faz o motorista esquecer o peso em ordem de marcha de 2.000 kg (relação peso-potência de 6,35 kg/cv). As ultrapassagens ocorrem sem sustos, embora o condutor sinta a inércia das duas toneladas ao volante.

Falando nisso, a direção tem formato achatado na porção superior e inferior, mas revelando reações anestesiadas, embora ofereça comandos físicos e boa empunhadura. A ampla área envidraçada, o tamanho dos retrovisores e a posição de dirigir elevada agradam em cheio na convivência diária.

Jetour T1 Advance parado de lateral
Jetour T1 Advance [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Interior tecnológico e sem minimalismo

Como manda a cartilha atual chinesa, o habitáculo é tomado por telas. O quadro de instrumentos digital tem 10,25 polegadas, sendo o multimídia de 15,6 polegadas com Android Auto/Apple CarPlay sem fio. O Jetour T1 não surfa na onda do minimalismo: há controles físicos espalhados pela cabine, bom acabamento com costuras aparentes em laranja, revestimento em couro sintético e plásticos emborrachados.

Já os puxadores das portas com parafusos aparentes reforçam uma inspiração no Jeep Wrangler. Sobretudo, a lista de série é generosa desde a versão Advance, que traz bancos dianteiros com ajustes elétricos, ar-condicionado de duas zonas, vidros dianteiros duplos (que garantem excelente isolamento acústico) e o pacote de assistentes de condução ADAS.

Painel do Jetour T1 Advance
Jetour T1 Advance [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A configuração Premium justifica o preço extra de R$ 264.900 ao adicionar carregador de smartphone por indução de 50W, tampa do porta-malas motorizada, teto solar panorâmico, sistema de som assinado pela Sony, iluminação ambiente configurável, banco do motorista com 10 regulagens e memória, além da lavanca seletora de marchas em cristal.

Segurança ativa e comportamento das suspensões

O pacote de segurança ADAS é de série em ambas as versões. Ele reúne frenagem autônoma de emergência, assistente de manutenção e alerta de mudança de faixa, alerta de colisão frontal e traseira, tráfego cruzado traseiro, monitoramento de ponto cego, aviso de abertura de porta e assistente de farol alto.

Em movimento, o Jetour T1 entrega rodar confortável graças à calibração da suspensão (McPherson na dianteira e multibraço na traseira), que segue o padrão macio dos carros chineses. O SUV absorve com maestria os impactos do asfalto ruim, mas essa maciez cobra o seu preço na dinâmica.

Jetour T1 Advance [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Dependendo do ritmo, ele deixa escapar uma sensação de estar desconectado do motorista, isolando demais as reações. Em curvas contornadas mais rapidamente, a carroceria inclina além da conta, embora seja uma característica de carros tanto altos de carroceria quanto em relação ao solo. Os pneus de perfil 60 ajudam no conforto, mas acentuam essa sensação de desconexão com o ambiente externo.

Autonomia híbrida e consumo do Jetour T1

O seletor traz quatro modos de condução: Economy, Comfort, Sport e Snow. Há pouca diferença prática entre os dois primeiros, ambos focados na eficiência. Ao mudar para o Sport, as respostas ficam mais espertas, mas sem entregar acelerações brutas que grudam o corpo no banco. O foco aqui não é a esportividade, mas sim garantir um fôlego extra em ultrapassagens.

O motorista pode alternar entre o uso puramente elétrico ou híbrido. O gerenciamento das duas fontes garante uma autonomia combinada de até 1.200 km. Na cidade, o motor elétrico move o SUV com facilidade; o propulsor a combustão só desperta ao pisar com mais vontade no acelerador. Portanto, em grande parte do tempo o silêncio é absoluto. Já o motor térmico transmite baixa vibração, ruído e um funcionamento suave.

Jetour T1 Advance [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A bateria possui 26,7 kWh de capacidade em ambas as versões Advance e Premium, permitindo rodar até 88 km no modo 100% elétrico. O sistema aceita recarga rápida de até 40 kW em corrente contínua (DC) e 6,6 kW em corrente alternada (AC). O tanque de combustível tem capacidade para 70 litros.

Durante os dias de convivência, o Jetour T1 cravou médias superiores a 15 km/l na cidade, sendo superadas facilmente guiando com o pé leve no pedal do acelerador. Aliás, de acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, os números declarados são de 13,6 km/l (cidade) e 12,2 km/l (estrada) apenas com gasolina, enquanto com o auxílio da eletricidade sobe para 34,7 km/l e 26,8 km/l, na ordem.

Jetour T1 Advance [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Veredicto

O Jetour T1 é um SUV que grita por aventura no visual, mas entrega tração 4×2. Trata-se de um produto muito bem construído e resolvido para famílias que buscam imponência e viagens por estradas de terra batida, sem pretensões lameiras. Portanto, a cara de poucos amigos e a sensação de robustez ficam restritas ao design.

Ainda assim, é um veículo confortável e bem equipadol. Embora a Jetour seja uma novidade por aqui, o T1 tem atributos de sobra para agradar o consumidor que gosta do estilo quadrado de um Land Rover, mas não quer (ou não pode) desembolsar perto de R$ 1 milhão em um legítimo britânico. Só que a ausência do 4×4 pode ser um detalhe que incomode uma parcela dos consumidores.

O visual do Jetour T1 compensa a falta da tração 4×4 ou você acha que um SUV com essa proposta deveria ser obrigatoriamente integral? Escreva sua opinião nos comentários!

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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