A Volkswagen escolheu frear os planos do Golf elétrico, pelo menos por enquanto. Mesmo com a pressão da Europa pela eletrificação e com a própria fabricante alemã investindo pesado na linha ID., o CEO Thomas Schäfer afirmou que a montadora não precisa lançar um Golf elétrico agora, nem em 2028.
Linha elétrica já cobre o mercado
Segundo informações do site Autocar, Thomas Schäfer afirmou durante o evento FT Future of the Car, em Londres, que a Volkswagen já possui uma gama forte de elétricos e, por isso, não vê necessidade imediata de fazer o Golf em um carro elétrico, como era então esperado.
“Temos uma linha fantástica agora, não precisamos de um Golf elétrico em 2028. Estamos bem servidos com o que temos em nosso portfólio de veículos.”, afirmou o executivo.

A grande maioria do público provavelmente vai dar graças a Deus, pois o Golf não é um carro qualquer na linha da marca alemã. O hatch virou um dos maiores símbolos da indústria europeia, pai dos hot hatches e tem um peso enorme em termos de esportividade e vigorosidade dentro da Volkswagen.
Golf elétrico não morreu, mas ficou para depois
Com a fala, a Volkswagen não cancelou o projeto do Golf elétrico. Pelo contrário, a fabricante de Wolfsburg já deixou claro que um futuro ID. Golf acontecerá em algum momento da próxima década.

O problema é que a marca ainda trabalha em sua nova arquitetura SSP, plataforma que servirá como base para a próxima geração de carros elétricos do grupo Volkswagen.
Esse sistema utilizará arquitetura de 800 volts, baterias mais avançadas e um novo software desenvolvido em parceria com a Rivian. Segundo Schäfer, Audi e Porsche receberão essa tecnologia antes da Volkswagen. Portanto, o Golf elétrico acabou empurrado para o fim da fila.
Europa força indústria

A decisão da Volkswagen também ajuda a entender o momento turbulento vivido pela indústria europeia. Nos últimos anos, a União Europeia pressionou fortemente as montadoras para correr com a eletrificação.
A proposta original previa o fim prático dos carros a combustão novos em 2035, através de metas extremamente rígidas de emissões. Devido a isso, marcas como Volkswagen, Mercedes-Benz, Renault, Stellantis e BMW começaram a investir bilhões de euros em plataformas elétricas, baterias e softwares.

Por certo, a Europa queria transformar o carro elétrico no padrão da indústria. O problema é que a demanda não cresceu na velocidade esperada. Além disso, fabricantes europeias passaram a ter pressão pesada das empresas chinesas, principalmente a BYD, MG, Geely e outras marcas que conseguem produzir elétricos mais baratos e competitivos.
União Europeia ainda não sabe o que quer
O cenário ficou tão complicado que a própria União Europeia começou a rever parte das metas originais. No fim de 2025, autoridades europeias passaram a discutir flexibilizações nas regras de emissões, permitindo maior espaço para híbridos plug-in e combustíveis sintéticos após 2035. Porém, nada concreto ainda.

E assim, também entendemos porque as marcas começaram a desacelerar alguns projetos elétricos ou adiar decisões. A própria Volkswagen, que antes falava em abandonar motores a combustão na Europa até 2033, agora tem um discurso mais cauteloso.
Volkswagen tem medo de fazer Golf elétrico
Existe ainda outro ponto nessa história que é o legado do Golf. Ele é um carro extremamente forte na Europa, ainda mais nas versões GTI e R. Transformar um modelo tão tradicional em elétrico precisa ter cuidado.

Afinal, o consumidor do Golf valoriza justamente o comportamento dinâmico, equilíbrio, dirigibilidade e identidade mecânica pregada nos motores turbos. Um elétrico mal acertado poderia afetar toda reputação construída há décadas.
Por isso, a Volkswagen também prefere fortalecer outros produtos elétricos da linha ID., como ID.Polo, ID. Cross, ID. Buzz e futuros compactos elétricos da marca.
Você acha que o Golf deveria continuar com motor a combustão ou virar elétrico? Deixe seu comentário!



