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Volkswagen admite problema silencioso e acha desnecessário Golf elétrico

CEO da marca admite que hatch elétrico ainda não faz sentido, enquanto Europa pressiona montadoras rumo à eletrificação

4 min de leitura

A Volkswagen escolheu frear os planos do Golf elétrico, pelo menos por enquanto. Mesmo com a pressão da Europa pela eletrificação e com a própria fabricante alemã investindo pesado na linha ID., o CEO Thomas Schäfer afirmou que a montadora não precisa lançar um Golf elétrico agora, nem em 2028.

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Linha elétrica já cobre o mercado

Segundo informações do site Autocar, Thomas Schäfer afirmou durante o evento FT Future of the Car, em Londres, que a Volkswagen já possui uma gama forte de elétricos e, por isso, não vê necessidade imediata de fazer o Golf em um carro elétrico, como era então esperado.

“Temos uma linha fantástica agora, não precisamos de um Golf elétrico em 2028. Estamos bem servidos com o que temos em nosso portfólio de veículos.”, afirmou o executivo.

Volkswagen Golf GTI estático na cor branca no gramado
Volkswagen Golf GTI [Auto+/Luiz Forelli]

A grande maioria do público provavelmente vai dar graças a Deus, pois o Golf não é um carro qualquer na linha da marca alemã. O hatch virou um dos maiores símbolos da indústria europeia, pai dos hot hatches e tem um peso enorme em termos de esportividade e vigorosidade dentro da Volkswagen.

Golf elétrico não morreu, mas ficou para depois

Com a fala, a Volkswagen não cancelou o projeto do Golf elétrico. Pelo contrário, a fabricante de Wolfsburg já deixou claro que um futuro ID. Golf acontecerá em algum momento da próxima década.

Volkswagen Golf GTI estático na cor branca no gramado
Volkswagen Golf GTI [Auto+/Luiz Forelli]

O problema é que a marca ainda trabalha em sua nova arquitetura SSP, plataforma que servirá como base para a próxima geração de carros elétricos do grupo Volkswagen.

Esse sistema utilizará arquitetura de 800 volts, baterias mais avançadas e um novo software desenvolvido em parceria com a Rivian. Segundo Schäfer, Audi e Porsche receberão essa tecnologia antes da Volkswagen. Portanto, o Golf elétrico acabou empurrado para o fim da fila.

Europa força indústria

BYD fábrica de carros na Europa
BYD fábrica de carros na Europa [Divulgação]

A decisão da Volkswagen também ajuda a entender o momento turbulento vivido pela indústria europeia. Nos últimos anos, a União Europeia pressionou fortemente as montadoras para correr com a eletrificação.

A proposta original previa o fim prático dos carros a combustão novos em 2035, através de metas extremamente rígidas de emissões. Devido a isso, marcas como Volkswagen, Mercedes-Benz, Renault, Stellantis e BMW começaram a investir bilhões de euros em plataformas elétricas, baterias e softwares. 

Volkswagen ID.3 Logo fábrica na Alemanha
Volkswagen [Divulgação]

 

Por certo, a Europa queria transformar o carro elétrico no padrão da indústria. O problema é que a demanda não cresceu na velocidade esperada. Além disso, fabricantes europeias passaram a ter pressão pesada das empresas chinesas, principalmente a BYD, MG, Geely e outras marcas que conseguem produzir elétricos mais baratos e competitivos.  

União Europeia ainda não sabe o que quer

O cenário ficou tão complicado que a própria União Europeia começou a rever parte das metas originais. No fim de 2025, autoridades europeias passaram a discutir flexibilizações nas regras de emissões, permitindo maior espaço para híbridos plug-in e combustíveis sintéticos após 2035. Porém, nada concreto ainda. 

Volkswagen ID.3 fábrica de Dresden na Alemanha que fecha
Volkswagen fábrica de Dresden (ALE) [Divulgação]

E assim, também entendemos porque as marcas começaram a desacelerar alguns projetos elétricos ou adiar decisões. A própria Volkswagen, que antes falava em abandonar motores a combustão na Europa até 2033, agora tem um discurso mais cauteloso.  

Volkswagen tem medo de fazer Golf elétrico

Existe ainda outro ponto nessa história que é o legado do Golf. Ele é um carro extremamente forte na Europa, ainda mais nas versões GTI e R. Transformar um modelo tão tradicional em elétrico precisa ter cuidado. 

Volkswagen Golf GTI estático na cor branca no gramado
Volkswagen Golf GTI [Auto+/Luiz Forelli]

Afinal, o consumidor do Golf valoriza justamente o comportamento dinâmico, equilíbrio, dirigibilidade e identidade mecânica pregada nos motores turbos. Um elétrico mal acertado poderia afetar toda reputação construída há décadas.

Por isso, a Volkswagen também prefere fortalecer outros produtos elétricos da linha ID., como ID.Polo, ID. Cross, ID. Buzz e futuros compactos elétricos da marca. 

Você acha que o Golf deveria continuar com motor a combustão ou virar elétrico? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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