Se no Brasil já fazemos altas críticas sobre carros produzidos por aqui, imagine então a exigência dos japoneses. Até porque estamos falando de um mercado acostumado com qualidade e processos de fabricação extremamente rígidos. E foi justamente isso que levou Toyota e Nissan a fazer algo bastante incomum: alertar seus próprios clientes sobre possíveis falhas de acabamento em carros fabricados nos Estados Unidos.
A Toyota e Nissan passaram a informar compradores japoneses de alguns modelos produzidos nos Estados Unidos que esses veículos podem apresentar características de acabamento diferentes daquelas normalmente encontradas nos carros fabricados para o mercado doméstico japonês.
O que motivou essa situação?
Tudo começou após a abertura do mercado japonês para veículos produzidos nos Estados Unidos. Com isso, modelos fabricados em solo norte-americano passaram a ser exportados para o Japão. Entre eles estão a picape Toyota Tundra, os SUVs Toyota Highlander e o Nissan Murano.

O problema é que os padrões de qualidade aceitos pelos consumidores japoneses costumam ser extremamente rigorosos. Em muitos casos, detalhes considerados normais em outros mercados acabam chamando atenção por lá. Por isso, as próprias montadoras decidiram deixar essas diferenças registradas antes da entrega dos carros.
O que os avisos dizem?
No caso do Nissan Murano, a fabricante informa que o SUV foi produzido seguindo especificações destinadas a mercados internacionais e que, por isso, adota padrões de qualidade diferentes daqueles aplicados aos veículos vendidos originalmente no Japão.

A empresa também alerta para possíveis partículas de poeira na pintura, resíduos de vedação e diferenças de alinhamento entre peças da carroceria. Ainda assim, a Nissan diz que essas características não afetam o funcionamento, a segurança nem o desempenho do veículo.
Já a Toyota faz um alerta semelhante para a Tundra e o Highlander. Segundo a marca, os consumidores podem encontrar variações na espessura da pintura, diferenças de tonalidade entre peças, marcas de polimento e até pequenos amassados que não comprometem o uso do veículo.
Um choque cultural automotivo

Mesmo que essas observações possam parecer exageradas para boa parte dos consumidores ao redor do mundo, elas ajudam a mostrar o nível de exigência existente que há no mercado japonês.
Afinal de contas, os compradores locais estão acostumados a veículos produzidos sob processos extremamente rigorosos de controle de qualidade. Ou seja, essas pequenas variações de acabamento que passariam despercebidas em muitos países podem ter questionamentos no Japão.
Nem toda tecnologia funciona no Japão

Além das diferenças de acabamento, alguns recursos também ficam de fora quando esses veículos chegam ao mercado japonês. No Nissan Murano, por exemplo, o painel de instrumentos e a central multimídia não tem suporte ao idioma japonês. Os sistemas funcionam apenas em inglês, espanhol e francês.
Já nos modelos da Toyota, algumas funções dependentes de infraestrutura local também deixam de operar corretamente. É o caso do reconhecimento de placas de trânsito e de determinados sistemas de navegação e mapas, que não foram homologados para utilização no Japão.
Você acha que os compradores japoneses são exigentes demais ou as montadoras deveriam manter exatamente o mesmo padrão? Deixe seu comentário!


