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Erro de projeto

Toyota Hilux tem novo problema que facilita furtos no Brasil

Relatório da polícia detalha como criminosos exploram uma vulnerabilidade no sistema de acesso da Hilux para entrar no veículo sem disparar o alarme 

5 min de leitura

A Toyota Hilux ficou anos conhecida na internet pelo apelido de Capotalux, nada amigável, após diversos relatos de capotamento da geração antiga. Agora, outro problema de projeto coloca novamente o utilitário da marca japonesa no centro das atenções. Desta vez, a questão envolve uma  vulnerabilidade na maçaneta que pode facilitar o furto de unidades fabricadas principalmente entre 2016 e 2022. 

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Segundo investigações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, divulgados pelo site Autoesporte, os criminosos conseguem acessar o interior da caminhonete sem disparar o alarme e, posteriormente, reprogramar uma chave para dar partida no veículo. Conforme a reportagem, a falha já é amplamente conhecida por quadrilhas especializadas que atuam em diferentes regiões do país.

Tudo começou com uma sequência de furtos

Os investigadores passaram a olhar com mais atenção para a Hilux em setembro de 2025. Isso porque na época, uma operação realizada em Campo Grande (MS) teve como alvo uma quadrilha especializada em furtos de caminhonetes. Durante a apuração, os policiais perceberam uma concentração incomum de modelos da Toyota entre os veículos que foram recuperados.

Toyota Hilux SRV prata estacionada de traseira com muro de pedras ao fundo
Toyota Hilux SRV [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Inicialmente, a explicação de ver tantos modelos da fabricante japonesa produzida na Argentina era devido a alta procura no mercado ilegal de peças, graças à reputação de robustez e durabilidade. Todavia, novos dados levantaram outra suspeita. 

Entre janeiro e abril de 2026, criminosos furtaram 34 unidades de Hilux e SW4 apenas em Mato Grosso do Sul. Um detalhe que  chamou atenção foi que todos os veículos furtados pertenciam  à mesma faixa de produção, entre 2016 e 2022. Além disso, quase 70% dos casos eram exemplares fabricados a partir de 2019.

Uma chave de fenda ajudou a desvendar o esquema

Toyota Hilux SRV [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A investigação achou a principal ferramenta por trás desses furtos: uma chave de fenda longa e estreita junto aos equipamentos utilizados por criminosos. A partir desse objeto, os policiais iniciaram uma espécie de engenharia reversa para entender como os furtos aconteciam.

Segundo o relatório, a vulnerabilidade está ligada ao sistema de chave inteligente utilizado pela Hilux e pela SW4. Normalmente, o veículo utiliza antenas instaladas nas portas para identificar a presença da chave original e liberar o acesso ao motorista. O problema é que os criminosos descobriram uma forma de interferir nesse sistema por meio da própria maçaneta.

Como os ladrões conseguem entrar na Hilux

Avaliação Toyota Hilux SRV prata estacionada de lado com muro de pedras ao fundo
Toyota Hilux SRV [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

De acordo com a investigação, a ferramenta é inserida em uma região específica da maçaneta e da estrutura da porta. A partir desse ponto, o invasor consegue criar uma comunicação indevida com o sistema eletrônico responsável pela abertura das portas.

Na prática, o veículo interpreta aquele comando como se estivesse recebendo um sinal legítimo da chave original. Como consequência, as portas são destravadas sem qualquer disparo do alarme. Tudo isso sem chamar atenção e sem deixar sinais de arrombamento. Ai, os criminosos conseguem acessar a cabine com tranquilidade para iniciar a segunda etapa do furto.

O segundo passo é ligar a caminhonete

Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Depois de entrar no veículo, os criminosos usam equipamentos eletrônicos capazes de programar uma nova chave. Conforme o relatório, os primeiros aparelhos apreendidos custavam até R$ 30 mil e eram encontrados principalmente em organizações criminosas mais estruturadas.

Nos últimos anos, porém, os investigadores passaram a localizar versões mais baratas desses equipamentos. Em alguns casos, os dispositivos eram vendidos livremente em plataformas por menos de R$ 5 mil. Com eles, os criminosos conseguem contornar os sistemas eletrônicos originais e dar partida na caminhonete em poucos minutos.

Casos se espalharam pelo país

Toyota Hilux SRX cinza parada de frente
Toyota Hilux SRX [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Embora a investigação tenha começado em Mato Grosso do Sul, o problema não se limita sô nessa região. Por exemplo, nos últimos dois anos, operações policiais identificaram grupos especializados em furtos de Hilux e SW4 em diversos estados brasileiros como Minas Gerais e Distrito Federal. 

Como reduzir os riscos

Especialistas em segurança automotiva, divulgado pela Autoesporte,  explicam que os fabricantes atualizam constantemente seus sistemas eletrônicos para dificultar esse tipo de ataque. De qualquer maneira, quando um veículo fica vários anos no mercado, criminosos ganham mais tempo para estudar vulnerabilidades e desenvolver novas formas de invasão.

Painel da Toyota Hilux SRX
Toyota Hilux SRX [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Por isso, a recomendação vai além dos sistemas originais do carro. É indicado, por exemplo, a instalação de bloqueadores adicionais, rastreadores homologados pelas seguradoras e travas físicas visíveis no volante ou nas rodas. Vale lembrar que mesmo que nenhuma dessa solução tire de forma efetiva  o risco, a combinação dessas precações aumenta o tempo para o criminoso fazer algo.

E você, sabia desse método contra a Toyota Hilux? Deixe seu comentário. 

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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