Lá em 2023, a Volkswagen desembolsou mais de US$ 700 milhões para comprar a participação da montadora chinesa Xpeng. Agora, três anos depois, a chinesa quer ir além e pretende colocar sua tecnologia também nos carros de outras empresas, já que vender automóvel na China é extremamente complicado, concorrido e não dá lucro.
Embora poucos conhecem o tamanho da Xpeng, na China a fabricante tem uma posição grandiosa diante de inúmeros montadoras que surgiram com o avanço dos elétricos chineses. Fundada em 2014, ela apostou desde cedo no desenvolvimento próprio de software, arquitetura eletrônica, sistemas de assistência ao motorista e inteligência artificial.
É logo esse conhecimento que agora pode virar produto. Segundo a Reuters, a Xpeng procura novos parceiros interessados em utilizar sua arquitetura elétrica e eletrônica, sistemas de cabine, chips Turing de inteligência artificial e softwares avançados de assistência ao motorista. A lista não termina nas montadoras: fornecedores e empresas estrangeiras de software também aparecem entre os possíveis clientes.
Volkswagen abriu caminho para a Xpeng

A ideia pode parecer até um pouco contraditória, afinal as montadoras normalmente querem proteger suas tecnologias. Nesse caso, todavia, a Xpeng já tem um exemplo bastante grande funcionando na prática. A Volkswagen adquiriu 4,99% da empresa chinesa no final de 2023 por US$ 706 milhões.
Além do investimento financeiro, as duas fabricantes fecharam uma parceria para desenvolver veículos elétricos e, posteriormente, ampliaram essa aproximação para arquiteturas eletrônicas e software. Em vez de tentar adaptar todas as soluções desenvolvidas na Europa para um mercado chinês que muda muito rápido demais, a alemã passou a buscar conhecimento dentro da própria China.

Não por acaso, o primeiro resultado dessa relação já está nas ruas e chama-se Volkswagen ID. UNYX 08. O SUV começou a sair da linha de produção em março deste ano e nasceu dentro dessa nova estratégia da marca para o país. Inclusive, o modelo foi até patenteado no Brasil recentemente.
O SUV elétrico usa uma base desenvolvida com participação da Xpeng e leva tecnologias chinesas também na parte eletrônica, no sistema de assistência à condução e nos chips responsáveis por processar essas funções.
Xpeng quer ganhar dinheiro sem precisar vender o carro

E com a indústria chinesa desenvolvendo carro atrás de carro em velocidades exorbitantes, fica difícil para muitas acompanhar esse ritmo, com cadeias de fornecimento extremamente integradas e ciclos cada vez menores entre projeto e produção.
Ainda assim, vender muitos automóveis não significa necessariamente ganhar dinheiro. A própria Xpeng continua sem ter lucro anual, devido a guerra de preços sem freio entre os chineses que os próprios pressionam.

Por isso, transformar tecnologia em serviço abre uma segunda frente. A empresa não precisa produzir outro carro, abrir concessionárias ou disputar desconto com BYD, Geely e dezenas de concorrentes para faturar com aquilo que já desenvolveu.
Por isso o resultado dessa estratégia já começa a aparecer nos números. No segundo trimestre de 2026, a receita da divisão de serviços e outros negócios cresceu 93,9%, chegando a 2,7 bilhões de yuans. Grande parte desse avanço veio justamente de trabalhos de pesquisa e desenvolvimento ligados à Volkswagen. Agora, a chinesa também quer repetir esse mesmo modelo com outras empresas.
Até o sistema que ajuda a dirigir pode ser vendido

Entre as tecnologias colocadas na vitrine está justamente uma das áreas mais disputadas atualmente pelas fabricantes chinesas: os sistemas avançados de assistência à condução.
A Xpeng pretende licenciar seu software para outras empresas, além da arquitetura eletrônica necessária para fazer diferentes módulos do veículo trabalharem juntos. Ao mesmo tempo, entram no pacote os chips Turing, desenvolvidos pela própria fabricante para processamento de inteligência artificial.

A chinesa também pretende levar essa estratégia para fora dos automóveis convencionais, como os robôs táxis e robôs humanoides. Assim, em vez de depender apenas da margem obtida na venda de cada veículo, ela tenta vender também aquilo que existe por trás dele.
Para uma empresa que ainda busca a lucratividade, de fato, faz bastante sentido. Afinal, fazer um software ou o desenvolvimento e licenciamento não tem os mesmos custos industriais de uma linha de montagem.
E você, imaginava que a Volkswagen se renderia a uma chinesa? Deixe seu comentário!


