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Geely está por um fio de ultrapassar as vendas da BYD na China

Diferença entre as duas caiu para apenas 66 mil carros no primeiro semestre

7 min de leitura

Durante alguns anos, falar sobre as fabricantes chinesas era falar sobre a BYD. Afinal, a empresa cresceu de maneira quase ininterrupta, superou a Tesla entre os elétricos e híbridos plug-in e virou líder dentro da China em algo quase natural. Só que, em 2026, essa vantagem começou a diminuir rapidamente graças a Geely.

Enquanto a BYD perdeu força dentro do próprio país, a Geely aproveitou o espaço. No primeiro semestre, a diferença entre as duas caiu para apenas 66 mil carros no mercado chinês. Desta forma, aquela disputa que estava distante no começo de 2025 passou a ficar cada vez mais apertada.

A BYD vendeu aproximadamente 1,016 milhão de veículos dentro da China entre janeiro e junho. Já a Geely ficou perto de 949 mil unidades domésticas no mesmo intervalo. Além disso, a BYD passou a depender muito mais das vendas internacionais para continuar crescendo.

Geely é uma ameaça real para a BYD

Geely EX2 Max verde visto de trás
Geely EX2 Max [Auto+/ Luiz Forelli]

Para entender como a diferença chegou a apenas 66 mil unidades, vamos dar uma olhada alguns meses para trás. No começo de 2026, a Geely já havia dado sinais de que poderia transformar sua expansão em uma disputa direta pela liderança chinesa. 

Além disso, produtos como o Xingyuan, vendido no Brasil como EX2, deram à fabricante uma presença muito maior justamente nas faixas mais populares do mercado. Por isso, ele é atualmente o carro mais vendido da China. 

BYD Dolphin Mini GS 2026 azul estático
BYD Dolphin Mini 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

A Geely fechou o primeiro semestre com 1,423 milhão de veículos vendidos globalmente. Desse total, pouco mais de 474 mil foram para mercados internacionais.

Ao mesmo tempo, a empresa conseguiu equilibrar melhor diferentes tipos de produto. Enquanto a BYD trabalha exclusivamente com veículos eletrificados, divididos entre elétricos e híbridos plug-in, a Geely ainda vende modelos a combustão, híbridos convencionais, híbridos plug-in e elétricos.

BYD King GS [Auto+ / Luiz Forelli]

Com isso, a fabricante consegue atuar em faixas diferentes do mercado chinês e não depende apenas da procura por um único tipo de propulsão. Além disso, a empresa acelerou principalmente sua linha Galaxy, responsável por boa parte dos modelos eletrificados mais recentes.

Somente essa família chegou perto de 520 mil carros vendidos no primeiro semestre. Não por acaso, a própria Geely já colocou a liderança do mercado chinês entre suas ambições.

BYD começou 2026 muito mal dentro de casa

BYD Yuan Pro - Carros chineses que valem a pena
BYD Yuan Pro [Auto+ / Rafael Dea]

Se a Geely cresceu, parte dessa aproximação também aconteceu porque a BYD teve um começo de ano muito abaixo do que vinha tendo. Janeiro já deu o primeiro sinal. A fabricante vendeu 210.051 veículos eletrificados globalmente, contra 300.538 no mesmo mês de 2025. Em fevereiro, foram 190.190 unidades, enquanto um ano antes a empresa havia registrado 322.846. 

Desta forma, o primeiro semestre terminou com aproximadamente 1,808 milhão de veículos vendidos, uma queda de 15,7% em relação ao mesmo período de 2025. Só que esses números globais de queda ficou concentrados principalmente dentro da China.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões estático
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Entre janeiro e junho, como citado, a BYD vendeu cerca de 1,016 milhão de carros em seu mercado doméstico. Assim, fazendo a conta, 792 mil unidades correspondem em mercados internacionais. 

Ou seja, como citado aqui no Auto+, quase 44% dos veículos comercializados pela fabricante no período foram vendidos fora da China. Por isso, a fotografia da empresa muda bastante. A BYD continua chinesa, obviamente, mas sua dependência exclusiva do consumidor chinês começa a desaparecer.

Fora da China, a história é completamente diferente

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Se o mercado doméstico trouxe dor de cabeça, as exportações foram ao contrário. Com seus 792 mil veículos vendidos fora da China no primeiro semestre, o avanço corresponde de 68% sobre o mesmo intervalo de 2025. Com isso, os mercados internacionais passaram a funcionar como uma espécie de contrapeso para a perda de volume dentro de casa. 

Além disso, vender fora da China também passou a ter uma importância financeira maior. Segundo a Reuters, os negócios internacionais responderam por 53% da receita da BYD no primeiro semestre, enquanto as margens das operações externas foram de 22%. 

BYD Dolphin SE branco parado de traseira
BYD Dolphin SE [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Ou seja, o exterior não serve apenas para aumentar o volume, e sim, também ajuda a empresa a ganhar dinheiro em mercados menos pressionados pela guerra de preços chinesa. Afinal, isso explica também porque a BYD acelerou tanto sua internacionalização.

Nos últimos anos, a chinesa Build Your Dreams aumentou sua presença na Europa, América Latina, Sudeste Asiático e também em outros mercados. Ao mesmo tempo, passou a investir nas fábricas locais, navios e produtos desenvolvidos para necessidades específicas de cada região.

Brasil é uma peça importante para a BYD

BYD Mako amarela de frente
BYD Mako [Auto+ / Luiz Forelli]

Por aqui, a BYD deixou de ser apenas uma fabricante de elétricos de nicho e começou a disputar espaço entre as marcas de maior volume. Não por acaso, hoje ela se configura na quarta posição de ranking de vendas no Brasil e já encosta na terceira posição, que é da Chevrolet. 

Ao mesmo tempo, porém, a Geely também começou a construir sua própria presença por aqui. E aí aquela disputa que já acontece na China começa, aos poucos, a ganhar uma versão brasileira. Afinal, o Geely EX2 e BYD Dolphin Mini rivalizam por aqui, embora o hatch da BYD vende bem mais.

Geely também está correndo fora da China

Geely EX5 EM-i verde estático para avaliação e teste
Geely EX5 EM-i [Auto+/Luiz Forelli]

A expansão internacional da Geely também traz seus frutos, cada um com sua proporção. Com seus 474 mil veículos exportados, isso representa um crescimento de 158% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi tão forte que a empresa superou, em apenas seis meses, todo o volume internacional alcançado durante 2025. 

Com isso, a marca aumentou sua meta de exportações para 2026 de 640 mil para 920 mil veículos. Além disso, julho e agosto continuaram mostrando avanço fora da China. Em agosto, por exemplo, a Geely exportou mais de 110 mil carros, aumento de 205% sobre o mesmo mês de 2025.

Geely EX5 Max cinza parado de traseira com árvores ao fundo
Geely EX5 Max [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

 

Ou seja, as duas principais fabricantes chinesas caminham na mesma direção. A diferença fica no ponto de partida. Enquanto a BYD precisa compensar uma perda significativa de força dentro de seu maior mercado, a Geely tenta aproveitar justamente essa brecha para encostar na rival.

Mas a BYD começou a reagir

Ainda assim, seria errado olhar apenas para o primeiro semestre e concluir que a BYD continua despencando. A partir de maio, a curva começou a mudar. Depois de 383 mil veículos em maio e 403 mil em junho, a empresa chegou a 419 mil em julho. 

BYD Sealion 7 [Auto+ / João Brigato]
BYD Sealion 7 [Auto+ / João Brigato]

Em agosto, cresceu novamente e alcançou 440.293 veículos eletrificados globalmente, maior resultado mensal de 2026 até agora.  Portanto, a BYD já recuperou parte do volume perdido no começo do ano. Por outro lado, a recuperação continua dependendo fortemente do exterior. 

Nova bateria atrapalhou o ritmo da BYD

Parte da desaceleração também veio de dentro da própria operação da BYD. A chinesa passa por uma transição entre gerações da bateria Blade, principalmente com a expansão da nova tecnologia compatível com sistemas de recarga ultrarrápida.

BYD Atto 8 [Auto+ / João Brigato]
BYD Atto 8 [Auto+ / João Brigato]

Segundo a própria companhia, essa mudança aumentou temporariamente os prazos de entrega de alguns modelos importantes. Com isso, a capacidade produtiva das novas baterias acabou funcionando como um gargalo justamente durante a renovação da linha. Todavia, a situação começou a melhorar à medida que a empresa aumentou sua produção. 

Você acha que a Geely consegue ultrapassar a BYD na China ainda em 2026? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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