O mercado brasileiro de automóveis começou julho em um ritmo mais baixo que o visto em maio e junho, mas isso não significa que as vendas tenham desacelerado. Na verdade, os emplacamentos continuam fortes nesta primeira quinzena de julho, com 106.158 veículos leves emplacados, uma alta de 13% diante do mesmo período de 2025.
Segundo a consultoria Bright Consulting, a queda apareceu na comparação com junho, de apenas 1,6%. Porém, o dado que explica melhor esse movimento está na média diária. Mesmo com um dia útil a mais, julho caiu de 10.790 para 9.651 carros por dia. Ou seja, aquele volume fortíssimo das locadoras, frotistas e compras governamentais perdeu força. O varejo, por outro lado, continuou crescendo.
O mercado não esfriou
Durante maio e junho, o mercado teve um pico de vendas diretas, especialmente no fechamento do segundo trimestre. Agora, esse movimento começa a se desfazer. A venda direta caiu 5,7% diante de junho e ficou com 43,7% do mercado, seu menor patamar no ano.

Enquanto isso, as concessionárias venderam 59.716 carros para o consumidor final, alta de 1,9% no mês e de 20,8% sobre 2025. Ou seja, isso mostra um mercado um pouco mais saudável. Afinal, em vez das montadoras apenas dependerem de grandes lotes vendidos para empresas, locadoras e governo, julho teve uma participação maior de quem realmente entrou na loja para comprar um carro.
Mesmo assim, o ano continua muito positivo. O Brasil já soma 1.462.663 veículos emplacados em 2026, um avanço de 19,6% diante do mesmo período de 2025.
Fiat lidera, mas Volkswagen encosta

A Fiat terminou a primeira quinzena na frente, com 19.040 unidades e 17,9% de participação. Logo atrás veio a Volkswagen, com 17.122 carros e 16,1%. A diferença, portanto, não é tão grande. Além disso, as duas marcas ainda dependem bastante da venda direta. Na Fiat, esse canal respondeu por 68,1% dos registros. Já na Volkswagen, ficou em 61,2%.
Isso ajuda a entender porque a Fiat Strada, o Volkswagen Polo, Tera e T-Cross aparecem tão bem no ranking. São carros bons de varejo, mas o seu grande empurrão acontece justamente na venda direta com a compra de CNPJ das empresas e locadoras.
BYD já deixa Chevrolet para trás

A grande mudança aparece na terceira posição. A BYD emplacou 9.855 carros e chegou a 9,3% do mercado, ficando à frente da Chevrolet, que terminou a quinzena com 9.027 unidades. E existe uma bela diferença entre as duas: enquanto a Chevrolet teve 43,9% dos emplacamentos concentrados em venda direta, a BYD registrou apenas 26,9% nesse canal.
Ou seja, a fabricante chinesa não chegou ao terceiro lugar apenas colocando carros em locadoras. A maior parte das suas vendas veio do consumidor comum.

E um detalhe é que a BYD permite via canal de venda direta a compra também por CPF, algo que outros fabricantes ainda restringem. Então um consumidor final pode comprar também por venda direta na chinesa.
Strada continua intocável
Entre os modelos, nada mudou na liderança. A Fiat Strada terminou a primeira quinzena com 6.817 unidades, uma vantagem enorme para o segundo colocado. Porém, mais uma vez, a venda direta teve bastante peso. Quase 76% dos registros da caminhonete vieram desse canal.

Atrás dela, a Volkswagen conseguiu colocar três carros em sequência. O Tera apareceu em segundo, com 3.986 unidades, seguido pelo Polo, com 3.726, e pelo T-Cross, com 3.398. Ou seja, o Tera, um SUV compacto e recém lançado consegue fazer mais barulho que o Polo, seu irmão hatch mais barato e o carro mais vendido do Brasil no acumulado.
Elétricos já brigam com os carros mais tradicionais
O Hyundai Creta ficou em quinto, com 3.091 unidades. Logo depois veio o BYD Dolphin Mini, com 3.075. Portanto, apenas 16 carros separaram um dos SUVs mais tradicionais do Brasil do pequeno elétrico chinês. Na sequência, o Dolphin apareceu com 2.472 unidades. Já o Geely EX2 entrou em oitavo, com 2.408.

O desempenho do EX2 também é interessante de se analisar: apenas 66 unidades vieram de venda direta. Assim, praticamente todo o resultado nasceu no varejo. Isso mostra que o público não está comprando esses elétricos apenas por promoção de frota. Existe o interesse real do consumidor de procurá-los nas concessionárias.
O Toyota Yaris Cross também entrou no top 10, com 2.294 unidades, enquanto a Fiat Toro fechou a lista dos dez primeiros com 2.254.
Chinesas chegam a quase um quarto do mercado

Quando juntamos todas as marcas chinesas, elas alcançaram 23,2% das vendas brasileiras na primeira quinzena de julho. Trata-se de um novo recorde. Em junho, a participação era de 20,2%. Portanto, em apenas um mês, as chinesas avançaram três pontos percentuais.
Isso significa que quase um em cada quatro carros vendidos no Brasil já pertence a uma marca chinesa. E esse resultado não vem apenas da BYD. A Geely, Caoa Chery, GWM e Leapmotor também ajudam a sustentar esse crescimento. Além disso, novos produtos chegam em intervalos muito menores do que aqueles praticados pelas marcas tradicionais.

É justamente aí que começa a pressão. Enquanto algumas fabricantes passam anos para renovar um carro, as chinesas lançam novos SUVs, elétricos e híbridos a todo momento, como aconteceu com a GAC a BYD, por exemplo. Em menos de um ano as chinesas renovaram seus SUVs Hyptec HT e o Song Plus.
Eletrificados atingem outro recorde
Os veículos eletrificados somaram 25.052 unidades e representaram 23,6% do mercado. Assim, quase um quarto dos carros vendidos já possui algum tipo de eletrificação. Ainda assim, essa conta reúne propostas bem diferentes. Os elétricos puros lideraram, com 10.397 unidades. Logo depois vieram os híbridos plug-in, com 8.106.

Os híbridos plenos somaram 3.830 registros, enquanto os MHEV chegaram a 2.500. Já os carros com extensor de autonomia ainda representam uma parcela pequena, com 219 unidades. Neste caso, apenas a Leapmotor vende esse tipo de veículo, sendo ele o C10.
Só para se ter base de comparação, na mesma quinzena de 2025, os eletrificados somavam apenas 9.786 carros. Em um ano, portanto, o volume mais que dobrou.
BYD domina os elétricos

Entre os elétricos puros, a BYD concentrou 57,4% do mercado. O Dolphin Mini, sozinho, registrou 3.075 unidades e liderou a categoria. Nos híbridos plug-in, a fabricante também ficou em primeiro, com 3.892 carros. O principal responsável foi o Song Pro, que fechou a quinzena com 1.975 emplacamentos.
Entre os híbridos plenos, a GWM liderou com o Haval H6. Já nos MHEV, a Fiat ficou na frente, puxada principalmente pelo Fastback. Curioso né? Há pouco tempo atrás víamos a Toyota como líder nessa briga de híbridos plenos. Agora, ela não aparece mais na lidernaça.
SUV segue engolindo os outros segmentos

Os SUVs aumentaram ainda mais sua participação e chegaram a 45,3% do mercado. Em julho de 2025, representavam 37,1%. Portanto, quase metade dos carros vendidos no Brasil já pertence a essa categoria. Enquanto isso, os sedans continuam perdendo espaço. A participação caiu para apenas 6%, contra 9,3% no ano passado.
Os hatchbacks ficaram com 20,5%. Já as picapes derivadas de carros, como a Strada, cresceram para 8,4%. Esse movimento explica por que praticamente todas as fabricantes concentram seus próximos lançamentos em SUVs. É onde o público está e, principalmente, onde as marcas conseguem trabalhar com preços e margens maiores.
O mercado brasileiro já mudou

Olhando apenas para o ranking, vejamos então essa mudança clara de comportamento dos consumidores. A Fiat e Volkswagen continuam intocáveis na liderança, muito graças à venda direta. Porém, uma das fabricantes também mais tradicionais do Brasil e mundo já perde bom espaço para uma chinesa: a BYD superou a Chevrolet na primeira quinzena.
O Geely EX2, ainda importado, enquanto a fabricação nacional não acontece, já entra no top 10 quase sem depender de venda direta e as marcas chinesas alcançam quase um quarto do mercado. Ou seja, já não estamos mais falando de uma transformação que vai acontecer. Ela está acontecendo na nossa frente.

Por isso, aquilo que sempre falamos se mostra na prática: as marcas tradicionais ainda tem rede, confiança, peças e uma presença construída ao longo de décadas. Contudo, as chinesas avançam com lançamentos rápidos, preços agressivos e muita tecnologia.
E você, acredita que as marcas chinesas ainda passam de 25% do mercado brasileiro em 2026? Deixe seu comentário!


