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Honda perde 60% das vendas, mas renova parceria com a GAC até 2038

Mesmo pressionada pelo avanço das marcas locais, fabricante japonesa decidiu manter sua joint venture e terá mais dez anos para recuperar espaço

4 min de leitura

A Honda poderia olhar para os últimos cinco anos na China, fechar as malas e admitir que perdeu o ritmo do mercado. Em vez disso, a fabricante japonesa decidiu dobrar a aposta e renovou sua parceria com a GAC até 2038, dez anos além do prazo anterior.

É uma decisão ousada já que as vendas da marca no país caíram cerca de 60% desde 2020. No entanto, mesmo com as vendas caindo, sair da China é abandonar o maior mercado automotivo do mundo. Então, já que a Honda fica sem saída, a japonesa decidiu aumentar ainda mais sua parceria no mercado chinês com a GAC.

Desta forma, a Honda e Guangzhou Automobile Group mantêm a joint venture GAC Honda desde 1998, com produção iniciada no ano seguinte. Ao longo dessa história, a operação conjunta já produziu e vendeu mais de 11 milhões de veículos no mercado chinês. 

GAC Aion V [Auto+ / João Brigato]

O novo acordo preserva a sociedade até 2038 e deixa a participação igualitária entre as duas empresas. Ou seja, Honda e GAC continuarão dividindo decisões, investimentos e resultados. 

Honda perdeu o espaço que levou décadas para construir

Durante muito tempo, a China funcionou como uma máquina de vendas para as montadoras japonesas. A Honda, Toyota e Nissan cresceram com sedans e SUVs conhecidos, além de uma reputação ligada à confiabilidade mecânica.

BYD Dolphin SE [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Esse cenário mudou rapidamente porque as marcas chinesas deixaram de competir apenas pelo preço. Hoje, empresas como BYD, Geely, Changan e a própria GAC têm carros elétricos e híbridos com mais tecnologia, atualizações e preços agressivos.

A Honda sentiu essa transformação diretamente nos números. Em 2020, somando as operações com GAC e Dongfeng, vendeu 1,62 milhão de veículos na China. Em 2025, esse volume caiu para aproximadamente 640 mil unidades. 

GAC Honda Fit amarelo visto de cima
GAC Honda Fit [Divulgação]

Portanto, não estamos falando de uma oscilação ou de um ano ruim. A fabricante perdeu quase 1 milhão de vendas anuais em apenas cinco anos, justamente enquanto os consumidores chineses migravam para carros eletrificados e mais conectados.

A GAC Honda respondeu por cerca de 340 mil unidades no último ano completo, enquanto o restante veio da parceria mantida com a Dongfeng. Ainda assim, o começo de 2026 mostrou que a queda ainda está longe de terminar. No primeiro semestre, a joint venture com a GAC vendeu pouco mais de 68 mil veículos, uma retração superior a 55% frente ao mesmo período do ano anterior. 

Os novos elétricos ainda não mudaram a situação

GAC Honda P7 roxo
GAC Honda P7 [Divulgação]

A Honda já tentou responder ao avanço das marcas locais com a linha Ye, criada especificamente para a China. A família estreou com os elétricos P7, produzido pela GAC Honda, e S7, desenvolvido na operação com a Dongfeng.

Eles têm desenho, interior e proposta diferentes dos Honda vendidos no Brasil, Japão ou Estados Unidos. Porém, entender o problema não significa necessariamente resolvê-lo. P7 e S7 chegaram a um segmento lotado de concorrentes chineses, muitos deles mais baratos e com sistemas digitais já consolidados entre os consumidores locais.

GAC Honda P7
GAC Honda P7 [Divulgação]

Enquanto a Honda ainda tenta construir uma identidade elétrica, as fabricantes chinesas atualizam seus carros ano atrás de ano, como se fosse celulares.

Você acredita que a Honda pode recuperar espaço na China ou as fabricantes tradicionais ficaram para trás? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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