A Honda poderia olhar para os últimos cinco anos na China, fechar as malas e admitir que perdeu o ritmo do mercado. Em vez disso, a fabricante japonesa decidiu dobrar a aposta e renovou sua parceria com a GAC até 2038, dez anos além do prazo anterior.
É uma decisão ousada já que as vendas da marca no país caíram cerca de 60% desde 2020. No entanto, mesmo com as vendas caindo, sair da China é abandonar o maior mercado automotivo do mundo. Então, já que a Honda fica sem saída, a japonesa decidiu aumentar ainda mais sua parceria no mercado chinês com a GAC.
Desta forma, a Honda e Guangzhou Automobile Group mantêm a joint venture GAC Honda desde 1998, com produção iniciada no ano seguinte. Ao longo dessa história, a operação conjunta já produziu e vendeu mais de 11 milhões de veículos no mercado chinês.

O novo acordo preserva a sociedade até 2038 e deixa a participação igualitária entre as duas empresas. Ou seja, Honda e GAC continuarão dividindo decisões, investimentos e resultados.
Honda perdeu o espaço que levou décadas para construir
Durante muito tempo, a China funcionou como uma máquina de vendas para as montadoras japonesas. A Honda, Toyota e Nissan cresceram com sedans e SUVs conhecidos, além de uma reputação ligada à confiabilidade mecânica.

Esse cenário mudou rapidamente porque as marcas chinesas deixaram de competir apenas pelo preço. Hoje, empresas como BYD, Geely, Changan e a própria GAC têm carros elétricos e híbridos com mais tecnologia, atualizações e preços agressivos.
A Honda sentiu essa transformação diretamente nos números. Em 2020, somando as operações com GAC e Dongfeng, vendeu 1,62 milhão de veículos na China. Em 2025, esse volume caiu para aproximadamente 640 mil unidades.

Portanto, não estamos falando de uma oscilação ou de um ano ruim. A fabricante perdeu quase 1 milhão de vendas anuais em apenas cinco anos, justamente enquanto os consumidores chineses migravam para carros eletrificados e mais conectados.
A GAC Honda respondeu por cerca de 340 mil unidades no último ano completo, enquanto o restante veio da parceria mantida com a Dongfeng. Ainda assim, o começo de 2026 mostrou que a queda ainda está longe de terminar. No primeiro semestre, a joint venture com a GAC vendeu pouco mais de 68 mil veículos, uma retração superior a 55% frente ao mesmo período do ano anterior.
Os novos elétricos ainda não mudaram a situação

A Honda já tentou responder ao avanço das marcas locais com a linha Ye, criada especificamente para a China. A família estreou com os elétricos P7, produzido pela GAC Honda, e S7, desenvolvido na operação com a Dongfeng.
Eles têm desenho, interior e proposta diferentes dos Honda vendidos no Brasil, Japão ou Estados Unidos. Porém, entender o problema não significa necessariamente resolvê-lo. P7 e S7 chegaram a um segmento lotado de concorrentes chineses, muitos deles mais baratos e com sistemas digitais já consolidados entre os consumidores locais.

Enquanto a Honda ainda tenta construir uma identidade elétrica, as fabricantes chinesas atualizam seus carros ano atrás de ano, como se fosse celulares.
Você acredita que a Honda pode recuperar espaço na China ou as fabricantes tradicionais ficaram para trás? Deixe seu comentário!


