A ofensiva das montadoras chinesas mudou bastante a dinâmica da indústria automotiva no mundo todo. Com tecnologia avançada e preços agressivos, as marcas tradicionais passaram a buscar novas formas de competir. Em vez de enfrentar as chinesas apenas com produtos próprios, algumas optaram por fazer parceria para ampliar seus portfólios. E esse é o caso da Stellantis.
Durante a participação no evento Anfavea Visions 2026, Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, confirmou que a parceria global firmada recentemente com a Dongfeng pode contemplar também o Brasil.
Segundo informações publicadas pelo site AutoIndústria e AutoData, a engenharia sul-americana da companhia já participa do desenvolvimento de projetos globais, tendo potencial de comercialização na América do Sul.
![Dongfeng Box [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/04/dongfeng_box85.webp)
“Sob o ponto de vista de desenvolvimento de produtos entendemos que, se existir a competitividade adequada, poderemos trazer estes veículos para o Brasil. São projetos globais, nada específico para o mercado brasileiro”, disse o executivo, segundo o AutoData.
“Vamos ampliar portfólio no Brasil a partir de parcerias”, afirmou Zola à AutoIndústria. Além disso, o executivo não descartou a possibilidade de uma produção local envolvendo modelos da Dongfeng.

Esse conceito de joint-venture entre as montadoras tradicionais e as chinesas não é novidade por aqui. Além da Leapmotor, hoje controlada pela Stellantis fora da China, a General Motors também aproveita sua parceria SAIC-GM-Wuling para montar no Brasil modelos chineses como Chevrolet, como acontece com Spark EUV e Captiva EV.
Produção nacional entra no radar
Embora ainda não tenha qualquer definição sobre quais modelos poderiam ser produzidos em terras tupiniquins, a Stellantis já tem uma estrutura bem consolidada para receber novos projetos.
![Fiat Toro em Goiana, Pernambuco [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2023/12/LinhadeProduo_FiatToro_GoianaPE4_edited-1200x720.jpg)
O primeiro exemplo é Goiana (PE), onde a fabricante já confirmou a montagem dos modelos da Leapmotor. A unidade produz atualmente a Fiat Toro, Ram Rampage, Jeep Renegade, Jeep Compass e Jeep Commander. Por isso, não seria surpresa ver novas operações compartilhando a mesma estrutura futuramente.
Outra possibilidade está em Betim (MG), principal complexo industrial da Stellantis no Brasil. A planta mineira será responsável pela próxima geração dos carros da Fiat, um deles o grande nova geração do Argo que não se chamará Uno como esperado. Além das futuras gerações de Pulse e Fastback baseadas na plataforma STLA Smart Car.
![GSE Turbo [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Ponta_da_linha_Foto_Leo_Lara_edited-edited-1320x743.webp)
Já Porto Real (RJ) também surge como uma bela candidata plausível para receber ligado à Dongfeng. Atualmente, a fábrica produz só o Citroën C3, Aircross, Basalt, além dos Peugeot 208 e 2008. Em breve, a unidade também dará início a fabricação do Jeep Avenger.
Europa é espécie de laboratório da parceria
Enquanto os planos para o Brasil ainda estão em fase de avaliação, a estratégia europeia já tem contornos mais concretos. Vale lembrar que recentemente a Stellantis e Dongfeng anunciaram a criação de uma joint venture voltada para mercados internacionais.

Nesse caso, a Stellantis terá 51% da operação, enquanto os 49% restantes ficarão sob controle da fabricante chinesa. O objetivo vai além só de comercializar exemplares. A parceria prevê também produção local e distribuição dos modelos da Voyah, marca premium da Dongfeng já confirmada para o mercado brasileiro.
Além disso, a Stellantis ajudará a adaptar veículos chineses para atender às exigências e preferências dos consumidores europeus, algo parecido no que vemos com a Leapmotor, por exemplo.
Estratégia para enfrentar avanço chinês

Apesar das novas parcerias, a Stellantis garante que não alterou seus planos de investimento para a América do Sul. Segundo Zola, os R$ 32 bilhões anunciados para a região estão mantidos, embora a empresa tenha ajustado parte da estratégia diante das rápidas transformações do mercado.
“O primeiro pilar são os compactos, principalmente da Fiat. O segundo são as picapes, segmentos onde os chineses ainda não atuam com força. O terceiro é fortalecer SUVs e explorar mais as parcerias do grupo”, explicou o executivo ao AutoIndústria.

Por enquanto, a companhia ainda não confirma quais veículos da Dongfeng poderão desembarcar no Brasil ou quais fábricas poderiam recebê-los. Mas já é um bom caminho para entender como a fabricante chinesa pode se estabelecer no Brasil, já que sua estratégia ainda está confusa, pois há rumores até da sua parceria com a Nissan render a montagem dos carros na planta da empresa japonesa em Resende (RJ).
E você, o que espera da Dongfeng para o Brasil? Deixe seu comentário!



