O Hyundai Creta recebeu uma atualização praticamente sem alarde no mercado brasileiro. Ele não mudou de visual, não ganhou novos equipamentos e nem teve reajuste nos preços de tabela. A principal diferença, na verdade, está debaixo do capô equipadas com o motor 1.0 turbo que agora entregam menos potência. Além disso, a marca sul-coreana incluiu a opção Action como modelo 2026/2027.
A mudança já era esperada desde a chegada do novo Hyundai i20 ao Brasil. Assim, o conhecido 1.0 TGDI flex de três cilindros deixa os 120 cv com etanol e passa a entregar 115 cv com qualquer combustível. Por outro lado, o torque não mudou e continua em 17,5 kgfm. O câmbio também permanece automático convencional de seis marchas.
Além disso, a Hyundai aproveitou para finalmente colocar a versão Action no ano/modelo 2027. Quando praticamente toda a família havia sido atualizada em fevereiro para a nova linha, justamente a opção mais barata continuou como 2026. Agora ela acompanha Comfort, Limited, Platinum, Ultimate e N Line.

Naquela ocasião, apenas as versões com motor 1.6 TGDi sofreram redução de potência, com a versão N Line também recebendo o motor de maior litragem e flex. Agora, embora as outras versões permanecam sem mudanças no ano/modelo, elas receberam diminuição de potência devido ao IPI.
Creta perde 5 cv para escapar de mais IPI
Desde a mudança na tributação dos automóveis, a potência passou a ter participação direta na conta do IPI Verde, criado dentro das regras do programa Mover. Para os automóveis de passageiros, a alíquota parte de uma base de 6,3%.

A partir daí, o percentual pode subir ou cair conforme uma série de características do veículo, como tipo de propulsão, eficiência energética, potência, segurança estrutural e tecnologias de assistência, além da reciclabilidade. É justamente a parte da potência que interessa ao Creta.
Pela tabela atual, um automóvel com até 85 kW, equivalentes a cerca de 115,6 cv, não recebe acréscimo de IPI nesse critério. Porém, quando passa dos 85 kW e permanece até 105 kW (142,7 cv), entra um adicional de 0,75 ponto percentual. Por isso fácil de entender porque diversos fabricantes vêm reduzindo a potência de seus carros.

Com 120 cv, o motor entregava aproximadamente 88 kW e ultrapassava o primeiro limite. Agora, com 115 cv, fica abaixo dos 85 kW e deixa de carregar aqueles 0,75 ponto percentual adicionais referentes à potência. Olhando um carro obviamente é pouco. Só que, quando isso se multiplica por milhares de unidades produzidas todos os meses, qualquer fração de imposto começa a ser bastante dinheiro.
Além disso, a montadora consegue reduzir essa carga sem precisar fazer uma mudança mecânica profunda, já que estamos basicamente diante de uma nova calibração.
E o torque? Continua igual

O Creta continua entregando 17,5 kgfm de torque a partir de 1.500 rpm, independentemente de usar gasolina ou etanol, já que o torque não entra nesse cálculo de potência do IPI. Então a Hyundai não precisava mexer nele para conseguir o enquadramento tributário.
Ainda assim, existe uma pequena diferença no desempenho. No Creta Action, por exemplo, o 0 a 100 km/h passa de 11,6 para 11,8 segundos, enquanto a velocidade máxima recua de 180 para 176 km/h.
Hyundai não é a única fazendo isso

Aliás, o Creta apenas entra numa tendência que vem se espalhando pelo mercado brasileiro. Com a potência agora participando diretamente do cálculo do IPI, diferentes fabricantes passaram a recalibrar motores para encaixá-los exatamente abaixo das faixas que aumentariam a tributação.
Chevrolet, Volkswagen e Stellantis fizeram o mesmo em diferentes produtos. A Hyundai já havia também antecipado essa estratégia no i20, que chegou ao Brasil com o 1.0 TGDI já calibrado para 115 cv.
Creta 1.6 turbo já tinha passado pela mesma dieta

Inclusive, dentro do próprio Creta isso já havia acontecido antes. Quando a Hyundai atualizou o SUV para o ano/modelo 2027, em fevereiro, também alterou o motor 1.6 TGDI de 193 cv para os atuais 173/176 cv (gasolina/etanol), além de virar flex.
Enquanto o torque permaneceu em 27 kgfm. Ultimate e N Line utilizam esse conjunto com câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas. Os antigos 193 cv equivalem a aproximadamente 142 kW. Dessa forma, o motor entrava na faixa de até 165 kW, que adiciona 3 pontos percentuais por potência.

Com os atuais 176 cv, a potência máxima fica próxima de 129,5 kW. Portanto, cai para a faixa de até 132 kW, cujo acréscimo é de 1,5 ponto percentual.
Action finalmente vira 2027
A Action também precisa de uma explicação à parte porque ela era uma espécie de exceção dentro da família. Quando o Creta 2027 apareceu em fevereiro, Comfort, Limited, Platinum, Ultimate e N Line já migraram para o novo ano-modelo. A Action, por outro lado, voltou ao catálogo como modelo/ano 2026. Agora a Hyundai acertou essa conta.

Além de se tornar 2027, a versão também recebe o mesmo 1.0 turbo de 115 cv das configurações superiores com essa motorização. De resto, a proposta continua sendo de um Creta mais simples e barato.
Preços do Hyundai Creta 2027 não mudaram
Apesar da recalibração, a Hyundai manteve os preços públicos sugeridos que já praticava nas demais versões da linha 2027. O Creta Action continua abrindo a gama por R$ 119.990, direcionada ao público PcD.
A tabela fica assim:
- Creta Action 1.0 TGDI AT6: R$ 119.990
- Creta Comfort 1.0 TGDI AT6: R$ 156.590
- Creta Limited 1.0 TGDI AT6: R$ 173.390
- Creta Platinum 1.0 TGDI AT6: R$ 188.990
- Creta Ultimate 1.6 TGDI DCT: R$ 201.590
- Creta N Line 1.6 TGDI DCT: R$ 206.990
*Os valores são os preços públicos de tabela
E, diante dos 5 cv a menos, você deixaria de comprar um Creta? Deixe seu comentário!


