As fabricantes chinesas vêm obrigando as marcas tradicionais a correr cada vez mais para não ficarem para trás, seja em preço, tecnologia ou motorização. E a Hyundai está no meio dessa mudança, com a parceria da Chevrolet, novos carros nacionais e uma reorganização completa da linha. E um dos modelos que mais mudará nos próximos anos será o Creta, que chegará à terceira geração em 2028 bem diferente.
De acordo com apuração da Autoesporte, o novo Hyundai Creta será lançado no Brasil no primeiro semestre de 2028 com um sistema híbrido pleno de alta tensão e motor flex. Será justamente um dos frutos dos R$ 5,5 bilhões que a Hyundai prometeu investir no país até 2032.
Como o próprio Auto+ já havia antecipado, a próxima geração também marcará a unificação dos projetos de Creta e Kona. Os dois SUVs deixarão de ter caminhos separados e passarão a nascer de uma mesma estrutura global, com adaptações de visual, motorização e equipamentos dependendo do mercado. Assim, o Creta brasileiro continuará sendo Creta. Só que será um carro muito mais próximo do Kona que conhecemos lá fora.
Primeiro veio o i20

Para entender onde o Creta entra nessa estratégia, é preciso olhar para aquilo que a Hyundai já começou a fazer em Piracicaba (SP). O primeiro passo foi o lançamento do i20 neste ano. O hatch inaugurou por aqui uma nova geração de produtos mais modernos da marca e passou a ocupar justamente aquele espaço que existia entre o HB20 e o Creta.
Além disso, sua arquitetura será importante para praticamente tudo que a Hyundai prepara nos próximos anos. A base é a K3, arquitetura modular do Grupo Hyundai-Kia que servirá para diferentes tipos de carrocerias e motorizações.

O próximo passo será o Hyundai Bayon, previsto para 2027 e já em desenvolvimento para o mercado brasileiro. Ele ficará abaixo do Creta e entrará justamente naquela briga dos SUVs menores, contra Volkswagen Tera, Renault Kardian, Fiat Pulse, Chevrolet Sonic e Jeep Avenger. Nesse caso, porém, a estratégia ainda será relativamente simples.
O Bayon deverá estrear com o mesmo motor 1.0 turbo flex de três cilindros e injeção direta utilizado pelo i20, com 115 cv e 17,5 kgfm, sempre acompanhado do câmbio automático de seis marchas. Ou seja, pelo menos inicialmente, nada de eletrificação.

Só depois disso vem a grande mudança. Em 2027, a Hyundai deverá revelar globalmente a terceira geração do Creta. O Brasil, entretanto, ficará para o primeiro semestre de 2028.
Lá fora, o projeto é conhecido pelo código SX3k, enquanto a especificação brasileira aparece internamente como SX3b. A atual geração, só por curiosidade, usa o código SX2. Desta forma, é aqui que vemos que aquela sequência i20, Bayon e Creta fazem uma escada bem mais organizada.
O Creta vai crescer para deixar espaço ao Bayon

Hoje, o Creta mede 4,33 metros de comprimento e continua disputando diretamente o coração do segmento de SUVs compactos. Só que essa posição ficaria apertada com a chegada do Bayon.
Por isso, a terceira geração deverá crescer e assumir uma proposta mais sofisticada, sendo mais um SUV médio de entrada como vemos no Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. Por isso, devemos esperar algo da nova geração do Creta com base de 4,40 m de comprimento.

Com isso, a organização da gama fica com i20 sendo o hatch mais sofisticado, embora consiga roubar compradores dos SUVs compactos. O Bayon assume de vez o papel de SUV compacto. E o Creta cresce para brigar em uma faixa superior, com mais espaço, acabamento e tecnologia. Assim, entra também o sistema híbrido.
Creta será híbrido de verdade
A Hyundai não pretende levar no Creta a mesma receita de eletrificação leve que outras marcas vêm fazendo, como a Stellantis com o sistema MHEV de 12/48 volts e que a Volkswagen adotará. A sul-coreana seguirá de vez com o sistema híbrido pleno (HEV), sem recarga externa como os plug-in.

De acordo com o site, uma das possibilidades estudadas é utilizar a nova geração do sistema híbrido TMED-II, já preparada pelo Grupo Hyundai para seus próximos produtos. Nesse conjunto, o motor 1.6 Smartstream TGDI turbo trabalha em conjunto com dois motores elétricos.
E esse 1.6 não é estranho para nós. É justamente da mesma família do propulsor utilizado atualmente pelo Creta Ultimate. No futuro conjunto híbrido, um dos motores elétricos atua como gerador e fica ligado ao virabrequim do motor a combustão. Além de assumir funções de partida e geração de energia, essa solução ajuda a reduzir perdas mecânicas.

O segundo motor elétrico fica integrado à transmissão automática de seis marchas e participa diretamente da tração das rodas. Dependendo da aplicação, esse sistema trabalha com potência combinada entre 230 cv e 245 cv. Diante disso, a diferença para o atual Creta seria enorme.
Hoje, a configuração mais potente utiliza o 1.6 turbo de 173/176 cv. Com um sistema híbrido dessa nova geração, o SUV poderia ganhar mais potência e, principalmente, melhorar bastante sua eficiência urbana.

Além disso, a nova geração deverá continuar oferecendo versões exclusivamente a combustão nas configurações mais acessíveis com motor 1.6. Nesse caso, o 1.0 turbo flex que conhecemos atualmente no Creta desaparecerá e ficará somente nos modelos menores.
Ainda não sabemos qual híbrido o Brasil receberá
A Hyundai ainda pode não ter fechado qual configuração será colocado no Creta brasileiro. Uma possibilidade é justamente trazer essa geração mais moderna do TMED-II, com motor 1.6 turbo. A outra seria colocar uma evolução de um sistema híbrido mais simples do Kona, que é aspirado.

O Kona Hybrid vendido hoje no Brasil utiliza um motor 1.6 aspirado de injeção direta combinado a um elétrico, entregando 141 cv e 27 kgfm de torque. É um conjunto extremamente voltado para eficiência, não para desempenho.
No novo Creta, entretanto, a tendência é que a Hyundai procure algo mais potente, principalmente porque o SUV crescerá, ficará mais pesado e subirá de posicionamento.
E o Kona, então?

É a nova geração do Creta que deverá encerrar aquela separação que existe hoje entre os dois SUVs. Atualmente, o Kona vendido no Brasil mede 4,35 metros. Ou seja, curiosamente, ele já tem praticamente o mesmo comprimento do Creta atual.
Só que os dois foram desenvolvidos como projetos independentes. Todavia, isso vai acabar. A próxima geração será praticamente uma mesma família global, que poderá assumir o nome Kona em determinados mercados e Creta em outros.

O Brasil deverá preservar Creta justamente porque o nome já possui uma força comercial enorme por aqui. Com isso, o Kona como conhecemos atualmente tende a desaparecer da estratégia brasileira quando essa nova geração chegar.
E a Chevrolet entra onde nessa história?
A Hyundai e a General Motors já confirmaram uma parceria global para desenvolver novos veículos em conjunto para mercados como a América Latina. No caso dos compactos, as duas empresas poderão compartilhar plataformas, componentes e até sistemas de propulsão, enquanto cada marca ficará responsável por criar visual e identidade próprios.

E o Brasil será um dos principais laboratórios dessa estratégia. O Auto+ já havia mostrado que as próximas gerações de Creta e Tracker deverão utilizar a mesma arquitetura K3. Isso não significa que um será simplesmente uma versão do outro.
Com isso, a Chevrolet e Hyundai continuarão desenvolvendo carrocerias, interiores, calibrações e posicionamentos próprios. Porém, dividir uma mesma base técnica reduz custos e acelera justamente o desenvolvimento dessas novas tecnologias.

Além disso, essa sinergia pode chegar também aos motores. Por isso, uma versão do sistema híbrido flex desenvolvido pela Hyundai pode ser uma possibilidade lógica para futuros produtos da Chevrolet, como a próxima geração do Tracker. Entretanto, nada confirmado também que ambos usarão exatamente o mesmo conjunto de 230 ou 245 cv.
Você prefere o Creta atual como SUV compacto ou acha que ele deve crescer e virar um híbrido? Deixe seu comentário!


