Mesmo não mudando a vida de muitos devido ao seu nicho de R$ 619.900, mas com grande lamentação, a Mercedes-AMG anunciou a despedida do A 45 S AMG com a série de despedida apelidada de Final Edition, que coloca um ponto-final na carreira do hot hatch mais brutal de sua geração.
Enquanto o Classe A convencional continuará vivo, a sua versão AMG de 421 cv teve o fim decretado devido às regras mais rígidas de emissões do Euro 7, em que o motor M139 não atende integralmente às novas exigências.
Nesse caso, adequar o conjunto custaria caro e poderia ter que fazer mudanças capazes de alterar justamente aquilo que tornou o carro especial. A Mercedes, então, preferiu encerrar a vida do hot hatch que estreou em 2013. Assim, o A 45 S deixa o mercado sem perder potência, sem virar híbrido e sem receber uma versão domesticada.
Final Edition mantém a receita original

A Mercedes-AMG não mexeu na mecânica do A45 S Final Edition, portanto o hatch mantém o 2.0 turbo com 421 cv e 51 kgfm. O câmbio automatizado de dupla embreagem tem oito marchas, enquanto a tração integral distribui a força entre os dois eixos. Assim, o modelo acelera de zero a 100 km/h em 3,9 segundos.A velocidade máxima fica limitada eletronicamente a 270 km/h.
A despedida pode receber pintura cinza fosca ou preta, maçanetas escurecidas e rodas forjadas de 19 polegadas. Os detalhes amarelos aparecem na carroceria, nas rodas e no interior. Além disso, o pacote aerodinâmico adiciona splitter dianteiro, apêndices laterais, aerofólio maior e difusor traseiro. Uma inscrição 45 S também ocupa boa parte das portas.

Por dentro, os bancos AMG Performance misturam revestimento sintético e microfibra, com costuras amarelas. O console central recebe uma placa específica da Final Edition.
O que o Euro 7 muda?
O Euro 7 reúne as próximas regras de emissões para veículos vendidos na União Europeia. A norma começa a valer no dia 29 de novembro de 2026 para novos projetos que serão comercializados no bloco europeu.

Para carros de passeio, os limites de gases do escapamento permanecem próximos aos atuais do Euro 6. Porém, a norma aumenta o controle sobre partículas sólidas, emissões dos freios, desgaste dos pneus e durabilidade dos sistemas.
Além disso, o veículo precisa manter esse desempenho ambiental durante uma parcela maior de sua vida útil. Portanto, não basta só funcionar na hora dos testes de homologação.
No Brasil, também temos nossas exigências de emissões — o chamado Proconve, atualmente em sua fase L8. O programa controla emissões de poluentes e ruídos. E mesmo que o A 45 S esteja homologado no Proconve L8, isso não justifica a sua permanência em um mercado tão insignificante para o hot hatch.

Por isso, como ele é fabricado em Kecskemét, na Hungria, a expectativa é que ele saia de linha em breve do Brasil. Aqui, o modelo de entrada AMG da Mercedes aparece praticamente por R$ 620 mil no configurador da marca. No entanto, sua importação deve terminar conforme os estoques globais desapareçam.
A Mercedes-Benz não confirmou a Final Edition para o Brasil e a expectativa é que não vejamos essa edição por aqui, nem em outros países. Apenas restrito ao mercado europeu. Enquanto isso, a produção do Classe A convencional saiu de Rastatt, na Alemanha, e migrou para Kecskemét, na Hungria, no segundo trimestre de 2026. Isso permite que as versões convencionais fiquem por mais tempo.
Motor de 421 cv chegou ao limite

O problema do M139 não está apenas no tamanho ou na potência, mas na exigência necessária para alcançar esses números. O 2.0 turbo trabalha com elevada pressão, muita carga térmica e calibração agressiva. Ao mesmo tempo, ele precisa entregar respostas rápidas e suportar uso cotidiano com garantia de fábrica.
Para enquadrá-lo nas próximas regras, a fabricante poderia rever turbocompressor, injeção, escape, catalisadores e gerenciamento eletrônico. Contudo, isso elevaria os custos e que também não poderia justificar devido a demanda do modelo.
O próximo AMG compacto será diferente

Por enquanto, a Mercedes-AMG não mostrou um substituto direto para o A 45 S com motor a combustão. A nova arquitetura MMA já sustenta a geração mais recente do CLA, oferecida com versões híbridas e elétricas. Além disso, a AMG apresentou um CLA 45 elétrico com três motores e 680 cv.
Esse modelo pode antecipar o futuro Classe A AMG da Mercedes, embora a fabricante de Viena não tenha confirmado nada sobre o futuro do hatch.
Mercedes-AMG A 45 S nasceu para exagerar

A história do A45 começou em 2013, quando a primeira geração apareceu sobre o Classe A W176. Naquele caso, extrair 360 cv de um motor 2.0 turbo parecia uma provocação que abriu uma nova categoria dentro dos hot hatches.
O resultado não tinha a delicadeza de um Honda Civic Type R, tampouco tentava oferecer essa experiência. Em 2015, a reestilização elevou a potência para 381 cv, enquanto o torque chegou aos 47,5 kgfm. Com isso, o hatch acelerava de zero a 100 km/h em 4,2 segundos.

A segunda geração, identificada pelo código W177, apareceu em 2019, e foi nesse momento que nasceu a versão A 45 S. O novo motor M139 manteve os quatro cilindros e os 2.0 chegaram aos 421 cv e 51 kgfm.
Além disso, o sistema integral ganhou distribuição variável de torque no eixo traseiro. Esse conjunto permitiu até um modo Drift, algo bastante coerente para um Classe A completamente incoerente.

No fim de 2022, a Mercedes apresentou a atualização visual da linha, que chegou ao Brasil em 2023. O pacote teve mudanças nos faróis, nas rodas, no interior e no sistema multimídia MBUX. A mecânica, felizmente, ficou intocada.
Você teria um Mercedes-AMG A 45 S ou escolheria um esportivo mais tradicional pelo mesmo preço? Deixe seu comentário!


