As fabricantes chinesas chegaram em peso ao Brasil. Só em 2025 tivemos oito montadoras chinesas desembarcando por aqui, enquanto 2026 deve trazer pelo menos mais seis marcas. Muitas irão se estruturar? Difícil responder, pois o espaço está cada vez mais apertado. Nesse cenário competitivo, a Omoda & Jaecoo aparece com um plano para ficar.
O Auto+ teve acesso às informações do que a montadora planeja em terras tupiniquins e montou um verdadeiro quebra-cabeça do que devemos esperar, com base nas falas de Shawn Xu, CEO global da marca, e principalmente do Dr. Yunfei Luan, diretor e chefe de powertrain da Chery Internacional, que entregou as pistas mais importantes sobre o futuro da operação no Brasil.
Fábrica no Brasil já está decidida, só falta o anúncio
A O&J já bateu o martelo sobre ter uma fábrica no Brasil. O mistério agora é apenas o local, embora já tenhamos ideia onde será, como apurou o jornalista Jorge Moraes, da CNN.

Perguntei diretamente ao Mr. Xu sobre os rumores envolvendo a planta de Itatiaia, no Rio de Janeiro, fábrica da Jaguar Land Rover. A resposta não confirmou o local, mas deixou claro que o projeto já existe:
“Já começamos a estudar diferentes opções de fábrica. Fábrica corporativa, construir por conta própria ou comprar por conta própria. Mas eu ainda não posso dizer exatamente para vocês, porque ainda está sob questões confidenciais. Mas, com certeza, teremos uma fábrica”, disse o executivo.
Ou seja, a decisão está tomada. Antes, a planta da Chery em Jacareí era considerada, porém a estrutura comprometida e o cenário sindical travaram o avanço.
Produção já no ano que vem
O ponto mais agressivo do plano está no prazo, pois a fabricante de Wuhu não quer esperar anos para começar a operar. O próprio Mr. Xu deixou isso claro ao falar sobre o início das atividades:
“No início do ano que vem, podemos começar a produzir.”
E ele foi além, ao dizer que a estrutura pode estar pronta ainda este ano:
“Neste ano, podemos finalizar a fábrica, pois precisamos de uma fábrica no Brasil. Isso vai acontecer muito em breve.”
Em outras palavras, construir uma fábrica do zero em menos de um ano é praticamente inviável, pois envolve terraplanagem, infraestrutura, fornecedores, logística e validação industrial. Ou seja, tudo indica que a O&J deve aproveitar uma estrutura já existente, o que reforça ainda mais os rumores da planta no RJ.
Motor 1.5 turbo flex é um dos planos
Se a fábrica explica onde os carros serão fabricados, o motor explica como eles vão funcionar no Brasil. Durante a nossa conversa com o Dr. Yunfei Luan, chefe de powertrain da Chery, recebemos informação dos propulsores que teremos para o mercado brasileiro e prazos.
![motor Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/05/omoda-5-prestige-18-1320x743.webp)
Ele falou primeiramente de um motor novo 1.5 turbo flex de injeção indireta da família G4T15, de quarta geração, que será combinado ao câmbio DCT260 de dupla embreagem banhada a óleo. Esse propulsor será exclusivo para carros sem eletrificação.
“Vamos chegar à produção desse motor 1.5 flex no fim deste ano. Então, no começo do ano que vem vocês verão. Depois leva algum tempo para certificação, marketing e lançamento.”
Ou seja, o motor fica pronto no fim deste ano e irá aparecer nos carros no início de 2027, exatamente no mesmo timing da produção local comentada pelo Mr. Xu. Além disso, foi indicado que os carros já sairão da planta flex.
![Jaecoo 5 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/04/jaecoo_523.webp)
O Dr. Yunfei Luan ainda nos forneceu detalhes desse novo propulsor, que bem provável estará presente no Omoda 4 na versão somente a combustão e também do Jaecoo 5, como apurou o Auto+. Ele irá entregar 143 cv e 23 kgfm.
Novo 1.5 híbrido flex aposta em eficiência e eletrificação
Além do propulsor a combustão somente para carros com motor a combustão interna (ICE), a marca desenvolve um novo 1.5 turbo flex de quinta geração, do código H4T15, voltado exclusivamente para veículos híbridos.

E aqui teremos mudanças da gama atual. O Omoda 5 atual utiliza o propulsor 1.5 turbo a gasolina pertencente ao código H4J15. No entanto, quando o conjunto motriz virar flex para todos os modelos, ele irá abandonar a injeção direta para ter injeção indireta, justamente para lidar melhor com o etanol.
Por isso, ele vai perder um pouco de potência, saindo dos presentes 135 cv para proporcionar 122 cv e 21,4 kgfm. Porém, ele continuará a trabalhar com o sistema elétrico ligado à bateria de 1,8 kWh de 217 cv e 30,5 kgfm.

Com isso, o conjunto deverá manter os 224 cv e 30,1 kgfm, mesmo com a mudança na base do motor a combustão. O que sabemos é que trabalhará com a transmissão DHT 160. Esse conjunto deve equipar versões híbridas do Omoda 4, Omoda 5 e do Jaecoo 5.
Aplicações também em modelos maiores
Esse mesmo sistema também estará presente nos SUVs médios que usam a mesma litragem 1.5 turbo, como é o caso do Jaecoo 7 e Omoda 7. É o que pelo menos afirmou o diretor, dizendo que, a partir da instauração dessa tecnologia nos primeiros carros, não pretendem lançar mais carros somente a gasolina:
“A partir daí, só vamos fazer carros flex fuel, exceto os elétricos.”
No caso dos modelos maiores, como se trata de carros híbridos plug-in com bateria maior de 18,3 kWh, eles deverão continuar a entregar 275 cv e 36,7 kgfm.
Produção vai priorizar modelos de volume

Apesar de toda essa estrutura, ainda não há confirmação de quais modelos serão os primeiros produzidos no Brasil. Quando questionado sobre isso, Mr. Xu disse:
“Produtos de alto volume são nossa primeira prioridade para produção no Brasil. Podemos incluir todos os modelos, incluindo o Jaecoo 5.”
Ou seja, podemos esperar todos os modelos da marca. Em um cenário mais conservador, a expectativa inicial recai sobre Omoda 4, Omoda 5 e Jaecoo 5.

Vale reforçar que esses novos motores, mesmo que ofereçam a mesma litragem 1.5 com turbocompressor, não têm relação com os 1.5 turbo usados hoje nos Caoa Chery Tiggo 5x e 7. Lá estamos falando da segunda geração.
No caso da Omoda & Jaecoo, estamos falando de motorizações mais modernas, de quarta geração para os modelos sem eletrificação e quinta geração para os veículos que utilizarão algum nível de bateria.
Mais de 10 carros estão no plano da marca

Por fim, Dr. Yunfei Luan nos deu ainda informação do volume de lançamentos para o Brasil. O diretor deixou claro que não se trata de poucos modelos, mas de uma ofensiva completa:
“Temos mais de 10 veículos chegando. Isso envolve HEV, PHEV e também motores a combustão (ICE).”
Isso significa que a Omoda & Jaecoo não aposta em uma única tecnologia, mas em uma arquitetura flexível. Um mesmo carro pode ter versões a combustão, híbridas ou eletrificadas, como é esperado para o Omoda 4 e Jaecoo 5, por exemplo.
Quando questionado sobre prazos mais longos, como 2027 ou 2028, Luan corrigiu a expectativa:
“Não, não, não, todos esses chegam no ano que vem.”
Motor 1.6 turbo previsto também para 2027

Além dos motores 1.5 já detalhados, o diretor executivo ainda nos deu detalhes de propulsores que veremos ano que vem em alguns carros da marca, obviamente sem citar nomes. No slide abaixo, esses três conjuntos (código do motor + código de transmissão) estarão no Brasil em 2027, segundo o diretor.
Um dos pontos que não houve detalhamento, mas apareceu no slide, é o veículo do centro. Trata-se de um modelo com motor 1.6 turbo da família F4J16C. Esse propulsor deve entregar cerca de 180 cv e 28 kgfm, sempre acoplado a um câmbio DCT de sete marchas, de dupla embreagem, com limite de 300 Nm.

Já sabemos que o modelo citado com esse conjunto não virá com sistema híbrido DHT, ou seja, trata-se de um powertrain puramente a combustão (ICE). Por isso, devemos vê-lo em algum SUV médio ou médio/grande.
Já trabalham em motores 2.0 e até 1.0 turbo
O Dr. Yunfei Luan comentou que há dois motores 2.0 turbo em desenvolvimento, voltados para veículos maiores, como um possível Jaecoo 8. E além disso, como já citado pelo Auto+, a marca também trabalha em um motor 1.0 turbo.
“Também temos dois motores 2.0 em desenvolvimento… e também vamos fazer um 1.0 para 2028.”
Esse cenário casa diretamente com o posicionamento de um futuro Omoda 2, que vai atuar como modelo de entrada, com cerca de 4,2 metros de comprimento, abaixo do Omoda 4.
E você, acha que a Omoda & Jaecoo está no caminho certo? Deixe seu comentário!




O verdadeiro motivo para a não utilização da fábrica de Jacareí é uma disputa comercial entre CAOA e Chery, onde como retaliação, a CAOA segue barrando o uso da fábrica de Jacareí, onde bastaria apenas a substituição do maquinário, ao invés de todo o investimento necessário para ampliar a fábrica da JLR em Itatiaia/RJ. Não tem nada de sindicato, nada de prefeitura. É a CAOA que segue inviabilizando o uso da fábrica de Jacareí.
Porém, nos próximos meses deve haver novidades sobre Jacareí. O prazo da notificação extrajudicial da Prefeitura de Jacareí para a Caoa e a Chery se encerra no fim de junho/26. Se não houver nenhum plano concreto de retomada de produção (existem conversas em andamento), terá início o processo de desapropriação, já que a área é doada e houve investimento público na infraestrutura do complexo, além dos incentivos fiscais.