A Omoda & Jaecoo prepara sua entrada no segmento mais disputado entre os carros elétricos no Brasil, justamente aquele dominado pelo BYD Dolphin Mini, Dolphin e Geely EX2. E um dos nomes mais cotados para essa missão é o novo Chery QQ, hatch que o Auto+ conheceu de perto durante uma viagem à China.
Chamado de QQ3 na China, o elétrico já está em testes no Brasil e, segundo fontes chinesas consultadas pela nossa reportagem, está “muito perto de chegar” ao mercado nacional. Entretanto, existe uma questão que pode mudar os planos da fabricante, principalmente quando falamos sobre a data de estreia e a possibilidade de produção brasileira.
Isso porque, durante uma entrevista com jornalistas brasileiros, Guibing Zhang, presidente da Chery International, deixou claro que o compacto precisa de uma operação industrial competitiva para fazer sentido no país. E, neste caso, simplesmente importar o carro pronto da China pode não ser a melhor alternativa.
QQ3 pode chegar em 2027, mas ainda existe uma indefinição

Até então, a principal informação sobre a chegada do novo QQ3 ao Brasil apontava para janeiro de 2027, conforme antecipou o jornalista João Anacleto. Além disso, o hatch já apareceu camuflado em testes de homologação pelas ruas brasileiras, como publicou o jornalista Renato Maia, do perfil Falando de Carro.
Por outro lado, a entrevista com Zhang mostrou que a decisão comercial ainda não está completamente fechada. O executivo reconheceu que o Brasil representa um mercado importante para carros pequenos, mas destacou a concorrência intensa e a necessidade de encontrar uma solução viável.
“Se nós simplesmente trouxermos o carro como CBU, ou seja, completamente importado, acredito que não será uma boa solução”, afirmou o presidente da Chery International.

Na sequência, Zhang explicou que a fabricante ainda não concluiu a decisão sobre a entrada do QQ3 no Brasil. “Precisamos encontrar uma boa maneira de introduzir esse carro no mercado. Principalmente se conseguirmos estabelecer uma produção local. Talvez, nesse caso, o lançamento desse veículo no mercado brasileiro faça sentido. Mas essas são questões que ainda não concluímos”, afirmou.
Com isso, existem dois caminhos possíveis. O primeiro seria lançar o hatch importado no começo de 2027 e posteriormente iniciar sua fabricação brasileira. Já o segundo envolveria adiar a estreia até que a marca consiga estruturar a produção nacional.
Nenhuma dessas possibilidades foi oficialmente confirmada, embora nossas fontes comentem a expectativa de que o elétrico chegue ao país já no próximo ano.
Novo QQ3 cresceu e tem tamanho para brigar com Dolphin e EX2

Esqueça aquele pequeno Chery QQ que conhecemos no Brasil. Apesar de resgatar um nome antigo, o novo hatch mudou completamente de proposta, tanto no tamanho quanto na plataforma e na motorização.
A terceira geração mede 4,19 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,57 m de altura e 2,70 m de entre-eixos. Desta forma, ele é maior que um Dolphin de 4,12 m e o EX2 de 4,13 m de comprimento. Com isso, ao entrar dentro do QQ na China, eu com meus 1,88 m de altura, me deparei com um ótimo espaço interno. Foram praticamente um palmo entre meu joelho e o banco da frente.
Além disso, o hatch tem 375 litros de porta-malas, mesma capacidade do Geely EX2, e ainda aproveita a ausência do motor a combustão para oferecer outros 70 litros sob o capô dianteiro. Com os bancos traseiros rebatidos, o compartimento principal chega a 1.450 litros.

No visual, a Chery seguiu uma receita que já aparece em outros compactos elétricos chineses, com carroceria arredondada, faróis retangulares de cantos suaves e superfícies bastante limpas. As maçanetas semiembutidas também acompanham essa proposta, enquanto a traseira tem lanternas mais arredondadas.
Interior tem bom espaço, mas acabamento ainda usa bastante plástico
Por dentro, o novo QQ3 segue o caminho dos elétricos mais recentes, com poucos botões físicos e praticamente todas as funções concentradas na central multimídia. Na configuração mais completa apresentada na China, a tela principal tem 15,6 polegadas, enquanto o quadro de instrumentos digital mede 8,8 polegadas.
Já durante nosso contato na dianteira, a ergonomia se apresentou bem resolvida, além de um console central elevado que não compromete a sensação de espaço. O acabamento, entretanto, não tenta esconder a proposta de um carro mais acessível.

Tanto a parte superior do painel quanto as portas tem bastante plástico rígido, embora os materiais aparentem boa qualidade, com encaixes bem executados e uma construção que transmite solidez.
Além disso, o hatch vendido na China oferece nessa versão topo bancos dianteiros com aquecimento e ventilação, ajustes elétricos, carregador de celular por indução de 50 watts e saídas de ar traseiras. Há ainda câmera de visão 540 graus, estacionamento automático e assistentes de condução.
Motor elétrico mais potente que Geely EX2
O novo QQ3 usa uma plataforma dedicada a veículos elétricos, com motor instalado no eixo traseiro, algo que também encontramos no Geely EX2. Além disso, a suspensão independente do tipo multilink na traseira é outro detalhe interessante para um hatch dessa faixa, assim como o Dolphin SE e o EX2.

Na China, existem duas configurações de motorização. A primeira trabalha com 79 cv e bateria de 29,4 kWh, suficiente para percorrer 310 km no ciclo chinês CLTC. Entretanto, a versão mais cotada para o Brasil é justamente a mais potente, que gera 123 cv e 11,7 kgfm de torque. Neste caso, a bateria de fosfato de ferro-lítio possui 41,2 kWh.
A autonomia declarada é de 420 km pelo ciclo chinês CLTC, mas esse número cai na homologação do Inmetro mais rigoroso. Por isso, devemos esperar em torno dos 320 km pela homologação brasileira. Outra característica interessante é a capacidade de recarga rápida, que permite recuperar de 30% a 80% da bateria em torno de 16,5 minutos, segundo a Chery.
Produção no Brasil pode definir o futuro do QQ3
A maior dificuldade para a chegada do hatch parece ser nessa estratégia comercial que a Omoda & Jaecoo pretende adotar. Vale lembrar que a fabricante já negocia uma possível operação industrial no Brasil, com a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ).

O Auto+ apurou recentemente que o início da produção nacional, antes esperado para o começo de 2027, pode ficar para o segundo semestre. Entretanto, a empresa ainda não oficializou a compra da unidade, tampouco disse quais veículos serão fabricados por aqui.
No caso do QQ3, essa definição é extremamente válida, visto que ele entrará em uma categoria que poucos milhares de reais podem determinar a escolha do consumidor. Afinal, o BYD Dolphin Mini já tem fabricação na Bahia, enquanto a Geely anunciou a produção do EX2 no Paraná
QQ3, Omoda QQ ou apenas Q?
Outra questão é o nome que o hatch poderá ter no mercado brasileiro. Na China, ele se chama Chery QQ3, resgatando uma denominação bem conhecido entre os brasileiros. O QQ, quando era vendido pela Caoa Chery ficou bem conhecido no país quando deu as caras em 2011 como um carro extremamente acessível mas frágil pelas condições regionais.

Ele passou por duas gerações, até sair de linha em 2019, quando a Caoa Chery encerrou sua produção na fábrica de Jacareí (SP). Entretanto, aquele modelo tinha uma proposta completamente diferente.
O problema é que a denominação QQ também está ligada à operação brasileira da Caoa Chery, que trabalha totalmente separada da Omoda & Jaecoo. Por isso, existe a possibilidade de o novo elétrico adotar outro nome para evitar eventuais conflitos comerciais e jurídicos.
Inclusive, a própria Chery já usa apenas a letra Q para identificar o hatch em alguns mercados internacionais. Desta forma, o modelo poderia chegar como Omoda Q ou até adotar uma denominação diferente.
E você, acha que o novo QQ3 terá espaço para enfrentar o BYD Dolphin e o Geely EX2 no Brasil? Comente abaixo sua opinião!


