Toda montadora que chega ao Brasil, principalmente as chinesas, precisa em algum momento pensar em desenvolver motores flex. Afinal, o etanol faz parte da realidade do nosso mercado há décadas. E, embora pareça simples adaptar um motor, o trabalho recebe muitas mudanças nos componentes. A Omoda & Jaecoo conhece bem esse desafio e já trabalha nessa tecnologia.
O Auto+ acompanha esse desenvolvimento desde abril, quando estivemos no centro de pesquisa e desenvolvimento da Chery, em Wuhu, na China, e tivemos acesso aos detalhes dos motores flex. Agora, numa nova viagem à China, tivemos uma entrevista com Guibing Zhang, presidente da Chery International, que voltou a confirmar a chegada dos primeiros modelos híbridos flex no primeiro semestre de 2027.
Chery prepara vários modelos flex para 2027
Durante a conversa com jornalistas brasileiros, Zhang reconheceu a importância de adaptar os carros às características do nosso mercado e explicou que a Chery já trabalha com uma família completa de motores capazes de utilizar gasolina e etanol.
![motor Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/05/omoda-5-prestige-18-1320x743.webp)
“Eu sei que o mercado brasileiro precisa da tecnologia flex fuel. A Chery já desenvolveu uma linha completa de produtos com tecnologia flex fuel”, afirmou o presidente da Chery International.
Segundo o executivo, o planejamento prevê três modelos com a tecnologia na primeira etapa de 2027, com novos lançamentos ao longo dos meses seguintes. A expectativa apresentada para o Brasil é que os primeiros cheguem ainda no primeiro semestre.

“Depois, aproximadamente dois meses mais tarde, vamos lançar o quarto modelo com tecnologia flex fuel”, acrescentou Zhang, que também mencionou a ampliação da família até agosto de 2027.
Ou seja, a estratégia não se limita a colocar etanol em apenas um carro de início. A Chery quer ampliar gradualmente essa tecnologia entre suas marcas. E além da Omoda & Jaecco, como já informamos, os SUVs da Lepas, conforme a marca, já chegará ao mercado com sistema flex.
Omoda 4 não deverá ser o primeiro híbrido flex

Embora o Omoda 4 seja um dos lançamentos mais importantes da fabricante para o Brasil, ele não deverá estrear essa nova tecnologia por aqui, ao menos considerando o cronograma mais recente ao qual o Auto+ teve acesso.
Isso porque o novo SUV compacto tem previsão de lançamento apenas para o segundo semestre de 2027, como a própria Omoda & Jaecoo já confirmou. Enquanto isso, os primeiros conjuntos flex estão previstos para a primeira metade do ano.

Com isso, outros modelos podem assumir esse papel, entre eles o Jaecoo 7, que usa um conjunto híbrido plug-in a gasolina, ou até uma futura atualização do Omoda 5, que trabalha com motorização híbrida plena. Por enquanto, contudo, a fabricante não revelou quais carros vão estrear o sistema.
Motores terão mudanças importantes por causa do etanol
Essa preparação também não é de agora. Vale lembrar que durante nossa viagem à China, em abril, conversamos com o Dr. Yunfei Luan, diretor e chefe de powertrain da Chery Internacional, que explicou justamente por que desenvolver um motor flex exige muito mais do que recalibrar a injeção de combustível. “Para nós, o flex fuel é mais desafiador. Mas estamos trabalhando nisso”, comentou o engenheiro.

O etanol apresenta características químicas diferentes da gasolina, principalmente pela maior afinidade com a água e pela possibilidade de provocar corrosão em determinados materiais. Por isso, bombas, mangueiras, vedações, injetores e outros componentes precisam suportar diferentes concentrações do combustível.
Além disso, a própria gasolina brasileira já possui uma parcela elevada de etanol anidro. E existe uma diferença importante entre desenvolver um motor para tolerar essa mistura e prepará-lo para funcionar com etanol hidratado puro.

Uma das mudanças mais interessantes antecipadas pela engenharia da Chery envolve a substituição da injeção direta pela indireta nos novos motores híbridos flex. Hoje, veículos como Omoda 5 e Jaecoo 7 utilizam motores 1.5 turbo com injeção direta, mas o novo conjunto terá uma solução diferente, principalmente para reduzir custos e simplificar a arquitetura de alimentação.
“Sem injeção direta neste aqui, mantemos o custo de produção mais baixo”, explicou o Dr. Luan na ocasião. Com isso, a injeção indireta trabalha com pressões menores e pulveriza o combustível antes das válvulas de admissão. Isso também pode ajudar a reduzir aqueles depósitos na admissão, limpando as borras do cabeçote ao longo prazo.
Fábrica brasileira continua nos planos, mas ainda sem definição

A chegada dos híbridos flex também faz parte de um planejamento maior da Chery, que pretende estabelecer uma operação industrial no Brasil para sustentar o crescimento da Omoda & Jaecoo e de suas outras marcas.
Durante a entrevista, Zhang voltou a destacar a importância de fabricar carros localmente, principalmente porque o mercado brasileiro exige produtos adaptados tanto ao combustível quanto ao comportamento dos consumidores.

“Acredito que, em primeiro lugar, precisamos estabelecer uma produção local. Acredito que o Brasil é um mercado grande”, afirmou o executivo.
Entretanto, o cronograma industrial ainda tem algumas indefinições. Conforme o Auto+ revelou recentemente, a fabricante aguardava o desenrolar do cenário político brasileiro, no caso as eleições de 2026, antes de avançar nas negociações envolvendo sua futura fábrica.

A antiga unidade da Jaguar Land Rover, em Itatiaia (RJ) continua como uma das principais possibilidades, mas a Chery ainda não confirmou oficialmente a aquisição ou a utilização da estrutura.
A expectativa é que uma definição mais concreta aconteça no início de 2027, com possibilidade de iniciar a produção nacional ainda no próximo ano, provavelmente a partir do segundo semestre. Contudo, não temos nenhuma confirmação oficial sobre a data ou os primeiros veículos que sairão dessa fábrica.
Chery também estuda picape
![Chery Stockman [Auto+ / Luiz Forelli]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/10/caminhonete-chery-rely-jaecoo-4.webp)
E a fabricação local pode abrir caminho para outros produtos que a Chery ainda estuda trazer ao Brasil. Um deles é uma picape com motorização híbrida plug-in a diesel — chamada de Chery Stockman — ela é cotada para o Brasil e pode futuramente ser produzida localmente.
De acordo com Zhang, existe interesse de colocar esse produto no país já em 2027, mas deixou claro que o projeto depende principalmente de conseguir um volume de vendas que justifique a operação.
![Chery Stockman [Auto+ / Luiz Forelli]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/10/caminhonete-chery-rely-jaecoo-17.webp)
“Minha expectativa é que possamos estabelecer uma fabricação local e, assim, trazer a picape para o mercado. Caso contrário, se o volume de vendas for muito pequeno, talvez o negócio não seja viável. Portanto, estou acompanhando os avanços mais recentes na questão da fabricação local”, explicou o presidente.
Chery QQ também é cotado e pode virar Omoda
Outro veículo em avaliação é o Chery QQ3, compacto elétrico que poderia disputar espaço com BYD Dolphin Mini/Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT, MG4 Urban, entre outros hatches, e já está sendo testado no Brasil. Nesse caso, o executivo não deu certeza sobre sua chegada ao Brasil devido ao preço de importação que pode complicar sua entrada no mercado. Por isso, a produção local seria uma alternativa para viabilizar o projeto.

“Se nós simplesmente trouxermos o carro como CBU, ou seja, completamente importado, acredito que não será uma boa solução. Portanto, ainda não finalizamos essa decisão. Precisamos encontrar uma boa maneira de introduzir esse carro no mercado. Principalmente se conseguirmos estabelecer uma produção local.”
Entretanto, segundo fontes do jornalista João Anacleto e cruzadas com uma fonte de apuração nossa na China, esse veículo está muito próximo de chegar ao Brasil, possivelmente no início de 2027. Por isso, não seria problema imaginar sua introdução no mercado e posteriormente sua montagem para não ficar atrasada em relação aos rivais.
E você, acredita que a chegada dos híbridos flex pode ajudar a Omoda & Jaecoo a conquistar mais espaço no Brasil? Deixe seu comentário!


