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Receita de sucesso

Avenger é o carro certo na hora certa, mas falta tempero Jeep | Impressões

Com um sabor bem europeu, visual chamativo e boa lista de equipamentos de série, o novo Jeep Avenger vai vender muito

8 min de leitura

O Jeep Avenger chega em um momento muito importante para a Jeep do Brasil. Em um cenário em que as marcas chinesas cada vez mais roubam seu mercado na categoria de Compass e Commander, ela resolveu apostar no degrau de entrada: o efervescente segmento de SUVs subcompactos.

A categoria dominada por Volkswagen Tera e também disputada por Renault Kardian, Chevrolet Sonic e Fiat Pulse, agora tem a entrada do modelo da Jeep, que tem potencial para brigar pela liderança. Mas não somente ele é um produto chave para a marca de SUVs, como também para a Stellantis.

Ele é o primeiro produto no Brasil de uma nova fase do grupo, na qual o lado FCA da Stellantis começa a usar bases oriundas da PSA. A plataforma é a CMP, a mesma do Peugeot 208 e que, em sua forma simplificada, dá vida aos modelos da Citroën com os quais o Avenger divide a fábrica. Futuramente, o Fiat Argo X também nascerá dessa base.

Jeep Avenger Limited amarelo parado de traseira com árvores ao fundo
Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

Com isso, o Jeep Avenger se coloca como um modelo que promete trazer volume de produção para Porto Real (RJ), ao mesmo tempo em que abre uma nova entrada para a Jeep. Ele busca um cliente completamente diferente do Renegade, e nesse texto isso vai ficar bem claro.

O que parece e o que é

Se visualmente o Jeep Avenger parece o filho do Renegade com o Compass, na prática ele é outra coisa. Isso porque a plataforma CMP trouxe a ele algumas proporções francesas. O interior, por exemplo, é apertado e faz com que o motorista precise dirigir mais baixo.

Diferentemente do Renegade que é um carro pequeno, mas que parece grande para dirigir, o Avenger é menor e parece igualmente pequeno. O teto é mais baixo, o banco fica mais perto do chão e centralizado, as colunas são bem inclinadas e isso faz com que o espaço interno não seja muito farto.

Eu, com 1,87 m de altura, consigo me acomodar bem, com plenos ajustes de banco e volante. Ele te convida a ter uma posição de condução mais deitada, onde as pernas precisam ficar mais esticadas, tal qual os braços, como em um hatch. Só não precisa o volante ficar colado nas pernas como ocorre nos modelos da Peugeot.

Essa característica, junto às dimensões mais contidas, fazem com que o espaço traseiro seja minúsculo. É impossível que algúem com a mesma estatura que eu se sente atrás sem fazer malabarismo. Surpreendentemente, o espaço para a cabeça é inversamente proporcional ao das pernas.

Espaço traseiro Jeep Avenger
Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

Já o porta-malas leva 321 litros, o que o coloca pouco acima da média de vários hatches compactos, mas em desvantagem perante outros SUVs subcompactos como Tera (350 litros), Kardian (410 litros), Sonic (392 litros) e até perde para seu primo Pulse (370 litros).

Acima do Renegade

Se em espaço, a coisa aperta para o Avenger, em acabamento ele é, definitivamente, o melhor da categoria. Ele conta com parte superior das portas dianteiras revestidas com material macio, assim como uma sessão intermediária do painel. Onde há plástico, é um material verdadeiramente bom.

A Jeep decidiu revestir os bancos, volante e parte das portas de vinil, não couro, que traz um aspécto barato e de qualidade inferior ao que se espera em um Jeep, sendo esse o único ponto de atenção. A montagem da cabine é esmerada, com encaixes bem feitos e sem rebarbas, além de um visual bem agradável.

Considerando o downgrade que o Renegade recebeu na reestilização, o Avenger se posiciona melhor que ele nesse quesito. Vantagem do novato também está no painel de instrumentos totalmente digital de qualidade melhor, mas menos funções. A central multimídia é relativamente pequena, mas muito rápida e fácil de usar.

Destaque ainda vai para o teto solar que ocupa a primeira metade do carro. Ele é um opcional de R$ 7.500 na versão Limited e de R$ 8.500 na Longitude por conta do Adventure Intelligence. 

Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

Sabor Peugeot

O uso da plataforma CMP trouxe ao Jeep Avenger algumas características Peugeot. Ele não é parrudo igual aos modelos feitos com a base Small Wide, como Renegade, Compass e Commander. Com isso, ele tem uma pegada mais europeia e dinâmica, seguindo a cartilha dos hatches.

Ainda dá para sentir que foi um carro calibrado para aguentar a porrada das nossas ruas esburacadas e cheias de valeta. Mas não é a mesma valentia dos irmãos. Isso deveria também se traduzir na dinâmica super apurada de curvas dos Peugeot 208 e 2008, mas o Avenger fica no meio do caminho entre eles e os Citroën.

Como a ideia é passar uma sensação de SUV, o modelo rola mais e inclina um pouco nas curvas, fazendo com que estradas sinuosas em alta velocidade não sejam muito o território dele. É um carro mais voltado ao conforto e comportamento previsível, bem do jeito que o brasileiro mais gosta.

A direção é muito bem calibrada, atuando de maneira rápida e adotando firmeza da variável de maneira nítida. Ele é muito fácil de manobrar, ao mesmo tempo em que, na estrada, a direção fica mais pesada, oferecendo uma segurança de condução. A estabilidade do modelo nessas horas chama atenção.

Jeep Avenger Limited amarelo parado de traseira com árvores ao fundo
Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

A receita Fiat

Debaixo do capô, o Jeep Avenger traz o mesmo motor 1.0 três cilindros turbo MHEV dos Fiat Pulse e Fastback, também encontrado nas versões de topo de Peugeot 208 e 2008. Só que no modelo de entrada da marca de SUVs ele perdeu potência, entregando agora 116 cv e 20,4 kgfm.

Na prática você vai sentir essa dieta? Não porque a Stellantis soube muito bem trabalhar o conjunto MHEV com o câmbio CVT. O Avenger é espertinho, apresentando uma boa agilidade em retomadas. Nas arrancadas, ele precisa de um pouco mais de paciência, mas é um comportamento coerente para um SUV 1.0 turbo.

Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

A transmissão é uma das grandes cerejas do bolo por saber trabalhar bem com o motor na faixa de torque ideal, além de reagir rápido ao pedal do acelerador. Quando precisa, simula marchas, quando a condução é mais tranquila, joga as rotações para baixo para gastar menos.

Destaque ainda para o Jeep Avenger no Brasil é a presença de sistema ADAS completo com ótima calibração, que serve até de exemplo para os SUVs maiores da Jeep. Outro ponto é a presença de faróis de LED Matrix na versão topo de linha Limited, algo de carros de mais de R$ 300.000.

Veredicto

O Jeep Avenger faz algo que nenhum outro SUV subcompacto fez até agora: ser um SUV de verdade, não um hatch altinho. Além disso, ele entrega acabamento mais sofisticado que seus rivais que se limitam a um mar de plásticos na cabine. Se é para ter status, ele é a escolha certa.

Agora, se você busca espaço interno ou vem de um Renegade, é melhor pensar duas vezes. O Avenger é pequeno na segunda fileira e passa a sensação de aperto até para o motorista. Além disso, aquela dirigibilidade parrudona de Jeep não aparece nele. Anda como um bom Peugeot. E isso não é uma crítica, muito pelo contrário. Só talvez não seja aquilo que você, atual dono de um Renegade, esperava. 

Jeep Avenger Limited amarelo parado de traseira com árvores ao fundo
Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

Ficha técnica: Jeep Avenger Limited

Preço: R$ 145.990

– Motor: 1.0 3 cilindros turbo MHEV

– Potência e torque: 116 cv e 20,4 kgfm

– Transmissão: CVT de 7 marchas simuladas

– 0 a 100 km/h: 10,3 segundos

– Tração: dianteira

– Medidas: 4,08 m de comprimento / 1,77 m de largura / 1,58 m de altura / 2,55 m de entre-eixos

– Porta-malas: 321 litros

– Altura livre do solo: 22,1 cm

– Consumo etanol: 8,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada

– Consumo gasolina: 12,7 km/ na cidade / 13,5 km/na estrada

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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