O Jeep Avenger chega em um momento muito importante para a Jeep do Brasil. Em um cenário em que as marcas chinesas cada vez mais roubam seu mercado na categoria de Compass e Commander, ela resolveu apostar no degrau de entrada: o efervescente segmento de SUVs subcompactos.
A categoria dominada por Volkswagen Tera e também disputada por Renault Kardian, Chevrolet Sonic e Fiat Pulse, agora tem a entrada do modelo da Jeep, que tem potencial para brigar pela liderança. Mas não somente ele é um produto chave para a marca de SUVs, como também para a Stellantis.
Ele é o primeiro produto no Brasil de uma nova fase do grupo, na qual o lado FCA da Stellantis começa a usar bases oriundas da PSA. A plataforma é a CMP, a mesma do Peugeot 208 e que, em sua forma simplificada, dá vida aos modelos da Citroën com os quais o Avenger divide a fábrica. Futuramente, o Fiat Argo X também nascerá dessa base.

Com isso, o Jeep Avenger se coloca como um modelo que promete trazer volume de produção para Porto Real (RJ), ao mesmo tempo em que abre uma nova entrada para a Jeep. Ele busca um cliente completamente diferente do Renegade, e nesse texto isso vai ficar bem claro.
O que parece e o que é
Se visualmente o Jeep Avenger parece o filho do Renegade com o Compass, na prática ele é outra coisa. Isso porque a plataforma CMP trouxe a ele algumas proporções francesas. O interior, por exemplo, é apertado e faz com que o motorista precise dirigir mais baixo.
Diferentemente do Renegade que é um carro pequeno, mas que parece grande para dirigir, o Avenger é menor e parece igualmente pequeno. O teto é mais baixo, o banco fica mais perto do chão e centralizado, as colunas são bem inclinadas e isso faz com que o espaço interno não seja muito farto.


Eu, com 1,87 m de altura, consigo me acomodar bem, com plenos ajustes de banco e volante. Ele te convida a ter uma posição de condução mais deitada, onde as pernas precisam ficar mais esticadas, tal qual os braços, como em um hatch. Só não precisa o volante ficar colado nas pernas como ocorre nos modelos da Peugeot.
Essa característica, junto às dimensões mais contidas, fazem com que o espaço traseiro seja minúsculo. É impossível que algúem com a mesma estatura que eu se sente atrás sem fazer malabarismo. Surpreendentemente, o espaço para a cabeça é inversamente proporcional ao das pernas.

Já o porta-malas leva 321 litros, o que o coloca pouco acima da média de vários hatches compactos, mas em desvantagem perante outros SUVs subcompactos como Tera (350 litros), Kardian (410 litros), Sonic (392 litros) e até perde para seu primo Pulse (370 litros).
Acima do Renegade
Se em espaço, a coisa aperta para o Avenger, em acabamento ele é, definitivamente, o melhor da categoria. Ele conta com parte superior das portas dianteiras revestidas com material macio, assim como uma sessão intermediária do painel. Onde há plástico, é um material verdadeiramente bom.
A Jeep decidiu revestir os bancos, volante e parte das portas de vinil, não couro, que traz um aspécto barato e de qualidade inferior ao que se espera em um Jeep, sendo esse o único ponto de atenção. A montagem da cabine é esmerada, com encaixes bem feitos e sem rebarbas, além de um visual bem agradável.


Considerando o downgrade que o Renegade recebeu na reestilização, o Avenger se posiciona melhor que ele nesse quesito. Vantagem do novato também está no painel de instrumentos totalmente digital de qualidade melhor, mas menos funções. A central multimídia é relativamente pequena, mas muito rápida e fácil de usar.
Destaque ainda vai para o teto solar que ocupa a primeira metade do carro. Ele é um opcional de R$ 7.500 na versão Limited e de R$ 8.500 na Longitude por conta do Adventure Intelligence.

Sabor Peugeot
O uso da plataforma CMP trouxe ao Jeep Avenger algumas características Peugeot. Ele não é parrudo igual aos modelos feitos com a base Small Wide, como Renegade, Compass e Commander. Com isso, ele tem uma pegada mais europeia e dinâmica, seguindo a cartilha dos hatches.
Ainda dá para sentir que foi um carro calibrado para aguentar a porrada das nossas ruas esburacadas e cheias de valeta. Mas não é a mesma valentia dos irmãos. Isso deveria também se traduzir na dinâmica super apurada de curvas dos Peugeot 208 e 2008, mas o Avenger fica no meio do caminho entre eles e os Citroën.


Como a ideia é passar uma sensação de SUV, o modelo rola mais e inclina um pouco nas curvas, fazendo com que estradas sinuosas em alta velocidade não sejam muito o território dele. É um carro mais voltado ao conforto e comportamento previsível, bem do jeito que o brasileiro mais gosta.
A direção é muito bem calibrada, atuando de maneira rápida e adotando firmeza da variável de maneira nítida. Ele é muito fácil de manobrar, ao mesmo tempo em que, na estrada, a direção fica mais pesada, oferecendo uma segurança de condução. A estabilidade do modelo nessas horas chama atenção.

A receita Fiat
Debaixo do capô, o Jeep Avenger traz o mesmo motor 1.0 três cilindros turbo MHEV dos Fiat Pulse e Fastback, também encontrado nas versões de topo de Peugeot 208 e 2008. Só que no modelo de entrada da marca de SUVs ele perdeu potência, entregando agora 116 cv e 20,4 kgfm.
Na prática você vai sentir essa dieta? Não porque a Stellantis soube muito bem trabalhar o conjunto MHEV com o câmbio CVT. O Avenger é espertinho, apresentando uma boa agilidade em retomadas. Nas arrancadas, ele precisa de um pouco mais de paciência, mas é um comportamento coerente para um SUV 1.0 turbo.

A transmissão é uma das grandes cerejas do bolo por saber trabalhar bem com o motor na faixa de torque ideal, além de reagir rápido ao pedal do acelerador. Quando precisa, simula marchas, quando a condução é mais tranquila, joga as rotações para baixo para gastar menos.
Destaque ainda para o Jeep Avenger no Brasil é a presença de sistema ADAS completo com ótima calibração, que serve até de exemplo para os SUVs maiores da Jeep. Outro ponto é a presença de faróis de LED Matrix na versão topo de linha Limited, algo de carros de mais de R$ 300.000.


Veredicto
O Jeep Avenger faz algo que nenhum outro SUV subcompacto fez até agora: ser um SUV de verdade, não um hatch altinho. Além disso, ele entrega acabamento mais sofisticado que seus rivais que se limitam a um mar de plásticos na cabine. Se é para ter status, ele é a escolha certa.
Agora, se você busca espaço interno ou vem de um Renegade, é melhor pensar duas vezes. O Avenger é pequeno na segunda fileira e passa a sensação de aperto até para o motorista. Além disso, aquela dirigibilidade parrudona de Jeep não aparece nele. Anda como um bom Peugeot. E isso não é uma crítica, muito pelo contrário. Só talvez não seja aquilo que você, atual dono de um Renegade, esperava.

Ficha técnica: Jeep Avenger Limited
– Preço: R$ 145.990
– Motor: 1.0 3 cilindros turbo MHEV
– Potência e torque: 116 cv e 20,4 kgfm
– Transmissão: CVT de 7 marchas simuladas
– 0 a 100 km/h: 10,3 segundos
– Tração: dianteira
– Medidas: 4,08 m de comprimento / 1,77 m de largura / 1,58 m de altura / 2,55 m de entre-eixos
– Porta-malas: 321 litros
– Altura livre do solo: 22,1 cm
– Consumo etanol: 8,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada
– Consumo gasolina: 12,7 km/ na cidade / 13,5 km/na estrada

