Décadas atrás, era difícil conciliar valentia com eficiência. Do Willys MB, fabricado entre 1941 e 1945 para servir na Segunda Guerra Mundial, para cá, mais de oito décadas se passaram. E o mundo mudou. O Mercedes-AMG G 63 rendeu-se à eletrificação, enquanto o GWM Tank 300 virou o novo queridinho de quem busca um 4×4 parrudo e tecnológico abaixo dos R$ 400.000.
É nesse front que desembarca o Jetour T2 4×4. Criada em 2018 sob o guarda-chuva do grupo Chery, a marca chinesa é novata no mercado global e desembarcou por aqui em março deste ano. Após a estreia com os modelos T1, S06 e o T2 4×2, chega agora a aguardada opção com tração nas quatro rodas.
Com uma relação custo-benefício e custo-diversão interessante, ele custa R$ 349.900, embora o lote inicial de 599 unidades seja oferecido por R$ 339.900. Ou seja, um preço praticamente no mesmo degrau do GWM Tank 300, que cobra R$ 342.000, oferecendo 394 cv e 76,6 kgfm.

O visual quadrado da carroceria do Jetour T2 remete diretamente ao Land Rover Defender 110 (que parte de R$ 844.990). No entanto, o Jetour T2 4×4 cobra menos da metade do rival inglês e, de quebra, entrega números de desempenho superlativos, capazes de fazer frente a SUVs de prestígio vindos da Alemanha ou da Suécia.
Jetour T2 4×4 tem quase 600 cv
O poderio vem do motor térmico 1.5 TGDI de quinta geração e ciclo Miller (135 cv e 20,4 kgfm) associado aos propulsores elétricos. Dois motores dianteiros entregam 102 cv e 122 cv, respectivamente, enquanto o eixo traseiro recebe um dedicado de 238 cv. Na prática, são 597 cv e 91,7 kgfm, segundo o fabricante. Já a caixa 3-DHT foi criada sob medida para sistemas híbridos.
O Jetour T2 4×4 é 250 kg mais pesado em relação à versão 4×2, fazendo de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos. Todavia, não é apenas sobre caminhar à frente. Sendo um SUV híbrido plugável, o consumo também é importante. De acordo com o Inmetro, no modo híbrido o consumo é de 10,5 km/l (cidade) e 9,3 km/l (estrada).


Já no modo elétrico, os números equivalentes de consumo no PBEV são de 26,1 km/l e 22,1 km/l, na ordem. Além disso, a energia armazenada na bateria de 43,24 kWh possibilita percorrer até 106 km sem emitir poluentes na atmosfera, enquanto o tanque de combustível é de 70 litros e o alcance máximo chega a até 1.300 km. Aliás, a Jetour já trabalha no sistema flex para ampliar as possibilidades dos consumidores na hora do abastecimento.
Além disso, a recarga de 20% a 80% ocorre em apenas 36 minutos em carregadores rápidos DC de 40 kW. Em um carregador AC de 7 kW, o mesmo processo leva 3 horas e 56 minutos. Já em uma tomada convencional de 3,4 kW, a recarga ocorre em aproximadamente 7 horas e 36 minutos.

Jato de acelerar
A configuração XWD 4×4 chega ao país para complementar a linha do T2, que atualmente conta com as opções 4×2 Advance (R$ 289.900) e Premium (R$ 299.900). A novidade é oferecida exclusivamente no pacote Premium.
Ao volante, o Jetour T2 4×4 seduz logo de cara pelo comportamento aceso desde as baixas rotações. Que SUV, meus amigos! A tocada traz à tona a velocidade com que os chineses aprenderam a construir veículos de qualidade, capazes de tirar o sono até de modelos do Velho Continente.


A eletrificação junto do motor térmico entrega um fôlego animado independente da faixa de giro. É cutucar o pedal do acelerador para o SUV responder com vigor. Um detalhe está na baixa intrusão do motor a combustão ao trafegar de forma civilizada, o que contribui para uma dirigibilidade silenciosa.
Aliás, o isolamento acústico do Jetour T2 4×4 é digno de palmas, e o vidro do para-brisa laminado deixa do lado de fora os ruídos indesejados. Nem o barulho da rolagem dos pneus, dependendo do asfalto ou do tipo de terreno, incomoda os até cinco passageiros.

Nos momentos de atuação do motor térmico é baixo o ruído transmitido à cabine, o que reforça a sensação de andar isolado do meio exterior. Também contribui a calibração das suspensões, que focam no conforto, seja no on-road quanto no off-road. Elas são macias sim, porém não esquecem de entregar uma boa dinâmica para um SUV desse porte.
Curvas
O Jetour T2 4×4 ingressa nas curvas com apetite e sem pregar sustos ao motorista. É um carro previsível e, embora tenha quase 600 cv e torque de 91,7 kgfm, é fácil de guiar. Tudo ocorre de forma progressiva, mas ao afundar o pé no pedal do acelerador ele responde de forma malcriada, grudando o corpo nos encostos dos bancos.
A direção assistida eletricamente é rápida ao esterço e ao retorno, enquanto as rodas de 20 polegadas calçam pneus de medidas 255/55. Para quem deseja elevar as capacidades fora de estrada, o SUV pode receber um conjunto 265/55 mais parrudo, que assegura maior capacidade no off-road e cobra R$ 1.750 por unidade.


Ao todo, são oito programas de condução: Eco, Normal, Sport, Lama, Neve, Areia, Pedra e o modo X. Este último faz uma leitura automática do terreno para ajustar a distribuição de tração, entrega de torque, frenagem e assistência da direção em pisos mistos.
Dependendo do modo escolhido, a tração vem do eixo traseiro. E a tarefa de encarar o fora de estrada é complementada pelo bloqueio eletrônico do diferencial traseiro, assim como o Tank Turn reduz em até 20% o raio de giro do veículo na terra. Quando acionado, a atuação seletiva dos freios nas rodas traseiras encolhe o raio de manobra de quase 6 metros para 4,78 metros, facilitando as conversões em trechos estreitos ou espaços reduzidos.

Já o Modo Rastejamento controla automaticamente a velocidade em percursos de baixa aderência e obstáculos, gerenciando torque e frenagem sem necessidade de intervir nos pedais. O pacote fora de estrada traz ainda o controle de descida (HDC) e o Modo de Resfriamento Off-road pré-ativado, recurso que garante que motor, bateria e componentes do sistema híbrido operem na temperatura ideal durante trilhas e subidas severas.
E como o Jetour T2 4×4 vai no fora de estrada?
Todas as qualidades vistas no asfalto durante o nosso primeiro contato com a novidade são replicadas no off-road. Ele não sofre de falta de fôlego ao encarar um cenário tortuoso, vencendo com facilidade as adversidades do fora de estrada.
As dimensões não mudam em relação ao Jetour T2 4×2, mantendo os 4,78 m de comprimento, 2,06 m de largura, 1,87 m de altura e 2,80 m de entre-eixos. Para fazer bonito, possui ângulo de entrada de 28º e de saída de 30º, altura livre do solo de 205 mm e capacidade para atravessar trechos alagados com até 70 cm de profundidade. Uma praticidade muito bem-vinda é o radar de alagamento, que informa a profundidade em tempo real.


A boa calibração das suspensões também aparece no off-road, garantindo conforto e valentia. Em nenhum momento houve final de curso ou rangidos, o que comprova a boa qualidade construtiva e solidez do Jetour T2 4×4. Nessa situação, a direção elétrica leve em baixas velocidades ajuda bastante a vida do motorista.
A estrutura do Jetour T2 4×4 recebeu reforços para encarar o fora de estrada. O chassi traz cinco elementos de proteção dedicada, parede anticolisão para a bateria e blindagem frontal e inferior para o sistema de alta tensão. O pacote de salvaguardas inclui ainda escudos para o tanque de combustível e para a porção traseira do chassi, além de uma viga transversal de aço focada na rigidez torcional da carroceria.

Pode virar um grande powerbank
O Jetour T2 4×4 possui a tecnologia V2L e um cabo opcional permite ligar aparelhos domésticos em atividades ao ar livre ou carregar dispositivos eletrônicos diretamente no carro. Falando nisso, o porta-malas acomoda 580 litros, podendo chegar a 1.491 litros após o rebatimento da segunda fileira. A porta do compartimento possui sistema de sucção para evitar batidas desnecessárias, além de porta-objetos e porta-copos integrados.
Toda a cavalaria do Jetour T2 4×4 é contida pelos freios a disco nas quatro rodas, enquanto um arsenal tecnológico atua em prol da segurança. O pacote inclui controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alertas de colisão frontal e traseira, monitoramento de ponto cego, assistente de permanência em faixa, câmeras com visão 540º, alerta de tráfego cruzado traseiro e assistente de desembarque seguro.


Somado a isso, ao abrir a porta, a cabine mostra um acabamento refinado e atenção aos detalhes. O teto e as colunas internas ostentam revestimento escurecido em tecido aveludado, enquanto os bancos dianteiros trazem ventilação, memória e ajustes elétricos com seis posições.
À frente do motorista, o quadro de instrumentos digital de 10,3 polegadas conversa com o multimídia de 15,6 polegadas. O sistema oferece conectividade sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, comandos de voz e acesso às configurações do veículo. Contudo, um ponto que peca na praticidade do dia a dia é a necessidade de regular os espelhos retrovisores externos diretamente pela tela da central.

Garantia
Por outro lado, o SUV compensa no recheio: traz teto solar panorâmico e ar-condicionado automático de duas zonas com saídas para o banco traseiro. A experiência sonora fica a cargo do sistema assinado pela Sony com 12 alto-falantes, enquanto o carregador por indução no console central entrega rápida potência de 50W.
Para garantir a tranquilidade do comprador diante de uma marca novata no mercado, a Jetour oferece garantia de sete anos (ou 150.000 km) para o veículo completo e oito anos (ou 160.000 km) de cobertura para a bateria de alta tensão e os motores elétricos.



Veredicto
A Jetour pode ser relativamente nova tanto ao redor do mundo quanto no Brasil, mas mostra a capacidade da indústria chinesa em construir carros de qualidade, divertidos de guiar e parrudos. A versão 4×2, inicialmente, pode ter enfrentado críticas por conta da tração 4×2. Só que agora a conversa mudou de direção.
Entretanto, agora a marca mostra que um SUV híbrido plugável pode ser sim parrudo e eficiente. Embora uma parcela dos consumidores não vai utilizar todas as capacidades do SUV ou sequer enfrentar um fora de estrada pesado, a tração integral é mais um forte argumento de compra para este chinês que, de quebra, oferece um acabamento esmerado e um desempenho canhão, seja no asfalto ou na terra.

E você, o que achou do Jetour T2 4×4? Compraria esse SUV ou optaria por outro concorrente? Escreva nos comentários!


