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Eles não são daqui

5 carros que parecem nacionais, mas são importados

Descubra 5 carros que parecem nacionais, mas são importados. De picapes médias ao Nissan Kicks, saiba quais modelos vêm de fora

5 min de leitura

Muitos brasileiros sentem orgulho ao priorizar a compra de carros fabricados em solo nacional. Entretanto, a realidade da indústria automotiva moderna é bem mais complexa do que sugerem as etiquetas das concessionárias. Graças aos acordos comerciais estratégicos, diversos modelos que cruzam nossas ruas diariamente chegam de países vizinhos com isenção de impostos.

Essa integração produtiva permite que as montadoras otimizem suas linhas de montagem entre as plantas do Mercosul e do México. Por isso, selecionamos cinco veículos que possuem alma brasileira, mas cujo registro de nascimento é internacional. Alguns deles já se despediram do mercado, enquanto outros continuam sendo vendidos como se tivessem nascido por aqui.

Nissan Kicks no primeiro ano

Nissan Kicks
Nissan Kicks Rio 2016 [divulgação]

Atualmente, o Kicks é o pilar central da fábrica da Nissan no Rio de Janeiro junto do seu irmão Kait. Mas sua trajetória começou de forma distinta. No ano de 2016, quando o modelo foi lançado globalmente durante as Olimpíadas, toda a produção inicial vinha do México. As versões SL, SV Limited e a edição especial Rio 2016 cruzavam o oceano para abastecer o mercado nacional.

Somente após a consolidação do sucesso nas vendas é que a marca decidiu nacionalizar o SUV definitivamente. Com o passaporte brasileiro em mãos, o modelo ganhou novas variantes e conseguiu escalar posições importantes no ranking de emplacamentos. Portanto, os primeiros exemplares que circulam por aí guardam essa curiosidade de serem, tecnicamente, importados.

Fiat Palio de segunda geração

Fiat Palio azul parado de lateral em fundo neutro foi o segundo carro usado mais vendido
Fiat Palio (divulgação)

O Fiat Palio é um dos carros mais icônicos da história recente do Brasil, sobrevivendo por mais de duas décadas em produção. Contudo, as unidades finais da segunda geração que saíram das lojas em 2017 não possuíam origem brasileira. Em 2016, a Fiat transferiu a linha de montagem final para a Argentina visando abrir espaço para o lançamento do Mobi.

Anteriormente, as fábricas de Betim e de Córdoba dividiam a responsabilidade de fabricar o modelo simultaneamente para atender à demanda. Essa movimentação estratégica marcou o fim de um ciclo para o hatch que já liderou o mercado nacional. Assim, os últimos donos de um Palio zero quilômetro acabaram levando para casa um carro que preferia empanadas e uma bela feijoada.

Caminhonetes médias

Ford Ranger XL [Auto+/Rafael Pocci Déa]

As caminhonetes médias se tornaram os novos objetos de desejo para quem busca robustez além dos SUVs tradicionais. O que pouca gente nota é que quase todas as representantes desse segmento são fabricadas na Argentina. Modelos consagrados como Toyota Hilux, Ford Ranger, Volkswagen Amarok e Nissan Frontier atravessam a fronteira para chegar ao consumidor local.

Neste cenário, as únicas exceções que mantêm a produção em território brasileiro são a Chevrolet S10, a GWM Poer P30 e a Mitsubishi Triton. Por outro lado, a recente Fiat Titano e sua prima Ram Dakota quebraram a hegemonia argentina ao serem importada diretamente do Uruguai. Essa logística mostra como o setor de picapes é um dos mais integrados comercialmente dentro do nosso bloco econômico.

Volkswagen Taos

Volkswagen Taos Highline 2026 prata visto lateralmente
Volkswagen Taos Highline 2026 [Auto+/ Felipe Yamauchi]

Diferente dos seus principais rivais de categoria, o Volkswagen Taos é o único SUV médio de marca não estreante que não nasce no Brasil. Concorrentes diretos como o Jeep Compass, Toyota Corolla Cross, Renault Boreal e o CAOA Chery Tiggo 7 são montados em plantas nacionais. O Taos compartilhava a linha de produção argentina com a picape Amarok na fábrica de Pacheco, mas agora vem direto do México.

Enquanto isso, novos competidores como os modelos da GWM, BYD e Ford chegam de mercados ainda mais distantes, como a China. A estratégia da Volkswagen foca em centralizar a produção de veículos sobre a plataforma MQB em diferentes pontos da América. Consequentemente, o Taos permanece como uma opção robusta e espaçosa, mas que peca muito em acabamento e não tem eletrificação.

Renault Sandero, Logan e Stepway

Renault Logan Zen 1.6 [Auto+ / João Brigato]
Renault Logan [Auto+ / João Brigato]

Embora a Renault mantenha um complexo industrial robusto no Paraná, o trio Sandero, Logan e Stepway possui uma origem compartilhada. Muitas unidades desses carros vendidos nas concessionárias brasileiras são, na verdade, produzidas na unidade da Argentina. Essa flexibilidade produtiva permite que a marca gerencie melhor a capacidade de suas plantas regionais.

A planta de Curitiba foca sua energia na produção de sucessos mais recentes como o Kardian, Kwid e Boreal. Assim, a fábrica vizinha complementa o estoque nacional sempre que a demanda pelos compactos tradicionais aumenta significativamente. É uma operação silenciosa que garante que esses veteranos de mercado nunca faltem nas garagens dos brasileiros.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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