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A primeira do mundo

BYD promete pagar prejuízo causado por assistente de direção 

Montadora chinesa anuncia cobertura para acidentes que envolva o God’s Eye 

5 min de leitura

Quem deve pagar a conta quando um carro equipado com sistemas avançados de assistência à condução se envolve em um acidente? Hoje, na maioria dos casos, a responsabilidade continua nas mãos do motorista e de sua seguradora. Porém, a BYD quer mudar isso e anunciou que passará a cobrir os prejuízos causados pelo seu sistema.

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Durante um evento realizado na China, a fabricante disse que qualquer acidente que envolva a função Urban Navigate on Autopilot (NOA), a fabricante chinesa irá pagar, desde que o sistema esteja sendo utilizado corretamente e dentro das regras estabelecidas pela legislação local.

Com isso, a montadora se torna a primeira montadora do mundo a oferecer uma cobertura dupla para sistemas avançados de assistência à condução. Além do NOA, a garantia também contempla o sistema de estacionamento inteligente da marca.

BYD vai assumir prejuízo em acidentes

BYD Dolphin Mini chinês (Seagull) com sistema LiDAR
BYD Dolphin Mini com sistema LiDAR [Divulgação]

A novidade é ousada, mas a condição só vale para clientes chineses que comprarem veículos novos ou atualizarem seus carros para a versão 5.0 do sistema God’s Eye, que inclusive foi anunciado recentemente no Brasil.

Além disso, o programa possui validade de apenas um ano. Ainda assim, é uma iniciativa extremamente legal de se ver e interessante, porque a fabricante está assumindo uma responsabilidade que normalmente fica com o proprietário do veículo. 

Marca aposta em enorme volume de dados

BYD King GS [Auto+ / João Brigato
BYD King GS [Auto+ / João Brigato

A BYD afirma que consegue assumir esse compromisso graças à quantidade de informações coletadas diariamente por seus veículos.

De acordo com a empresa, mais de 3,15 milhões de carros equipados com tecnologias de assistência inteligente circulam atualmente pelas ruas chinesas. Além disso, essa frota registra mais de 200 milhões de quilômetros percorridos todos os dias.

BYD Yuan Pro - Carros chineses que valem a pena
BYD Yuan Pro [Auto+ / Rafael Dea]

Com isso, a fabricante consegue alimentar seus algoritmos com situações reais de trânsito, e melhorando o desenvolvimento e a evolução dos sistemas de condução assistida.

Atualmente, a BYD possui mais de 122 mil profissionais dedicados à área de P&D em todo o mundo. Desse total, cerca de 5 mil engenheiros trabalham exclusivamente com tecnologias de condução inteligente. Portanto, a marca acredita que tem dados, estrutura e capacidade técnica suficientes para sustentar uma iniciativa desse porte.

God’s Eye recebe nova geração tecnológica

BYD Seal branco de frente com uma floresta ao fundo
BYD Seal [Auto+ / João Brigato]

Além da cobertura para acidentes, a BYD aproveitou o evento para apresentar uma série de atualizações para o sistema God’s Eye. Segundo a fabricante, a plataforma passa a utilizar uma “arquitetura de sensores via satélite inédita na indústria”. 

Além disso, o conjunto recebe uma nova geração de inteligência artificial, capaz de processar cenários mais complexos e aprimorar continuamente seu desempenho com base em situações reais.

BYD Song Pro GS 2026 preto estático para avaliação
BYD Song Pro [Auto+/Luiz Forelli]

Ademais, a empresa também revelou um novo sistema de gerenciamento de dados que evolui automaticamente à medida que mais veículos circulam e compartilham informações.

China já está alguns passos à frente do Brasil

Vale lembrar que a BYD anunciou recentemente que o sistema God’s Eye estará presente em seus veículos no Brasil em 2027. Todavia, apesar de toda a discussão sobre direção autônoma, os sistemas vendidos atualmente no Brasil ainda operam, no máximo, dentro do nível 2 ou 2+ do ADAS. 

BYD Song Pro GS 2026 interior para avaliação
BYD Song Pro [Auto+/Luiz Forelli]

Isso significa que o carro consegue acelerar, frear, manter o veículo centralizado na faixa e até realizar algumas mudanças de faixa de maneira assistida. Ainda assim, o motorista precisa ficar atento o tempo todo, com responsabilidade total pela condução.

Na China, porém, os sistemas mais avançados operam em um estágio muito mais sofisticado. O God’s Eye da BYD, por exemplo, já oferecem funções de navegação autônoma urbana (NOA), capazes de seguir rotas definidas pelo GPS, entrar e sair de vias expressas, realizar conversões, trocar de faixa e reagir ao trânsito de forma muito mais independente. 

BYD Dolphin Mini GS 2026 azul estático
BYD Dolphin Mini 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Com isso, a intervenção do motorista acontece com menos frequência em determinados trajetos. Isso não significa que os modelos da BYD já possam dirigir completamente sozinhos em qualquer situação. Entretanto, o nível de automação disponível no mercado chinês já supera com folga aquilo que encontramos atualmente no Brasil. 

Além disso, a infraestrutura local, a padronização da sinalização e a regulamentação chinesa ajudam a acelerar a adoção dessas tecnologias, enquanto o mercado brasileiro ainda tem muitas limitações estruturais que dificultam a chegada de sistemas mais avançados.

E você, confiaria em um sistema de direção assistida? Deixe seu comentário! 

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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