Enquanto várias montadoras chinesas ainda tentam adaptar seus carros ao combustível brasileiro, a GWM virou a primeira fabricante do país asiático a realmente colocar um sistema híbrido flex nas ruas. Depois do Tank 300 se tornar o primeiro híbrido plug-in flex do mundo, agora chegou a vez do GWM Haval H6 entrar nessa estratégia.
Segundo as informações divulgadas pelo site Autos Segredos, o SUV médio vai receber motorização flex nas versões HEV One e também na HEV2. Ou seja, apenas as configurações sem recarga externa, por enquanto.
Curiosamente, a versão HEV One apareceu inicialmente na linha 2025 como uma série limitada de 2.000 unidades. Com isso, ela funcionava como uma opção mais acessível do Haval H6, removendo alguns equipamentos como teto solar, abertura elétrica do porta-malas e rodas com acabamento diferente.


Porém, quando a GWM apresentou a reestilização do SUV no fim de 2025, a marca não havia anunciado oficialmente o retorno dessa configuração. Todavia, a versão aparece no configurador brasileiro da linha 2027, já com o visual reestilizado, custando R$ 199.990.
Ainda sem muitas informações divulgadas, o site apenas identifica o modelo como edição limitada, mas sem confirmar, por enquanto, quantas unidades serão disponibilizadas.
GWM entra em território dominado pela Toyota

Além disso, a estratégia da GWM mostra um cenário que poucas montadoras chinesas vêm conseguindo concretizar até agora. Caoa Chery e Caoa Changan já vendem modelos flex no Brasil, como os SUVs da família Tiggo e o UNI-T. Porém, nenhum deles combina o etanol com um sistema híbrido de verdade capaz de movimentar as rodas.
Até então, somente a Toyota oferecia híbridos plenos flex no Brasil. Agora, a GWM começa de fato a entrar nesse território, algo importante porque o etanol brasileiro exige um trabalho muito mais complexo de engenharia do que simplesmente adaptar um motor a gasolina.

Por exemplo, o combustível nacional tem maior poder corrosivo e características químicas diferentes, o que faz ser necessário ter mudanças nas mangueiras, bombas, bicos injetores, vedação e até na calibração eletrônica do motor.
Além disso, o sistema precisa reconhecer automaticamente a proporção de etanol e gasolina no tanque para ajustar a ignição, injeção e funcionamento do conjunto híbrido em tempo real.
Bosch e engenharia brasileira devem participar do projeto

No caso do Tank 300, esse desenvolvimento aconteceu em parceria com a Bosch e com a engenharia brasileira da própria GWM. O projeto criou algoritmos específicos para lidar com o etanol hidratado vendido no Brasil, algo extremamente importante principalmente por causa da gasolina E30, que ainda faz muitos terem receio que compram carros importados movidos apenas a gasolina.
Por isso, a tendência é que o Haval H6 utilize exatamente a mesma base técnica já feita no Tank 300. Caso isso realmente aconteça, o SUV médio deve manter os atuais números de potência. Ou seja, o motor 1.5 turbo que deve continuar entregando 150 cv, agora adaptado ao etanol, trabalhando junto ao motor elétrico e à bateria de 1,6 kWh, gerando no total 243 cv e 54 kgfm de torque.

Vale lembrar que as versões HEV One e HEV2 utilizam um sistema híbrido pleno, sem carregamento externo. Diferentemente dos PHEV19, PHEV35 e GT, o conjunto trabalha em conjunto com motor térmico na grande parte do tempo, sem movimentar o veículo em distâncias maiores, como os híbridos plug-in.
E você, acredita que os híbridos flex chineses podem incomodar a Toyota no Brasil? Deixe seu comentário!



