Com o lançamento do Jeep Avenger no Brasil, muito foi questionado sobre a ausência de tração 4×4 no SUV subcompacto. Até porque todo modelo da marca norte-americana produzido por aqui sempre teve pelo menos a opção de tração nas quatro rodas, sendo o Avenger a primeira exceção. Mas isso pode mudar se ele virar híbrido.
A plataforma CMP, na qual o modelo é produzido, não é compatível com sistemas 4×4 com eixo cardã, como o usado pelos modelos da Jeep com plataforma Small Wide, como Renegade, Compass e Commander. Mas a solução criativa da Stellantis é usar a eletrificação para ter tração nas quatro rodas.
Como funciona o Jeep Avenger 4xe
As versões 4xe do Jeep Avenger na Europa combinam três motores para que as quatro rodas do SUV subcompacto se movimentem. Debaixo do capô reside um motor 1.2 PureTech três cilindros turbo MHEV de 136 cv, praticamente equivalente ao 1.0 T200 MHEV brasileiro, que tem 116 cv. Entretanto, seu sistema é de 48V, não de 12V como no Brasil.

A mágica está na traseira, onde reside um segundo motor elétrico responsável apenas por tracionar o segundo eixo. Ele sozinho tem 29 cv e 8,9 kgfm de torque. Com isso, o Avenger 4×4 tem 145 cv e 23,5 kgfm de torque. Esse motor elétrico traseiro também permite que o Avenger 4xe rode em baixa velocidade apenas com o uso da eletricidade.
O motor elétrico dianteiro, contudo, funciona como substituto do alternador, do motor de partida e como gerador para carregar as baterias do motor elétrico traseiro. Por isso, seu sistema híbrido é mais complexo, porque mistura elementos de MHEV com HEV e faz uso de uma bateria pequena para não adicionar muito peso.

Uma diferença importante no sistema 4xe do Jeep Avenger 4×4 é que ele usa transmissão automatizada de dupla embreagem com seis marchas. Aqui no Brasil, o SUV subcompacto traz uma caixa do tipo CVT com sete marchas simuladas. Ou seja, além de adicionar baterias e um motor à traseira, seria necessário trocar o câmbio do modelo para ter tração integral.
Avenger 4×4 tem foco no off-road
Segundo a Jeep, a versão 4xe foi projetada para o off-road, com tração nas quatro rodas e altura livre do solo otimizada, ângulos de inclinação ideais, capacidade de transposição de água, sistema Selec-Terrain e controle de descida em declives. Por isso, inclusive, o Avenger 4×4 tem visual diferente das variantes regulares do SUV subcompacto.

Nessa configuração mecânica na Europa, ele tem as versões Upland, 85th Anniversary e Overland. Entretanto, as três sempre vêm com para-choque frontal diferente, com parte cinza maior, detalhes verticais em cinza e área sem pintura no para-choque mais presente. A suspensão também é mais alta.
Durante a apresentação do Jeep Avenger à imprensa brasileira, Márcio Tonani, diretor de desenvolvimento de produto da Stellantis no Brasil, afirmou que a base do SUV é compatível com sistema 4×4, no caso, a tecnologia 4xe. Mas a marca optou por não trazer essa opção de tração nas quatro rodas por enquanto.

Entretanto, o executivo deixou claro que, se o mercado demandar esse tipo de sistema e opção 4×4 no Avenger, a Stellantis estará pronta para responder. Entretanto, considerando que a minoria das vendas do Renegade é da versão 4×4, um carro menor e mais voltado ao uso urbano dificilmente terá demanda suficiente para valer o investimento.
Você teria um Jeep Avenger? Conte nos comentários.

