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Tudo tem uma explicação

Jeep Avenger perdeu potência por motivo que vai mudar outros carros

Novo SUV estreia com 116 cv, enquanto o conhecido motor T200 entrega 125/130 cv em outros modelos da Stellantis

5 min de leitura

A Jeep lançou o Avenger nesta quarta-feira (12) e uma informação provavelmente chamou atenção de quem já conhece os carros da Stellantis. Afinal, por que o novo SUV tem 116 cv se seu conhecido motor 1.0 T200 turbo flex sempre entregou 125/130 cv?

Não foi erro na ficha técnica e muito menos uma limitação mecânica do motor. A redução faz parte da estratégia para enquadrar o Jeep Avenger nas novas regras do IPI Verde, que agora também levam a potência em consideração na hora de calcular quanto imposto um carro paga.

Por isso, o Avenger estreia uma nova calibração do T200. O motor continua com três cilindros, turbo, injeção direta, câmbio CVT de sete marchas simuladas e 20,4 kgfm de torque, porém passou dos conhecidos 125/130 cv para 116 cv independentemente do combustível. 

Por que exatamente 116 cv?

Jeep Avenger motor 1.0 turbo t200 mhev 12 volts
Jeep Avenger Limited [Divulgação]

Antes, a lógica do IPI estava muito mais ligada à cilindrada, ao combustível e à categoria do veículo. Por isso, um motor 1.0 aspirado de aproximadamente 75 cv e outro 1.0 turbo com 130 cv podiam ficar dentro da mesma faixa simplesmente porque ambos tinham até um litro. 

O programa Mover e o chamado IPI Verde mudaram essa conta. Agora, além da fonte de energia, entram fatores como eficiência energética, potência, segurança, reciclabilidade e características de produção. A alíquota-base dos automóveis de passeio é de 6,3%, e bônus ou penalizações são adicionados conforme cada veículo.

Jeep Avenger Limited na cor Verde Boreal estático
Jeep Avenger Limited [Divulgação]

O governo faz essa conta em quilowatts, e uma das faixas mais importantes termina em 85 kW, equivalentes a aproximadamente 115,6 cv. Até esse limite, a potência não adiciona nenhum ponto percentual à alíquota.  Como as fabricantes normalmente arredondam esse número na divulgação, chegamos aos 116 cv que aparecem na ficha técnica do Jeep.

Passou desse limite? A conta muda.

Entre 85 kW e 105 kW, ou aproximadamente até 142,8 cv, o carro recebe mais 0,75 ponto percentual somente pelo critério de potência. Depois disso, a penalização continua aumentando conforme o motor fica mais forte. Por isso, fica fácil de entender o raciocínio da Stellantis. 

Jeep Avenger Limited na cor Verde Boreal em movimento
Jeep Avenger Limited [Divulgação]

Se a Jeep mantivesse os 130 cv no Avenger, o T200 ficaria na faixa seguinte do IPI e acrescentaria 0,75 ponto percentual à tributação pelo critério de potência. Ao limitar o motor a aproximadamente 85 kW, ou os divulgados 116 cv, esse adicional cai para zero.

Pode parecer pouca coisa olhando apenas para um carro. Só que uma fabricante não faz essa conta pensando em uma unidade, mas em dezenas de milhares de veículos produzidos durante vários anos.

Jeep Avenger Longitude detalhes na cor prata
Jeep Avenger Longitude [Divulgação]

Além disso, o Avenger ainda é um MHEV flex. Pelas regras atuais, essa tecnologia recebe redução de 1 ponto percentual no critério referente à fonte de energia e propulsão. A eficiência energética, segurança e reciclabilidade também mudam essa conta final. Com isso, outras montadoras vêm fazendo a mesma coisa.

Jeep não é a primeira a tirar cavalos

A redução de potência já virou tendência na indústria brasileira. A Volkswagen foi uma das primeiras a ter esse caminho quando trocou o antigo 200 TSI de até 128 cv pelo 170 TSI de até 116 cv no Polo e Virtus. Depois, essa mesma calibração chegou ao Tera. 

Jeep Avenger Altitude na cor Cinza Granite estático
Jeep Avenger Altitude [Divulgação]

A Chevrolet também reduziu seu 1.0 turbo para 115,5 cv, enquanto a Hyundai recalibrou motores e a Renault também prepara mudanças para se aproximar dessa faixa.  A própria Stellantis já mexeu em outro motor. O 1.3 T270, que chegou a entregar 185 cv com etanol, passou para 176 cv em modelos como Jeep Renegade, Compass, Commander, Fiat Toro e Fastback.

Mas o Avenger ficou muito mais lento?

Essa talvez seja a pergunta mais importante para quem está preocupado menos com imposto e mais com aquilo que acontece quando pisa no acelerador.

Jeep Avenger Longitude interior e cabine
Jeep Avenger Longitude [Divulgação]

Sim, perder 14 cv no melhor cenário mexe no desempenho. Só que a diferença está longe de fazer o Avenger em um SUV extremamente lento. O novo Jeep acelera de 0 a 100 km/h em 10,3 segundos com etanol e 10,7 segundos com gasolina. O torque continua em 20,4 kgfm, justamente algo importante nas arrancadas e retomadas do uso do dia a dia. 

Para termos uma referência, basta olhar para o Fiat Pulse Impetus MHEV, que usa o mesmo T200 ainda com 125/130 cv. Lá, com 1.245 kg, com etanol, o Pulse faz o 0 a 100 km/h em 9,4 segundos. Com gasolina, são 9,7 segundos. 

Jeep Avenger Longitude interior e cabine
Jeep Avenger Longitude [Divulgação]

Assim, portanto, o Avenger de 1.271 kg leva cerca de 9,6% mais tempo para chegar aos 100 km/h usando etanol. Com gasolina, a diferença fica próxima de 10,3%. Não é desprezível, mas também não significa perder 10% da sensação de desempenho em qualquer situação.

Afinal, potência máxima e torque trabalham de maneiras diferentes. Como os 20,4 kgfm foram preservados, aquela força disponível em baixa e média rotação tende a sofrer menos do que os números de potência sugerem. A maior diferença deve aparecer quando o motorista exigir tudo do motor, principalmente em acelerações mais longas ou velocidades maiores.

Você prefere deixar os 130 cv ou aceitaria 116 cv se isso ajudasse a deixar o carro mais barato? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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