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Chinesas apertam e diversos carros ficam até R$ 55 mil mais baratos

A concorrência muda o mercado brasileiro e força marcas tradicionais a rever preços de SUVs, elétricos e até híbridos plug-in

6 min de leitura

Comprar um carro zero km no Brasil continua longe de ser barato. Ainda assim, os preços dos veículos poderiam ser ainda maiores se o mercado não tivesse mudado tão rapidamente nos últimos anos com as fabricantes chinesas pressionando as montadoras já consolidadas com preços agressivos, muito equipamento, e principalmente, volume suficiente para incomodar as tradicionais. 

Segundo levantamento da Bright Consulting, o preço público médio dos veículos leves caiu, em valores corrigidos, de R$ 172,5 mil em 2025 para aproximadamente R$ 170 mil em junho de 2026. Foi a primeira redução real em seis anos. 

Quando a conta considera o valor efetivamente pago nas concessionárias, a diferença fica ainda maior. A média caiu de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil, recuo real de 3,5%. Segundo a consultoria, a concorrência crescente, ainda mais das chinesas, está entre os principais motivos. 

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Mais números que impactam toda essa cadeia? Em julho, as marcas chinesas chegaram a 23% de participação entre os veículos leves, contra 19,8% em junho. Portanto, para as fabricantes tradicionais restaram poucas alternativas. 

Ou aumentam equipamentos, fazem descontos ou simplesmente diminuem seus preços para continuar na disputa. O Auto+ separou cinco exemplos bem claros de montadoras tradicionais que diminuíram os preços dos seus veículos de forma significativa devido aos impactos das vendas

Nissan Kicks ficou até R$ 10 mil mais barato

Nissan Kicks Platinum 2026 vermelho de frente em uma floresta
Nissan Kicks Platinum 2026 [Auto+ / João Brigato]

A nova geração do Nissan Kicks chegou ao Brasil muito mais sofisticada que a anterior, mas trouxe junto um problema: ficou cara. A linha chegou perto dos R$ 200 mil justamente em um segmento no qual a concorrência se multiplicou.

A própria Nissan entendeu que precisava reposicionar o produto. Para a linha 2027, sem novidades, todas as quatro versões ficaram mais baratas, sem redução de equipamentos. 

Por exemplo, a Sense caiu de R$ 168.690 para R$ 159.990, enquanto a Advance passou de R$ 179.990 para R$ 169.990. A Exclusive foi de R$ 187.190 para R$ 179.990, enquanto a Platinum recuou de R$ 199.990 para R$ 189.990.  Ou seja, dependendo da configuração, são até R$ 10 mil a menos. 

Nissan Kicks Advance [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Por baixo do capô o Kicks continua usando o 1.0 turbo de três cilindros desenvolvido pela Horse, com 120/125 cv e 20,4/22,4 kgfm. O câmbio automatizado de dupla embreagem tem seis marchas e trabalha banhado a óleo. O SUV mede 4,37 metros de comprimento e tem 2,66 m de entre-eixos. 

Suzuki e Vitara perde R$ 50 mil

Suzuki e Vitara na cor Verde Brisa estático na grama cheio de terra
Suzuki e Vitara [Auto+/Luiz Forelli]

Poucas montadoras foram tão otimistas como a Suzuki. A fabricante japonesa que teve que tirar o Jimny das vendas devido às regras mais rígidas do PL8 correu atrás de um modelo elétrico para rapidamente homologar no Brasil. Com isso, ela viu oportunidade no e Vitara Porém, seu problema foi o preço extremamente inflado: R$ 269.990.

Um valor bem complicado para um SUV compacto, ainda mais elétrico, de uma marca com pequeníssima presença no mercado brasileiro. Não demorou muito para a tabela mudar. Hoje, a Suzuki anuncia o e Vitara 2027 por R$ 219.990, uma redução de R$ 50 mil.

Suzuki e Vitara na cor Verde Brisa estático na grama cheio de terra
Suzuki e Vitara [Auto+/Luiz Forelli]

Tudo bem, é uma queda de 18,5%, até que bastante. Mas convenhamos, esse valor ainda é alto para o que a Suzuki entrega no mercado brasileiro, especialmente em um SUV compacto elétrico. O e Vitara tem dois motores elétricos e tração integral. Juntos, eles desenvolvem 184 cv e 31,2 kgfm. São 4,27 m de comprimento e 2,70 m de entre-eixos.

Chevrolet Spark EUV já caiu R$ 25 mil desde o pico

Chevrolet Spark EUV azul com o teto branco parado de frente
Chevrolet Spark EUV [Auto+ / João Brigato]

A Chevrolet também descobriu rapidamente que simplesmente colocar sua gravata dourada em um elétrico chinês não permitiria cobrar qualquer preço. O Spark EUV estreou no Brasil em 2025 por R$ 159.990. No começo de 2026, porém, a GM aumentou o preço em R$ 10 mil e passou a cobrar R$ 169.990. 

Durou muito pouco porque as vendas não iam. Hoje, a Chevrolet anuncia o Spark EUV por R$ 144.990. Portanto, são R$ 25 mil a menos em relação aos R$ 169.990 cobrados no início do ano. 

Chevrolet Spark EUV azul com teto branco
Chevrolet Spark EUV [Auto+ / João Brigato]

Vale lembrar que o modelo passou a ser montado em regime SKD no Polo Automotivo do Ceará, em Horizonte, nas antigas instalações da Troller. Ainda assim, sua origem é chinesa. Até porque o Spark deriva do Baojun Yep Plus, desenvolvido pela joint venture SAIC-GM-Wuling.

São 102 cv e 18,4 kgfm, alimentados por uma bateria de 42 kWh. A autonomia homologada pelo Inmetro chega a 258 km.  Além disso, são apenas 4 m de comprimento, enquanto o modelo tem 2,56 m de entre-eixos.

Mitsubishi Outlander PHEV despenca R$ 55 mil

Mitsubishi Outlander PEHV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

Se R$ 10 mil já fazem diferença em um Kicks, imagine R$ 55 mil. Essa é a redução aplicada ao Mitsubishi Outlander PHEV HPE-S. O SUV híbrido plug-in de sete lugares passou de R$ 379.990 para R$ 324.990, justamente o maior corte desta lista. 

E aqui a concorrência chinesa também força. Até porque, por anos, um  SUV híbrido plug-in grande, importado naturalmente passaria dos R$ 350 mil. Hoje, porém, marcas como GWM e BYD mudaram essa referência. É justamente nessa região que aparecem produtos chineses maiores, potentes e carregados de equipamentos, obrigando fabricantes japonesas e europeias a rever o quanto conseguem cobrar.

Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

O Outlander PHEV continua sendo tecnicamente interessante. O conjunto híbrido plug-in combina um motor 2.4 a gasolina com motores elétricos e chega a 252 cv de potência combinada. Além disso, mantém a conhecida tração integral da Mitsubishi. O porte é de 4,71 m de comprimento e 2,70 m de entre-eixos, além da cabine para sete ocupantes. 

Jeep Compass vive em promoção de R$ 147.990

Jeep Compass Sport azul jazz de frente em um gramado
Jeep Compass Sport [Auto+ / João Brigato]

O Jeep Compass também entra nessa lista, todavia merece uma observação diferente diante os outros citados. O que acontece é que a Jeep, oficialmente, divulga o Compass Sport com preço público de R$ 174.990.

Na prática, porém, encontrar o SUV por esse valor cheio está ficando cada vez menos comum. A fabricante vem repetindo campanhas todos os meses praticamente nas quais o Compass Sport vai para R$ 147.990, uma redução de R$ 27 mil. Por isso, entendemos que quando uma condição aparece continuamente mês após mês, ela meio que vira um segundo preço público.

Jeep Compass Sport azul jazz de traseira
Jeep Compass Sport [Auto+ / João Brigato]

Mecanicamente, o Compass Sport oferece o motor 1.3 T270 turbo flex que desenvolve 176 cv e 27,5 kgfm, combinado ao câmbio automático de seis marchas e tração dianteira.São 4,40 metros de comprimento e 2,64 metros de entre-eixos. 

Qual desses cinco carros ficou mais interessante depois da redução de preço? Deixe sua opinião nos comentários!

1 comentário em “Chinesas apertam e diversos carros ficam até R$ 55 mil mais baratos”

  1. Diogo

    Uma correção na parte do Kicks: todas as versões (exceto a Platinum) perderam SIM equipamentos, basta dar uma leve pesquisada que vcs vão ver
    Exclusive perdeu os faróis com projetores e a advance perdeu as câmeras 360°
    Faltou a equipe do auto+ pesquisar melhor essa informação

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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