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Ele merece mais destaque

Um dos carros mais queridos da Argentina vive renegado no Brasil

O Peugeot 208 é um carro com diversas qualidades, entre elas o visual sofisticado e preços acessíveis. Mas, ele vive bem esquecido aqui

5 min de leitura

A Argentina e o Brasil são amigos e rivais em diversos quesitos, entre eles no setor automotivo. Diversos carros fabricados lá são exportados para cá e ao contrário também acontece. Aliás, um dos modelos mais queridos dos argentinos é o Peugeot 208. Ele tem visual sofisticado, diversos itens de série e até motorização eletrificada, mas vive esquecido por aqui. Aperte os cintos e conheça sua trajetória.

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Era uma vez…

O 208 nasceu como um substituto do 207. Assim como seu antecessor, o visual era o principal chamariz. A primeira geração do hatch compacto francês abusava de linhas mais arredondadas, sendo bem parecido com uma bolinha com rodas. Um destaque da dianteira era a grade central com partes cromadas e que em conjunto com faróis, passava ao público o aspecto de carinha feliz.

Outros destaques eram o para-brisa amplo e o capô curto. Dos lados, o Peugeot 208 tinha linha de cintura alta e janelas grandes. Ou seja, era um modelo com visual atual para sua época e para enfrentar rivais como Ford Fiesta e companhia. Já na traseira, as atenções se voltavam para as lanternas em formato de C e a tampa do porta-malas encorpada.

Peugeot 208 2013 branco visto de frente
Peugeot 208 2013 [Divulgação]

A primeira vez que os brasileiros viram o 208 de perto foi em meados de 2013. Ele chegou pouco depois dos Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Toyota Etios. Na época, a Peugeot queria surfar na onda dos hatches compactos descolados. Se a parte externa chamava atenção, o interior era tão chamativo quanto.

Seu principal pilar era o sistema i-Cockpit. Neste caso, o Peugeot 208 trazia volante esportivo mais baixo e o painel de instrumentos mais alto e no campo de visão do condutor. Segundo a marca, esse projeto visava ampliar a comodidade durante a condução e a segurança dos ocupantes. Inclusive, o 208 já tinha central multimídia, item que foi se popularizando com o tempo.

Peugeot 208 (divulgação)

Quero agradar de qualquer forma

Fabricado no Brasil, na planta de Porto Real (Rio de Janeiro), o Peugeot 208 chegou com motorização tropicalizada. Assim, a marca pensou que teria bastante apelo junto ao público. Em sua estreia, o hatch compacto podia ter motor 1.5 flex de 93 cv ou 1.6 flex de 122 cv, ambos aspirados e câmbio manual ou automático de quatro marchas.

Com o propulsor mais forte, o compacto tinha 191 km/h de velocidade máxima e chegava aos 100 km/h em 10,7 segundos. Ou seja, tinha desempenho agradável tanto na cidade quanto na estrada. Em meados de 2016, a montadora francesa promoveu mudanças visuais no modelo e em sua motorização. Nesta época, ele perdeu o propulsor 1.5 aspirado e ganhou o 1.2 PureTech flex.

Peugeot 208 GT vermelho visto de lado
Peugeot 208 GT 2016 [Divulgação]

Focado em economia de combustível, o conjunto mecânico tinha 90 cv e podia anotar consumo nos arredores de 17 km/l. Outro chamariz foi a estreia da versão GT. Pensada para ter desempenho aprimorado, ele tinha o motor 1.6 THP de 173 cv como maior aliado. Dado seu baixo peso, o hatch chegava aos 100 km/h em menos de oito segundos. Mesmo com todos esses destaques, o Peugeot 208 não tinha o destaque merecido e seguia esquecido ante os rivais.

Mudança 360°

Em 2019, a Peugeot revelou a segunda e atual geração do 208. Maior do que a primeira, sua nova vida seguia apostando em desenho mais sofisticado do que seus rivais. Um das novidades do visual estava na dianteira. Além da grade ampla, ele tinha os DRL’s em formato de dente de sabre. Já a traseira trazia as lanternas interligadas e escurecidas, algo que está vivo até hoje.

Já em 2021, a antiga PSA se juntou com o grupo FCA e ambos passaram a fazer parte da Stellantis. Ou seja, foi nesta época que o 208 se aproximou de modelos da Fiat, Jeep e outras marcas. E aqui marca o início de mais uma mudança em sua vida.

Peugeot 208
Peugeot 208 Like 2024 [Divulgação]

Ele seguiu como acessível, só que com pegada mais premium do que um Fiat Argo, por exemplo. Além disso, o Peugeot 208 passou a usar componentes de modelos consagrados. Assim, a Stellantis esperava que sua aceitação no Brasil aumentasse. Isso de fato aconteceu, principalmente pelo status mais elegante que ele imprimia do que seus oponentes.

Foi neste período que a marca trouxe sua variante elétrica. Assim como o 208 a combustão, o elétrico se destacava pelo desenho sofisticado e potência embarcada. Ele tinha 136 cv, bateria de 50 kWh e autonomia que superava os 250 km. Todavia, essa versão chegou custando mais de R$ 240 mil, algo que impediu seu sucesso.

Peugeot e-208 GT [Auto+ / João Brigato]
Peugeot e-208 GT [Auto+ / João Brigato]

E hoje?

Em 2024, ele passou por uma reestilização e ficou com visual ainda mais imponente. Agora, o hatch francês tem DRL’s que imitam a garra de um leão e dianteira mais invocada. Além disso, ele não perdeu a essência de esportivo. Recentemente, ele até ganhou motorização semi-híbrida, algo que nenhum rival direto tem.

Mesmo tendo diversos predicados, como valores atrativos (ele parte de R$ 105 mil, mas é encontrado com bônus no site e nas lojas) e diversos itens de série, o passado da Peugeot assombra o 208. O fato é que o compacto merecia mais destaque, principalmente para quem busca um modelo acessível e não quer passar despercebido nas ruas.

Peugeot 208 Hybrid na cor cinza escuro no gramado estático
Peugeot 208 Hybrid [Auto+/Luiz Forelli]

Você gosta do 208? Acha que ele merecia mais destaque por aqui? Conte nos comentários

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Felipe Yamauchi

Formado em jornalismo, é muito curioso e gosta de entender como tudo funciona. Como jornalista, já trabalhou no ramo de entretenimento, saúde, embarcações e agora fala de carros de uma segunda-feira até a outra sem nenhum problema. É um entusiasta da onda de SUVs.

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