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Evitar canibalização

Chery explica como evitará disputa entre marcas no Brasil

Com Omoda, Jaecoo, iCAUR e Lepas, fabricante chinesa aposta em públicos diferentes, preços e redes próprias para evitar que seus carros concorram entre si

5 min de leitura

O grupo Chery está aumentando sua presença no Brasil com uma quantidade enorme de marcas. Além da Omoda & Jaecoo, que já comercializam seus veículos por aqui, a fabricante prepara a chegada da iCAUR e da Lepas em 2027. Isso sem contar a Jetour, que pertence ao mesmo conglomerado chinês, mas atua de maneira independente no país.

Com tantos nomes e uma oferta cada vez maior de SUVs eletrificados, como uma marca não roube os clientes da outra? Afinal, de pouco adiantaria lançar vários modelos se todos acabassem disputando o mesmo consumidor, principalmente em faixas de preço semelhantes.

Durante uma entrevista com jornalistas brasileiros em Wuhu, na China, Guibing Zhang, presidente da Chery International, explicou que a estratégia será justamente separar o público de cada fabricante. Segundo ele, o grupo não espera que todas as marcas tenham grandes volumes de vendas, mas que cada uma encontre seu espaço no mercado.

ICaur V25 prata parado de frente
ICaur V25 [Divulgação]

“Estamos tentando mostrar que cada marca é destinada a um tipo diferente de consumidor”, explicou o executivo, que comentou as diferenças de comportamento e preferência entre os compradores.

Nem todas as marcas da Chery precisam vender muito

Na verdade, a Chery pretende trabalhar com posicionamentos comerciais diferentes. Enquanto Omoda e Jaecoo terão uma atuação mais ampla, com produtos voltados a volumes maiores, iCAUR e Lepas deverão atender consumidores com interesses mais específicos.

Lepas L6 laranja de frente
Lepas L6 [Divulgação]

A Omoda, por exemplo, aposta em veículos com desenho mais ousado, futurista, jovem e tecnologias embarcadas, enquanto a Jaecoo quer transmitir uma proposta mais robusta e de certa forma mais conservadora com o chamado clássico off-road. Já a iCAUR terá SUVs de aparência quadrada, com uma identidade aventureira, enquanto a Lepas pretende ocupar uma posição mais sofisticada dentro do grupo.

Isso também deverá aparecer nos preços, equipamentos e até na maneira como cada marca se comunica com seus clientes. Zhang explicou que a própria Chery procura ter equipes com perfis diferentes para trabalhar no desenvolvimento de cada divisão.

Omoda 5 visto de cima estático
Omoda 5 HEV[Divulgação]

“Algumas marcas podem ter apenas uma pequena participação de mercado. Não precisamos necessariamente dizer que elas devem ter uma grande rede de concessionárias ou atingir volumes enormes”, afirmou.

O raciocínio é que nem todos os consumidores procuram o mesmo tipo de carro, mesmo quando os veículos tenham tecnologias ou pertencem a segmentos semelhantes. Assim, uma marca pode trabalhar com produtos mais caros e exclusivos, enquanto outra concentra seus esforços em modelos mais acessíveis.

Menos concessionárias para evitar concorrência interna

Jaecoo 5 verde de frente em movimento na estrada
Jaecoo 5 [Divulgação]

A preocupação da Chery também tem relação com a quantidade de concessionárias espalhadas pelo Brasil. Afinal, aumentar o número de marcas não significa abrir centenas de lojas para cada uma delas.

Segundo Zhang, a rede deverá crescer conforme a demanda de cada fabricante. Nesse caso, Omoda & Jaecoo terão uma estrutura comercial maior, enquanto as marcas de nicho começarão com uma quantidade mais limitada de pontos de venda.

Jetour S08 verde em movimento de traseira
Jetour S08 [Divulgação]

“A iCar e a Lepas também estão chegando ao mercado brasileiro.” “De acordo com o posicionamento de cada marca, vamos desenvolver algo em torno de 50 a 60 concessionárias na primeira etapa.

A decisão também considera a saúde financeira dos concessionários. Isso porque uma rede grande demais pode provocar uma disputa entre lojas da própria marca, reduzindo as margens comerciais e comprometendo a rentabilidade das operações.

Omoda 7 [divulgação]
Omoda 7 [divulgação]

“Precisamos proteger os benefícios e os interesses de todos os nossos concessionários. Precisamos garantir que todos eles tenham bons lucros”, explicou Zhang. Durante a entrevista, os executivos mencionaram uma meta de 150 concessionárias para Omoda & Jaecoo até o final de 2026.

Mas será possível evitar que os carros disputem os mesmos clientes?

Embora a proposta faça sentido comercialmente, o desafio será colocá-la em prática. Afinal, boa parte dos produtos da Chery tem plataformas e componentes compartilhados, permitindo que o grupo desenvolva diferentes veículos sem precisar criar tudo do zero.

Jaecoo 8 [divulgação]
Jaecoo 8 [Divulgação]

O presidente reconheceu essa característica ao explicar que a fabricante consegue modificar o desenho e a proposta de seus carros, mesmo quando eles possuem uma base mecânica semelhante.

Isso ajuda a reduzir custos e acelerar o lançamento de novos modelos, mas também aumenta a importância de diferenciar cada produto. Caso duas marcas ofereçam SUVs de tamanho, equipamentos e preços próximos, a possibilidade de concorrerem pelo mesmo cliente continuará existindo e canibalizando nas vendas.

iCar V27 [divulgação]
iCar V27 [Divulgação]

Por outro lado, Zhang acredita que o comportamento dos consumidores mudou. Segundo ele, principalmente entre os mais jovens, existe uma procura maior por produtos que combinem com a personalidade de cada comprador.

“Os jovens não gostam de simplesmente seguir as outras pessoas. Se eles percebem que muitas pessoas estão comprando determinado carro, podem pensar: Não, eu não gosto disso. Não quero comprar o mesmo carro. Quero comprar algo diferente. E isso nos leva à questão das diferentes marcas que mencionei.”

Você acha que existe espaço para tantas marcas do grupo Chery no Brasil? Conte nos comentários.

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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