As fabricantes chinesas deixaram claro que têm ambições grandes, e não escondem isso. Vimos de perto esse movimento no Salão de Pequim, na China, onde tecnologia, telas gigantes e motores novos aparecem em um ritmo cada vez mais acelerado. E a Chery, com a Omoda & Jaecoo, está olhando exatamente para esse cenário.
O Auto+ esteve na China, no centro de pesquisa e desenvolvimento da marca em Wuhu, onde conversou com o Dr. Yunfei Luan, diretor e chefe de powertrain internacional da Chery Automotive, que deu pistas importantes sobre o futuro da marca no Brasil, especialmente para Omoda & Jaecoo.
Motores menores fazem sucesso por aqui
No Brasil, não adianta apenas ter tecnologia,telas enormes ou motores potentes e econômicos. Para ter sucesso por aqui, as marcas também precisam entender como adaptar tudo isso ao nosso mercado. Um dos grandes êxitos em nosso país são os motores 1.0 turbo.

No Brasil, eles fazem sucesso porque são mais baratos, mais simples de manter e, ao mesmo tempo, conseguem entregar eficiência sem abrir mão do desempenho quando bem calibrados.
Com isso, um motor menor diminui peso e melhora consumo, além de facilitar manutenção e custo de produção. Todavia, precisam de engenharia certa para lidar com a vibração excessiva, temperatura e durabilidade.

Por outro lado, motores aspirados em carros grandes, como SUVs, já não atendem mais às expectativas do consumidor, então entra o turbo como uma solução. O turbocompressor aumenta a pressão de admissão, melhora a a eficiência volumétrica e entrega mais potência mesmo em blocos compactos.
Precisa entender o Brasil e o brasileiro
Uma das questões que o Dr. Luan levantou é justamente essa: adaptar motores ao nosso mercado. Segundo ele, não basta pegar um motor global e aplicar no Brasil, porque o país tem soluções específicas, principalmente por causa do etanol, das regras locais e até do comportamento do consumidor.
“Você precisa garantir que o sistema de combustível consiga se adaptar a 100% de álcool.”
O sistema de motores precisam lidar com um combustível mais corrosivo devido ao etanol que já está em 30% em nosso país, além da maior presença de água, o que muda, e muito, o comportamento do carro. Ou seja, não é adaptação simples de se fazer, é praticamente uma reengenharia completa do propulsor.
Quando questionado sobre desenvolvimento de motores para o nosso mercado, o Dr. Luan revelou que a marca trabalha, além do 2.0, em um motor menor.
“Estamos em desenvolvimento em um 2.0 para veículos grandes e também vamos fazer um 1.0 também”
Ao perguntar se o motor será turbo, ele confirmou:
“Sim, turbo, isso é bom para o Brasil. Para motores menores, você precisa de turbo. Caso contrário, as pessoas reclamam.”
Ele explica que esse fator de trazer um motor 1.0 turbo em nosso mercado conversa diretamente com a questão fiscal.
“Em alguns países, há benefício fiscal se você usa um motor 1.0. E para isso, se você quer reduzir o tamanho, precisa de turbocompressor.”
Por outro lado, não devemos esperar isso tão cedo. O diretor deixou claro que esse motor ainda está em desenvolvimento e vem depois dos demais. Segundo ele, devemos aguardar isso para 2028.
Casaria perfeitamente com Omoda 2

E esse propulsor se casaria perfeitamente com o projeto do Omoda 2, um SUV menor da marca confirmado no Salão de Pequim e no lançamento global do Omoda 4.
Mr. Shawn Xu, CEO global da Omoda Jaecoo, confirmou ao Auto+ que devemos esperar somente crossover da marca por agora, e que o Omoda 2 terá algo em torno dos 4,20 metros de comprimento, posicionado abaixo do Omoda 4.
“Neste momento, ainda não podemos divulgar para a mídia, pois está em uma fase muito inicial. Ele terá algo em torno de 4,2 metros. Hoje, por exemplo, o Omoda 5 tem 4,5 metros. O Omoda 4 tem 4,4. Esse ficará com cerca de 4,2 metros, talvez até menos.”
Eletrificação é a dúvida

A grande dúvida que ficou no ar foi sobre a eletrificação do motor 1.0 turbo. Quando perguntado, Dr. Luan hesitou:
“Eu não sei. Neste momento, acho que é apenas combustão. Preciso verificar se é combustão ou híbrido.”
Ou seja, aparentemente nem internamente isso está totalmente definido. Ainda assim, faz sentido pensar em uma estratégia já conhecida. Por exemplo, o Omoda 4 e Jaecoo 5 devem usar versões a combustão e também híbridas, então repetir essa lógica em um SUV menor seria esperado também.

O próprio presidente da O&J também confirmou que Omoda 2 terá diversas variantes, uma delas híbrida.
“Vamos ter versões BEV (100% elétricas), HEV (híbridas) e também versões com motor a combustão (ICE).”
Nesse cenário, não seria absurdo imaginar um 1.0 turbo com eletrificação, entregando algo na casa de 135 cv e cerca de 20 kgfm, compensando a menor cilindrada com auxílio elétrico.
O Omoda 2 ainda não foi confirmado para o Brasil, mas, Mr. Xu, deixou claro que existe possibilidade.
“Com certeza, ele será adequado para o mercado brasileiro.”
O mesmo discurso apareceu com Roger Corassa, vice-presidente executivo da marca no Brasil, que reforçou que há espaço, embora ainda seja cedo para cravar qualquer plano.
E você, acredita que um SUV compacto com motor 1.0 turbo, com ou sem eletrificação, faria sentido no Brasil hoje? Deixe seu comentário!



