A Honda está com o forno ligado esquentando a nova geração da sua picape Ridgeline que poderia muito bem enfrentar Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10 aqui no Brasil, mas sem seguir a receita tradicional deste grupo. Em vez do chassi de longarinas, a próxima Ridgeline deve manter a construção monobloco, solução que conhecemos bem no Brasil que nasceu na Fiat Toro.
Enquanto a Hilux nasceu para encarar carga, reboque, fazenda e terrenos pesados, a Ridgeline sempre priorizou conforto, espaço e facilidade de uso no dia a dia. Assim como acontece com as picapes intermediárias: Toro, Ram Rampage, Ford Maverick e as futuras Renault Niagara e Volkswagen Tukan
Ainda assim, ambas disputam o consumidor norte-americano das picapes médias, mesmo chegando ao resultado por caminhos completamente diferentes. Até porque ela tem dimensões de picape média, com 5,33 metros de comprimento. Ou seja, maior que os 5,32 de uma Hilux e quase os 5,35 m de uma Ranger.
![Honda Ridgeline [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2022/05/honda_ridgeline_sport_hpd_package_39_edited-1200x720.jpg)
Desta forma, a Honda confirmou que trabalha na terceira geração da Ridgeline, prevista para chegar dentro dos próximos dois anos. A fabricante ainda não revelou motor, plataforma ou equipamentos, porém repetiu várias vezes que o novo modelo terá desenho e capacidades ainda mais robustos.
Nova Ridgeline quer finalmente parecer uma picape
A primeira imagem divulgada pela Honda mostra apenas a silhueta, embora já deixe claro a mudança de postura. O capô parece mais plano, a dianteira ficou vertical e o para-brisa ganhou uma posição mais reta, deixando a carroceria menos parecida com um SUV que recebeu uma caçamba no final.

Não por acaso, a fabricante praticamente ignorou, nesse primeiro anúncio, as soluções que tornaram a Ridgeline famosa. Por exemplo, a tampa tem duas formas de abertura, os porta-objetos fechado sob o piso da caçamba e suspensão independente nas quatro rodas sequer foi comentada. Agora a robustez a japonesa bateu forte na tecla para tentar convencer o cliente americano que ela vai conseguir oferecer conta as rivais.
A percepção de uma picape que aguente o tranco é um argumento forte nesse segmento porque, mesmo quando raramente carregam peso ou saem do asfalto, o proprietário quer algo forte e robusto. Portanto, uma dianteira quadrada, caixas de roda marcadas e posição mais vertical podem influenciar tanto quanto números de carga e reboque.

Esse caminho lembra o adotado pela Honda no novo Passport, que abandonou as linhas arredondadas e assumiu um visual bem mais parrudo. A próxima Ridgeline deve ter a mesma lógica, com menos aparência de crossover e mais elementos associados às picapes tradicionais.
O que significa uma picape monobloco?
Embora o desenho tente aproximá-la de Hilux e Ranger, tudo indica que a nova Honda Ridgeline continuará monobloco. Nesse tipo de construção, a estrutura e a carroceria formam uma peça única, sem um chassi separado sustentando cabine e caçamba.
![Honda Ridgeline [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/08/honda_ridgeline_sport_hpd_package_61_edited-1200x719.jpg)
Isso não quer dizer que a caçamba não exista ou que ela faça parte do habitáculo. Visualmente, continuam sendo áreas distintas, porém toda a estrutura trabalha em conjunto, como acontece em um SUV ou automóvel convencional.
A Fiat Toro usa exatamente essa solução no Brasil. Quando lançou o modelo, a Fiat combinou estrutura monobloco com suspensão traseira independente, justamente para entregar comportamento mais próximo ao de um SUV, sem abrir mão da área de carga. E graças a isso ela redefiniu o olhar para caminhonetes e abriu um novo segmento.

Já uma Toyota Hilux, Chevrolet S10 ou Ford Ranger usam carroceria sobre chassi. Nesse caso, as longarinas de aço atravessam o veículo e sustentam separadamente cabine, conjunto mecânico e caçamba, formando uma base mais adequada para trabalho pesado.
Basta olhar uma Hilux de lado para perceber um pequeno espaço entre a cabine e a caçamba. Essa divisão existe porque as duas partes estão presas ao chassi, mas não formam uma única carroceria como na Toro ou na Ridgeline.
Cada um para seu uso

A vantagem aparece quando a picape recebe carga, enfrenta torções fortes ou passa diariamente por estradas ruins. O chassi absorve parte desse esforço e permite usar estruturas mais resistentes, além de facilitar diferentes configurações de cabine e caçamba.
Por outro lado, essa separação também influencia o comportamento do veículo. Sem carga na traseira, uma picape de longarinas tende a balançar e quicar mais, principalmente quando usa eixo rígido e feixes de molas.
![Honda Ridgeline 2020 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/01/honda_ridgeline_53_edited-1200x720.jpg)
Isso aparece em ruas esburacadas, lombadas e ondulações de estrada, onde a traseira pode perder contato com o piso por alguns instantes. Em velocidades maiores, o motorista também sente mais movimentos da carroceria, algo natural em um veículo pensado para suportar peso.
A construção monobloco tira parte desse comportamento porque a carroceria trabalha como um conjunto mais rígido. Além disso, ela facilita a adoção de suspensão independente, que permite a cada roda reagir ao piso sem transferir todo o impacto para o outro lado. Ou seja, mais conforto.
![Honda Ridgeline 2018[divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/01/honda_ridgeline_2_edited-1200x720.jpg)
Porém, por outro lado, menos peso também. A atual Ridgeline suporta até 690 kg. Ou seja, menos que os 720 kg de uma Fiat Strada que é compacta e também com proposta de trabalho.
Honda ainda não revelou o motor
Ainda não sabemos também sobre a motorização da terceira geração da picape. A atual Ridgeline usa um V6 3.5 aspirado com 280 cv, câmbio automático de nove marchas e tração integral. A lógica seria a adoção do V6 mais recente usado por Pilot e Passport, possivelmente acompanhado por algum nível de eletrificação.
E você, gostaria de ver uma picape da Honda no Brasil? Deixe seu comentário!


