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Nasceu primeiro que a Toro

Renault Oroch sai de linha após 11 anos e dá adeus ao Brasil

Picape que inaugurou o segmento das intermediárias encerrou sua produção no Paraná e dará lugar à nova Renault Niagara, que chega em novembro

8 min de leitura

Depois de 11 anos de mercado, a Renault finalmente decretou o fim da Oroch no Brasil. A picape, que inaugurou o segmento das intermediárias e chegou antes mesmo da Fiat Toro, encerrou definitivamente sua produção em outubro na fábrica de São José dos Pinhais (PR). A confirmação partiu da própria fabricante, que agora prepara a chegada da Niagara para ocupar seu lugar.

Apesar do encerramento da fabricação, a Oroch continua aparecendo no site oficial da Renault e ainda pode ser encontrada nas concessionárias, mas apenas enquanto houver unidades em estoque. A despedida acontece em meio à transformação da francesa no Brasil, que vem abandonando gradualmente os projetos mais antigos, derivados da linha Dacia, para apostar em modelos mais modernos e de maior valor agregado.

Essa mudança começou com o Kardian, continuou com o Boreal e agora chega ao segmento das picapes com a Niagara. A novidade já foi apresentada na Argentina e terá seus preços e versões brasileiras divulgados em 10 de novembro, enquanto as primeiras unidades devem chegar às lojas até o final do mês.

Renault Oroch chegou antes da Fiat Toro e criou um segmento

Renault Duster Oroch (Divulgação)

A história da Oroch começou em setembro de 2015, quando a Renault apresentou uma picape que fugia das opções tradicionais do mercado brasileiro. Até então, quem procurava uma caminhonete precisava escolher entre modelos compactos, como Fiat Strada e Volkswagen Saveiro, ou partir para picapes médias bem maiores e mais caras, como Toyota Hilux e Chevrolet S10.

Foi nesse espaço que a Renault encontrou uma oportunidade. Desenvolvida a partir do Duster, a novidade combinava a construção monobloco de um SUV com uma cabine dupla de quatro portas, cinco lugares e uma caçamba de 683 litros. 

Renault Oroch [divulgação]
Renault Oroch [Divulgação]

Além disso, oferecia suspensão traseira independente multilink, algo nada comum entre as picapes mais acessíveis daquela época. A proposta era atender tanto quem precisava de uma caminhonete para trabalhar quanto quem procurava um carro familiar, mas não queria abrir mão da caçamba nos finais de semana. 

Barata e fácil de manter para época

Na estreia, ainda com o nome Duster Oroch, a linha começava em R$ 62.290 e oferecia os motores 1.6 e 2.0 aspirados. O primeiro entregava 110/115 cv e 15,1/15,9 kgfm de torque, enquanto o segundo desenvolvia 143/148 cv e 20,2/20,6 kgfm (gasolina/etanol). O câmbio era manual de cinco marchas nas versões 1.6 e seis marchas nas configurações 2.0.

automáticos (Etios, Tiggo 2, Jimny e Oroch,)
Renault Duster Oroch [Divulgação]

Todas tinham tração dianteira, embora a Renault também tivesse planos de oferecer uma versão 4×4, que nunca chegou ao mercado brasileiro. Entretanto, a vantagem de ter estreado primeiro durou pouco. Em fevereiro de 2016, a Fiat colocou a Toro nas concessionárias com um projeto mais refinado, motores mais potentes e opções de câmbio automático, diesel e tração integral.

O resultado apareceu rapidamente nas vendas. Em 2016, melhor ano comercial da Oroch, a Renault emplacou 14.247 unidades, enquanto a Toro chegou 41.289 exemplares. Ou seja, falamos de quase três vezes mais de emplacamentos só no primeiro ano.

Não conseguiu acompanhar a concorrência

Renault Duster Oroch [Divulgação]

Mesmo sem alcançar o sucesso da Fiat Toro, a Oroch encontrou seu público, principalmente entre os consumidores que procuravam uma picape de cabine dupla mais acessível. Por isso, a Renault continuou atualizando o modelo ao longo dos anos, embora nunca tenha promovido uma mudança completa de geração.

Ainda em 2016, o motor 2.0 recebeu uma opção de câmbio automático de quatro marchas, enquanto a família 1.6 passou a ter o conjunto SCe, que entregava 118/120 cv e 16,2 kgfm de torque. Já em 2017, a fabricante ampliou a gama com a versão Express, voltada principalmente ao trabalho e às vendas diretas.

carros
Renault Oroch 2023 [Divulgação]

Entretanto, a maior transformação aconteceu em abril de 2022. Naquela ocasião, a picape perdeu o nome Duster, ganhou uma dianteira redesenhada, novos materiais internos e uma central multimídia de oito polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

Motor turbo

A Renault também aproveitou para substituir o antigo motor 2.0 aspirado pelo 1.3 TCe turbo flex, desenvolvido em parceria com a Mercedes-Benz. O propulsor entregava 162/170 cv e 27,5 kgfm de torque, associado ao câmbio automático CVT com oito marchas simuladas. Esse conjunto equipava a versão Outsider, que passou a ser a configuração mais cara e potente da linha.

Renault Oroch 2023 [divulgação]
Renault Oroch 2023 [divulgação]

Enquanto isso, o motor 1.6 continuou atendendo quem procurava uma opção mais barata, principalmente com câmbio manual de seis marchas. Em 2024, a Renault ainda apresentou a versão Iconic 1.6, que combinava os equipamentos da Outsider com o motor aspirado e a transmissão manual. A ideia era oferecer uma configuração mais equipada sem cobrar o preço do conjunto turbo.

Todavia, o motor 1.3 acabou deixando a gama brasileira em 2025. Com isso, a Oroch passou a depender exclusivamente do 1.6 SCe, em um mercado que as concorrentes já ofereciam motores turbo, transmissões automáticas e projetos mais recentes. 

Renault Oroch 2023 [divulgação]

A linha 2027 ainda trouxe pequenas atualizações com o sistema E-Grip, que melhora a tração em pisos de baixa aderência por meio do controle eletrônico de frenagem — algo parecido com o sistema TC+ da Strada. Mas, depois de tantos anos, já não havia espaço para outra atualização superficial.

Renault Oroch se despede com motor 1.6 e três versões

Em seus últimos meses de produção, a Oroch continuava disponível nas versões Pro, Intense e Iconic. Na tabela, os preços partem de R$ 126.690, R$ 134.390 e R$ 140.790, respectivamente. Todas tem debaixo do cofre o 1.6 SCe aspirado de quatro cilindros, com 109/112 cv e 15,6 kgfm de torque, combinado ao câmbio manual de seis marchas e tração dianteira.

Renault Oroch Iconic 1.6 [Auto+ / João Brigato]
Renault Oroch Iconic 1.6 [Auto+ / João Brigato]

A caçamba continua oferecendo 683 litros, com capacidade de carga de até 678 kg, dependendo da versão. O espaço interno para cinco pessoas e a suspensão traseira multilink também permaneceram como características. Apesar das limitações mecânicas, a Oroch conseguiu manter uma demanda relativamente constante durante boa parte de sua carreira. 

Entre 2017 e 2025, suas vendas geralmente ficaram próximas de 11 mil a 13 mil unidades por ano, mesmo com o avanço da Fiat Toro e a chegada de outros concorrentes, como a Chevrolet Montana. 

Renault Oroch Iconic 1.6 [Auto+ / João Brigato]

Em 2025, por exemplo, a Renault emplacou 11.624 unidades, enquanto a Toro passou de 52 mil. Já no acumulado de janeiro a outubro de 2026, a Oroch somou 8.553 registros. Ao longo de toda sua trajetória, a picape acumulou cerca de 131 mil emplacamentos no Brasil.

Renault Niagara será maior

A substituta da Oroch tem a construção monobloco, mas praticamente tudo muda no restante do projeto. A Renault Niagara utiliza a plataforma modular RGMP, compartilhada com Kardian e Boreal, e será produzida na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina.

Renault Niagara versus Renault Oroch, uma lado a lado, de frente, em um gramado
Renault Niagara vs Renault Oroch [Divulgação]

A nova picape mede até 4,94 metros de comprimento, algo em torno de  24 cm a mais que a Oroch, enquanto a distância de entre-eixos chega a 2,96 metros, contra os 2,82 metros da antecessora. Com isso, a Renault aproveitou a nova arquitetura para oferecer uma cabine maior e ampliar a capacidade de transporte.

A caçamba, por exemplo, cresceu de 683 para 938 litros, embora a capacidade de carga da Niagara fique em até 654 kg, dependendo da configuração. Ou seja, a sucessora transporta mais volume, mas não necessariamente mais peso que a Oroch.

Mais moderna e terá opção 4×4

Renault Niagara estática na terra
Renault Niagara [Divulgação]

Debaixo do capô, a Niagara destinada ao Brasil terá o motor 1.3 turbo flex de até 160 cv e 27,5 kgfm de torque. A versão de entrada terá câmbio manual de seis marchas, enquanto as configurações superiores terão transmissão automatizada de dupla embreagem, também com seis velocidades.

Outra novidade importante será a opção de tração integral 4×4, que nunca esteve disponível na Oroch brasileira. A Niagara ainda terá um interior mais moderno, com painel digital, central multimídia de 10,1 polegadas e Google integrado, dependendo da versão.

Renault Niagara interior
Renault Niagara [Divulgação]

Com isso, a Renault quer disputar consumidores diretamente com Fiat Toro, Ram Rampage, Ford Maverick e Chevrolet Montana, além de se preparar para a chegada de novas concorrentes, como Volkswagen Tukan, BYD Mako e Toyota Corolla Deck.  A fabricante também planeja uma versão híbrida para 2027.

Por outro lado, toda essa evolução virá acompanhada de um posicionamento comercial superior ao da Oroch, que sempre apostou no preço como um de seus principais argumentos.

E você, acha que a Renault Oroch vai fazer falta no mercado brasileiro ou a Niagara chega na hora certa? Comente sua opinião abaixo! 

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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