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Quer se diferenciar

Nova Volkswagen Amarok 2028 tem interior flagrado com três telas 

Flagra revela cabine inédita da Amarok 2028, que terá solução diferente da picape chinesa que serve de base ao novo projeto

7 min de leitura

A nova Volkswagen Amarok ainda tenta esconder muita coisa debaixo da camuflagem, mas seu interior foi levemente revelado antes da hora. E, pelo jeito, a mudança será diferente de pegar o interior da picape chinesa que lhe serve como base e colocar o logo da Volkswagen. Ela será completamente diferente, mas usando soluções já vistas pela SAIC

A picape que segue rodando em testes pelo Brasil e pela Argentina antes da estreia prevista para 2027 teve imagens divulgadas pelos colegas da Quatro Rodas que mostram que a Volkswagen preparou uma cabine com três telas lado a lado. Uma será o painel de instrumentos, outra ficará no centro e a terceira será exclusiva para o passageiro. 

E embora a nova Amarok utilize a arquitetura da Maxus Interstellar X, desenvolvida pela chinesa SAIC, ela não vai simplesmente copiar o interior da caminhonete asiática como vimos com a Ram Dakota, também um projeto chinês, que pegou muita semelhanças da picape chinesa Changan Hunter e trocou o logo pelo carneirinho. 

Volkswagen Amarok flagra na Argentina em versão mais simples
Nova Volkswagen Amarok [Reprodução]

Na verdade, a própria Interstellar X trabalha com uma solução mais simples, formada por duas telas. Portanto, para deixar a Amarok com uma aparência mais tecnológica, a Volkswagen buscou outra referência dentro da própria SAIC. 

Três telas não vêm da picape chinesa

Essa arquitetura visual da cabine já aparece em minivans da Maxus, especialmente na Mifa 7 e também na G70. Até agora, porém, nenhuma picape da fabricante chinesa utiliza exatamente essa configuração. Com isso, a Volkswagen começa a mostrar como pretende diferenciar a Amarok da caminhonete que cede sua base. 

Interior Volkswagen Amarok 2028 de noite com três telas
Volkswagen Amarok [Reprodução/Quatro Rodas]

Afinal, desde o começo do projeto, a marca insiste que teremos muito mais do que uma Maxus com logotipos diferentes. O flagra mostra uma divisão entre a central multimídia e a tela do passageiro, além do painel digital diante do motorista. 

Em outra imagem, embora a Volkswagen tenha escondido boa parte da cabine com tecidos, também aparece espaço suficiente para esse terceiro display.  Isso não significa automaticamente que ela terá acabamento melhor do que Toyota Hilux, Ford Ranger ou Chevrolet S10, afinal tela grande não determina qualidade de cabine. 

Interior Volkswagen Amarok 2028 de noite com três telas
Volkswagen Amarok [Reprodução/Quatro Rodas]

Visualmente, porém, a Amarok deve passar uma impressão mais tecnológica do que as três principais rivais. Até porque as próximas picapes médias no mercado brasileiro virão ou já são de projetos chineses.

Além das já conhecidas BYD Shark e GWM Poer P30, que são de fato de montadoras chinesas, a Fiat trouxe a Titano que é uma Changan Hunter assim como a nova Ram Dakota. Além disso, a nova geração da Nissan Frontier também será chinesa em parceria com a Dongfeng (DFM). 

Volante pode ser diferente de um Volkswagen

Maxus Mifa 7
Maxus Mifa 7 [Divulgação]

Curiosamente, assim como as telas não terão aquela aparência que normalmente associamos a um Volkswagen, o volante também deve ser diferente. Diante de outro flagra também, foi revelado que o volante deverá praticamente repetir a peça usada pela Maxus Interstellar X. 

Embora trata-se de um protótipo, esse pode ser o desenho final do volante da nova geração da Amarok. Assim, ele foge bastante dos volantes atuais da marca alemã e, além disso, trabalha com comandos físicos grandes nas duas laterais.  De um lado ficam controles do sistema de som. Do outro, aparecem comandos ligados ao piloto automático adaptativo e demais assistentes.

Volkswagen Amarok flagra na Argentina em versão mais simples
Nova Volkswagen Amarok [Reprodução]

Além disso, logo abaixo da central multimídia existe uma pequena fileira de botões físicos, outra solução herdada da Interstellar X. Tudo indica que eles ficarão responsáveis principalmente pelos comandos do ar-condicionado. 

Nesse caso, é até uma escolha interessante. A Volkswagen pode colocar três telas enormes no painel sem jogar absolutamente todas as funções dentro da multimídia, algo que as chinesas são profissionais em fazer e tira a praticidade no dia a dia.

Base é chinesa, mas Amarok terá bastante desenvolvimento local

Nova Volkswagen Amarok camuflada de traseira andando na estrada
Nova Volkswagen Amarok [Thiago Carvalho]

A próxima Amarok da América do Sul não será a mesma vendida atualmente na Europa, Austrália e outros mercados, que utilizam a plataforma da Ford Ranger. Por aqui, a Volkswagen teve que escolher outro caminho após não ter o sucesso de fazer a Amarok vista na Europa por aqui. 

A nova geração utilizará a arquitetura da Maxus Interstellar X, fruto da parceria de décadas que o Grupo Volkswagen mantém com a SAIC na China. No entanto, o desenvolvimento final está acontecendo na América do Sul. 

Volkswagen Amarok flagra na Argentina em versão mais simples
Nova Volkswagen Amarok [Reprodução]

Inclusive, Alexander Seitz, chairman executivo da Volkswagen para a região, afirmou que 50% dos componentes do projeto foram desenvolvidos no Brasil. O desenho também passou pelas mãos da equipe regional comandada por José Carlos Pavone, responsável pela Tukan, Nivus, Tera, entre outros. 

Por isso, os protótipos aparecem tanto nas estradas brasileiras e argentinas. A Volkswagen mexe em direção, suspensão, calibração e comportamento dinâmico para tentar manter uma característica importante da Amarok atual: dirigir mais próximo de um SUV do que muitas picapes médias.

Volkswagen Amarok flagra na Argentina em versão mais simples
Nova Volkswagen Amarok [Reprodução]

Ao mesmo tempo, a nova base permitirá crescer. Caso mantenha as proporções da Interstellar X, a caminhonete ficará próxima dos 5,55 metros de comprimento, cerca de 30 cm além da Amarok atual. 

Amarok híbrida pode passar dos 470 cv

É na mecânica, porém, que a Volkswagen prepara a mudança mais radical. Em Barretos, a fabricante confirmou oficialmente duas informações: a próxima Amarok terá eletrificação e será a mais potente já produzida. Com isso, estamos falando em superar com folga o atual V6 3.0 turbodiesel de 258 cv e 59,1 kgfm.

Volkswagen Amarok flagra na Argentina em versão mais simples
Nova Volkswagen Amarok [Reprodução]

Segundo apuração do Motor1 Brasil, a configuração mais forte deverá receber o nome Amarok 800 TSI. O número faria referência aos 800 Nm de torque, equivalentes a 81,6 kgfm, enquanto a potência combinada ultrapassaria os 470 cv. Além disso, a expectativa é de aceleração de 0 a 100 km/h abaixo dos cinco segundos. 

Para colocar isso em perspectiva, a atual Amarok V6 já é uma das picapes médias mais rápidas do país. Ainda assim, essa nova configuração entraria em outro patamar e superaria até a Ford Ranger Raptor em aceleração.

Volkswagen Amarok flagra na Argentina em versão mais simples
Nova Volkswagen Amarok [Reprodução]

A apuração aponta para um sistema híbrido plug-in, combinando motor turbo a gasolina e propulsão elétrica. Neste caso, portanto, os 800 TSI também marcariam uma quebra importante com a tradição diesel que acompanhou a Amarok desde seu lançamento. 

E o V6, vai desaparecer?

Ainda não dá para dizer isso. A engenharia quer adaptar o V6 à plataforma chinesa, justamente porque o seis-cilindros se tornou um dos maiores argumentos comerciais da Amarok no Brasil. O problema está nas novas regras de emissões. Para continuar vivo depois de 2027, o motor precisará passar por uma nova calibração e, consequentemente, isso envolve custo de desenvolvimento.

Teaser da Nova Volkswagen Amarok
Teaser da nova Volkswagen Amarok [Divulgação]

Por isso, hoje existem dois caminhos diferentes dentro do projeto. De um lado está a eletrificação, já confirmada pela Volkswagen e que deverá gerar a futura versão de desempenho. Do outro, aparece a tentativa de preservar o V6 para quem ainda busca uma picape diesel tradicional. A própria plataforma ajuda, porque nasceu preparada para diferentes tipos de motorização. 

Nova Amarok chega em 2027

A produção continuará em General Pacheco, na Argentina, onde a Volkswagen investe US$ 580 milhões para colocar o novo projeto nas ruas. O Brasil continuará como um dos principais destinos da caminhonete. 

Você prefere a nova Amarok híbrida com mais de 470 cv ou ainda ficaria com o conhecido V6 turbodiesel? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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