A JAC chegou muito perto de colocar um novo carro elétrico nas ruas brasileiras, mas desistiu antes da estreia. O E-JS3 já rodava em testes, passou pelo processo de homologação e até chegou às concessionárias, porém a fabricante engavetou o projeto por tempo indeterminado. E, segundo a própria marca, a BYD teve uma participação indireta nessa história.
De acordo com as informações apuradas pelo Motor1.com, Nicolas Habib, COO da JAC Motors Brasil, acredita que o enorme barulho provocado pela BYD e por outras fabricantes chinesas ajudou a acelerar a discussão sobre os impostos dos carros importados. O problema é que essa mudança aconteceu justamente enquanto a JAC preparava o E-JS3 para brigar com o BYD Dolphin Mini e Geely EX2.
Desde julho deste ano, os carros elétricos importados passaram a pagar 35% de Imposto de Importação, concluindo assim o processo de aumento gradual prometido, que teve início em 2024. Portanto, aquele carro que a JAC começou a planejar dentro de uma realidade tributária acabou ficando mais caro na conta devido a esses impostos. Assim, a conta não fechou.
BYD fez barulho demais?
![JAC Yiwei 3 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/jac-yiwei-3-novo-carro-eletrico-2_edited-edited.webp)
Habib não culpa simplesmente a BYD por vender carros baratos. Na verdade, a avaliação do executivo passa muito mais pela dimensão que a fabricante conseguiu alcançar no Brasil e por todo o barulho criado ao redor dessa expansão.
Como a BYD investiu muito em publicidade, marketing, grandes campanhas, preços altamente competitivos, seus carros elétricos, especialmente o Dolphin, cresceu muito nas vendas graças a esses fatores, além de trazer ótima lista de equipamentos por valores competitivos.
![JAC Yiwei 3 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/jac-yiwei-3-novo-carro-eletrico-4_edited-edited.webp)
Quando ele chegou, o mercado brasileiro de carros elétricos acessíveis ainda tinha muitos modelos pequenos, caros e com autonomia limitada, como era o caso do E-JS1, que na época custava R$ 135.900 e abaixou em agosto de 2023 para R$ 126.900. Preço esse muito alto para um elétrico pequeno que oferece apenas 161 km de autonomia no ciclo Inmetro.
Com o avanço da BYD com carros cada vez mais acessíveis ao consumidor, ela mudou a referência do mercado, obrigando, indiretamente, as fabricantes já estabelecidas no mercado brasileiro a abaixarem os preços de seus veículos e fazendo os carros chineses entrarem no centro da discussão do setor.
![JAC Yiwei 3 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/jac-yiwei-3-novo-carro-eletrico-5_edited-edited.webp)
Segundo o executivo da JAC, toda essa movimentação também aumentou a pressão dentro da própria indústria, principalmente na discussão sobre a volta da tributação dos importados. Ele sabia que a alíquota zero não duraria para sempre. A questão, de acordo com Habbib, foi a velocidade com que o cenário mudou e fazendo a tributação voltar ao tema e assim, indiretamente, atrapalhando os cronogramas da JAC em volta do E-JS3
E-JS3 chegou a ficar praticamente pronto para o Brasil
O E-JS3 rodou pelo Brasil, avançou na homologação e algumas unidades chegaram à sede da fabricante no bairro do Limão, em São Paulo. A previsão chegou a apontar para uma estreia em 2026, com duas versões. O Auto+, inclusive, registrou flagras do modelo em abril de 2023 como mostram as imagens.

O hatch seria justamente uma evolução importante diante do veterano E-JS1. Conhecido como Yiwei 3 na China e E30X em outros mercados, ele nasceu sobre uma plataforma dedicada para carros elétricos e tem desenho muito mais atual e com linhas arredondadas. São 4,02 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,56 m de altura e 2,62 m de entre-eixos.
Tela de 15,6 polegadas e até 136 cv
Por dentro, o painel tem uma enorme central multimídia de 15,6 polegadas, desenvolvida em parceria com a Huawei. Além disso, até a configuração de entrada estudada para o Brasil teria banco do motorista com ajuste elétrico e rodas de liga leve.

Já a versão mais cara acrescentaria teto panorâmico, rodas maiores e uma bateria de maior capacidade. No exterior, existem conjuntos com diferentes níveis de potência. A configuração mais simples entrega 95 cv e 13,8 kgfm, enquanto a superior chega aos 136 cv e 21,4 kgfm.
As autonomias anunciadas chegam a 405 km e 505 km pelo antigo ciclo NEDC, dependendo da bateria. Vale lembrar, porém, que esses números não chegaram a passar pela homologação do Inmetro, portanto deveríamos ver algo em torno dos 300 km.

A JAC estudava justamente colocar uma dessas versões mais acessíveis para disputar o consumidor de Dolphin Mini e Geely EX2, enquanto a configuração superior entregaria mais bateria e equipamentos. Agora, pelo menos no curto prazo, nenhuma delas deve chegar.
Cancelamento acontece em péssima hora para a JAC
E o E-JS3 não desaparece sozinho. Como mostramos recentemente no Auto+, a JAC passa por uma redução importante de sua operação brasileira. O E-JS4 e o E-J7 saíram de linha, enquanto até o futuro do E-JS1 está incerto. Ao mesmo tempo, a rede física está sendo reduzida e a marca direciona seus esforços para vendas online, atendimento à distância e, principalmente, para a família de picapes Hunter.
Você acha que a JAC deveria tentar lançar o E-JS3 mesmo com os 35% de imposto? Deixe seu comentário!


