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Renault confirma SUV híbrido acima do Boreal para 2027

Renault e Geely anunciam mais R$ 2 bilhões no Brasil e confirmam novo Renault eletrificado sobre a plataforma GEA para 2027

10 min de leitura

A Renault e a Geely do Brasil anunciaram nesta terça-feira (15) mais um novo ciclo de investimentos que totaliza R$ 5,8 bilhões que também dará origem a um novo e primeiro da Renault baseado na plataforma GEA, da Geely que vemos no EX2, EX5 elétrico e EX5 EM-i. O modelo será eletrificado, produzido em São José dos Pinhais (PR) e começará a sair da fábrica em 2027.

Desta forma, a nova rodada adiciona R$ 2 bilhões aos R$ 3,8 bilhões anunciados em novembro de 2025. Com isso, Renault e Geely passam a somar R$ 5,8 bilhões em investimentos no Complexo Ayrton Senna nesta nova fase da parceria.

Primeiro Renault sobre plataforma Geely chega em 2027

Fabrice Cambolive, Presidente do Conselho da Renault Geely do Brasil, confirmou durante o evento que o projeto brasileiro será eletrificado e aproveitará a tecnologia desenvolvida pela parceira chinesa.

Renault e Geely
Renault e Geely [Auto+/Luiz Forelli]

“Vai reunir tudo aquilo que a marca Renault queremos. Design, eletrificação, custo benefício e aceitando as necessidades reais do cliente.” Embora a Renault ainda não tenha revelado nome, desenho ou ficha técnica, a produção está prevista para 2027. Possivelmente no final do ano. Dessa forma, será o primeiro automóvel da marca francesa fabricado no Brasil sobre a arquitetura da Geely, já que o Koleos é importado da Coreia do Sul.

A novidade também entra diretamente no plano futuREady. Apresentado pelo Renault em março, ele prevê 36 novos modelos mundialmente até 2030, sendo 14 desenvolvidos para mercados fora da Europa. A estratégia também vai acelerar os carros elétricos, híbridos e parcerias regionais para reduzir tempo e custo de desenvolvimento.

Fábrica passa a aceitar praticamente qualquer motorização

Renault e Geely
Renault e Geely e tipos de motorização [Auto+/Luiz Forelli]

Mais do que simplesmente colocar um Renault sobre uma plataforma chinesa, a ideia agora é transformar São José dos Pinhais em uma fábrica muito mais flexível. Segundo Ariel Montenegro, presidente da Renault Geely do Brasil, o complexo passa a trabalhar com projetos capazes de receber motores flex, híbridos, híbridos plug-in e sistemas totalmente elétricos. Ao mesmo tempo, a unidade continuará atendendo produtos a combustão e também aplicações a diesel.

Ou seja, a fábrica que hoje produz modelos como Kardian, Boreal e Kwid passa a conviver com arquiteturas completamente diferentes na mesma operação. Devido a isso, o complexo foi adaptado em pouco mais de um mês para receber a arquitetura GEA e passou a contar, inclusive, com áreas específicas para componentes eletrificados e baterias de alta tensão.

Renault Boreal E-Tech [divulgação]
Renault Boreal E-Tech [Divulgação]

Além disso, a produção não ficará restrita à montagem de kits importados como vemos em outras chinesas. A fábrica trabalha com processos locais de soldagem, pintura e estamparia. Algo que a Renault e Geely já haviam deixado claro, ainda em novembro de 2025, que os carros nacionais não seriam simples operações em SKD ou CKD. A intenção desde o começo era realmente industrializar os produtos no país e aumentar gradualmente a participação de fornecedores locais.

EX5 EM-i abre caminho e EX2 entra em dezembro

Aliás, essa mudança de estratégias em conjunto com os chineses já vem acontecendo. O Geely EX5 EM-i passa a ser o primeiro automóvel da marca chinesa produzido no Complexo Ayrton Senna. Até então importado, o SUV híbrido plug-in inaugura a plataforma GEA dentro da operação brasileira.

Geely EX5 EM-i verde estático para avaliação e teste
Geely EX5 EM-i [Auto+/Luiz Forelli]

Depois dele será a vez do Geely EX2. Montenegro confirmou durante o evento que a produção do hatch elétrico começará em dezembro de 2026, como a francesa havia confirmado em junho, mas até então não tínhamos um mês preciso confirmado. Portanto, agora teremos os dois modelos iniciados no Brasil.

Essa decisão também vem acontecendo conforme o crescimento rápido do carro por aqui. Afinal, o EX2 virou o principal produto da Geely no mercado brasileiro e ajudou a marca a superar 35 mil unidades acumuladas desde sua estreia. Só em agosto foram 7.525 Geely emplacados no país. Durante a apresentação, Montenegro também destacou um crescimento de 35% nas vendas da Geely e Renault no recorte apresentado para o primeiro semestre.

E tudo indica que o novo Renault será o Arkana

Novo SUV confirmado pela Renault com plataforma da Geely
Novo SUV confirmado pela Renault com plataforma da Geely [Auto+/Luiz Forelli]

Aqui, entretanto, falamos da parte que não foi anunciada oficialmente durante o evento. A Renault não revelou o nome do novo produto baseado na GEA. Porém, nos bastidores já sabemos que o novo SUV será o Arkana de segunda geração do SUV coupé vendido na Europa e também na Argentina, carroceria no qual a fabricante francesa flerta há bastante tempo no mercado sul-americano.

O SUV cupê nunca chegou oficialmente às lojas brasileiras, embora já tenha aparecido na Argentina e tenha sido estudado anteriormente para nossa região. Desta vez, portanto, o projeto não usará a plataforma RGMP da Renault derivada da CMF-B que o Arkana já usa na Europa. A nova geração por aqui será exclusivo no Brasil com a mesma arquitetura GEA do Geely EX5 com produção em São José dos Pinhais em 2027.

Renault Arkana [divulgação]
Renault Arkana [Divulgação]

Além disso, deverá manter a proposta de SUV médio para ficar uma faixa acima do Boreal. Se formos pegar suas dimensões, algo perto do EX5 EM-i é esperado. Lá, com seus 4,74 metros de comprimento, 1,90 m de largura e tem 2,75 m de distância entre os eixos.

Híbrido plug-in da Geely deve virar flex na Renault

A mecânica também deve seguir o primo EX5 EM-i. Assim, poderemos ter o motor 1.5 aspirado a gasolina ao sistema híbrido plug-in. Nas versões brasileiras, a potência combinada chega a 262 cv e 38,7 kgfm de torque.

Renault Arkana [divulgação]
Renault Arkana [divulgação]

Para o Renault, contudo, a expectativa é de uma adaptação flex, permitindo o uso de gasolina e etanol — algo que veremos também no EX5 EM-i futuramente. Já a bateria também poderia ter neste caso opções de 18,4 kWh e 29,8 kWh também do EX5.

Renault também prepara híbrido 4×4 flex

Só que a GEA não será a única frente de eletrificação da Renault. A fabricante também confirmou para 2027 uma evolução da família Hybrid E-Tech Flex, com tração integral eletrificada. Nesse caso, a proposta é diferente do que veremos no Arkana híbrido plug-in.

Renault Niagara estática
Renault Niagara [Divulgação]

A ideia vem sendo desenvolvida há alguns anos dentro da plataforma modular da própria Renault. Desde a apresentação do Niagara Concept, em 2023, a marca já falava em uma arquitetura de 48 volts, com o motor a combustão trabalhando na dianteira e um motor elétrico adicional movimentando as rodas traseiras. Dessa forma, é possível criar tração integral sem depender necessariamente de um cardã convencional.

A Renault já havia confirmado que a Niagara ganhará uma versão híbrida em 2027, portanto a picape aparece naturalmente como uma das primeiras candidatas a receber a tecnologia. O próprio Boreal também é outro produto esperado para essa solução futuramente.

Renault Niagara em movimento de lado na água
Renault Niagara [Divulgação]

No caso da tecnologia estudada para a região, o conhecido 1.3 TCe flex trabalha no eixo dianteiro, enquanto a eletrificação permite atuar sobre o traseiro. Uma solução 48 volts de eixo traseiro elétrico já vinha sendo desenvolvida para os futuros Renault brasileiros e pode inclusive dispensar o cardã em determinadas aplicações.

Geely quer produzir cada vez mais coisas no Brasil

Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group, deixou claro que a sociedade também começa a ir além de simplesmente compartilhar uma linha de produção.

Renault e Geely  investimentos no Brasil
Renault e Geely investimentos no Brasil [Auto+/Luiz Forelli]

“O mercado brasileiro e latino americano é muito importante pra gente. Mas trabalhando com a Renault Brasil estamos tendo a abordagem correta. Então essa parceria com a Renault é muito ampla. Não só questão fabril, mas sim no desenvolvimento, distribuição de peças componentes.” E a próxima etapa passa justamente por nacionalizar cada vez mais componentes.

“Estamos pensando fazer mais localização aqui, carros, design, definições, para ajudar ainda mais os fornecedores para trabalhar com a gente e engajar distribuidores. A ambição é colocar a força da Renault e a Geely em conjunto para ser um grande player.”

Geely EX2 São José Dos Pinhais
Geely EX2 em São José Dos Pinhais (PR) [Divulgação]

Segundo Yang, a ideia não é transformar o Brasil em uma simples base para exportar esses carros à Europa. A prioridade será ampliar a cadeia local e fortalecer a operação latino-americana. “Não vamos exportar esses veículos para Europa. Queremos verticalizar os componentes e fornecedores.”

Isso explica também por que a Geely entrou diretamente no capital da Renault do Brasil. Desde novembro de 2025, a chinesa possui 26,4% da operação brasileira, enquanto o Renault continua majoritário. Em troca, a Geely passou a ter acesso à estrutura industrial, comercial, financeira, logística e de pós-venda construída pela Renault no país.

A parceria ficou maior

Geely EX5 EM-i verde estático para avaliação e teste
Geely EX5 EM-i [Auto+/Luiz Forelli]

Quando Renault e Geely anunciaram os primeiros R$ 3,8 bilhões, em novembro passado, a lista já era extensa. O investimento previa dois carros Geely sobre a GEA, a renovação de um Renault já existente e outro modelo totalmente novo para 2027. Os dois Geely acabaram sendo EX5 EM-i e EX2.

Agora entram mais R$ 2 bilhões e, principalmente, fica confirmado que a tecnologia chinesa também chegará aos carros com losango na grade. Portanto, a relação deixa de funcionar apenas no sentido de a Renault fabricar carros da Geely. A Renault também começa a absorver plataformas e sistemas eletrificados da parceira para acelerar a própria gama.

Zeekr e Lynk Co também deve entrar nessa estrutura

Lynk & Co 08 cobre de frente
Lynk & Co 08 [Divulgação]

Mesmo que nada tenha sido comentado nesta terça-feira durante a apresentação, com os executivos esquivando das perguntas, segundo a apuração do Jorge Moraes, da CNN Brasil, a operação brasileira da Zeekr e Lynk Co deverá passar para a estrutura da Renault Geely. Ainda não existe anúncio oficial nem uma data definida, porém fontes ouvidas pelo jornalista já tratam a mudança como provável ainda em 2026.

Inclusive, Ariel Montenegro aparece como o nome mais cotado para assumir também o comando da marca premium. A mudança permitiria à Zeekr e Lynk Co aproveitar logística e estrutura administrativa. Poderia ser algo semelhante também na relação de redes, como vemos a Denza com a BYD, por exemplo.

E você, acha que essa nova estratégia da Renault com a Geely fará as marcas crescerem mais no Brasil? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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