Os SUVs chineses estão cada vez mais fortes no Brasil e, com isso, modelos consagrados sentem o peso. Embora o Jeep Compass ainda lidere entre os SUVs médios, ele perdeu 1,8% das vendas no primeiro semestre de 2026, enquanto as chinesas aumentaram sua participação. Por isso, a Stellantis não deve demorar para lançar a nova geração do Compass, que será diferente da europeia.
Assim como o Auto+ antecipou em junho de 2025, agora o jornalista Jorge Moraes, da CNN, informa que a terceira geração do Compass seguirá um caminho diferente do modelo lançado em maio de 2025 na Europa. O SUV médio brasileiro, que nasceu em 2016, manterá a plataforma Small Wide em vez da nova STLA Medium usada no exterior. Além disso, ele pode até aproveitar a tecnologia da Leapmotor.
Jeep Compass brasileiro não será igual ao europeu
A terceira geração europeia utiliza a nova arquitetura STLA Medium. O SUV mede 4,55 metros de comprimento e traz motores híbridos leves de 48 volts com 145 cv, híbrido plug-in de 195 cv e versões elétricas entre 213 cv e 375 cv. No Brasil, entretanto, o Compass utilizará conjuntos semelhantes aos atuais, mas com eletrificação.

Desta forma, o próximo Jeep Compass continuará sendo produzido em Goiana (PE) com motores 1.3 turbo flex. Nas versões mais acessíveis, o T270 pode trabalhar com um sistema MHEV de 48 volts mais avançado do que está sendo testado do atual SUV que será idêntico ao visto no Renegade, Commander e Toro.
Assim, a nova geração do Compass também vai trocar o câmbio automático Aisin de seis marchas por uma transmissão automatizada de dupla embreagem com motor elétrico integrado. Além disso, os bastidores do setor apontam que esse segundo motor elétrico poderá movimentar o carro em arrancadas e manobras muito curtas. Ainda assim, é cedo para cravar esse funcionamento.
Motores da Leapmotor

Além disso, segundo Jorge Moraes, a Stellantis já fala em adaptar o sistema REEV que será nacionalizado nos SUVs B10 e C10. Nesse conjunto, um motor 1.5 flex funcionaria apenas como gerador. Enquanto isso, o motor elétrico ficaria responsável por movimentar o Compass.
Outra possibilidade envolve o sistema híbrido plug-in 4xe com motor 1.3 T270 também nacionalizado. Com isso, o SUV teria um motor elétrico no eixo traseiro, criando tração integral sem ligação mecânica entre os eixos. Entretanto, essa nova geração não terá relação com o atual Compass 4xe, que entrega uma autonomia elétrica bastante limitada.

O Compass também deve manter o 2.0 turbo flex Hurricane nas versões mais caras. O conjunto entrega 272 cv e 40,1 kgfm, além de trabalhar com câmbio automático de nove marchas e tração 4×4.
A permanência desse motor, inclusive, ajuda a explicar um dos motivos pelos quais a Jeep não adotará a plataforma europeia. A STLA Medium foi desenvolvida para motores menores e eletrificados. Além disso, ela não foi projetada para abrigar motores acima de 1.6 litro nem sistemas de tração 4×4 com eixo cardã. Enquanto isso, a arquitetura Small Wide já está preparada para receber o Hurricane e manter a tração integral mecânica.

Desta forma, a gama poderá ficar assim: motor 1.3 turbo com sistema de 48 volts, versão híbrida plug-in 4xe (até a possibilidade de um híbrido pleno), Hurricane 2.0 turbo e até uma versão REEV com tecnologia da Leapmotor.
Custos também ajudam a explicar a decisão
Trazer a plataforma STLA Medium também exigiria uma transformação profunda em Goiana, além de novos fornecedores, linhas de montagem e componentes. Por isso, a estratégia perde força quando a Small Wide ainda tem capacidade para evoluir e receber diferentes níveis de eletrificação, além de equipar carros recém-lançados com essa arquitetura, como o Commander e Rampage.

Ao mesmo tempo, a Stellantis já investiu bastante para eletrificar a estrutura utilizada atualmente no Brasil. Dessa forma, trocar tudo agora significaria abandonar uma plataforma que ainda equipa vários produtos importantes do grupo.
Vale lembrar que a fábrica pernambucana produz hoje Jeep Renegade, Compass e Commander, Fiat Toro e Ram Rampage. Além disso, ela passa por uma ampliação para receber os modelos da Leapmotor, como C10, B10 e, possivelmente, o futuro B10 REEV.
Plataforma antiga não significa carro igual

A Small Wide não é uma plataforma nova, mas também está longe de ser ultrapassada. Ela nasceu na antiga FCA e passou por diversas atualizações ao longo dos anos para atender veículos de tamanhos e propostas completamente diferentes, algo que conhecemos como arquitetura modular.
Hoje, ela consegue sustentar desde um Renegade de 4,27 metros até uma picape como a Rampage, que ultrapassa os cinco metros de comprimento.

Por outro lado, não basta colocar uma carroceria nova sobre o Compass atual e chamar isso de terceira geração. Os SUVs chineses evoluíram justamente em espaço interno, tecnologia, refinamento e eletrificação. Portanto, o novo Compass precisará crescer em espaço interno, porta-malas, acabamento e pacote eletrônico para não parecer apenas uma reestilização mais profunda, como aconteceu com a Chevrolet S10.
Por isso, como o Auto+ revelou anteriormente e agora Jorge Moraes reforça, o projeto brasileiro terá linhas muito próximas às do Compass europeu. A carroceria ficará mais quadrada, moderna e visualmente maior, embora apresente diferenças próprias. A cabine também seguirá essa inspiração, com telas maiores, novos assistentes de condução e acabamento mais sofisticado.
Novo Compass deve aparecer em 2027

Segundo Jorge Moraes, a Jeep apresentará o novo Compass como modelo 2028. Portanto, sua estreia deve acontecer em algum momento de 2027. Até lá, o Compass atual ainda receberá a eletrificação leve de 48 volts, exatamente como já aconteceu em outros modelos da Stellantis.
Você prefere o Compass brasileiro com motor Hurricane ou uma versão REEV com tecnologia da Leapmotor? Deixe seu comentário!


