Há poucos anos, a Volvo dizia que seria uma fabricante totalmente elétrica até 2030. O plano era praticamente definitivo, mas a desaceleração da demanda global fez a marca voltar atrás e manter os híbridos plug-in por mais tempo. No meio dessa confusão, a linha XC ficou intocada, como é o caso do XC60, seu SUV mais importante. E, olhando para o que ele entrega, foi provavelmente a melhor decisão.
Lançado na geração atual em 2017, o XC60 já revela a idade em alguns detalhes, mas se recusa a assumir o papel de veterano. Não por acaso, continua como o Volvo mais vendido no mundo e lidera, no Brasil, o segmento de SUVs médios premium diante do BMW X3, Audi Q5, Mercedes-Benz GLC e Lexus NX 450h+. Ou seja, poucos carros atravessam quase uma década sem mudanças profundas e continuam tão relevantes.
Custando R$ 509.950 na versão Ultra, a Volvo sabe que pesa a mão na etiqueta. Mas também conhece muito bem o cliente que pretende conquistar. Por isso, em vez de apostar em telas gigantes, efeitos luminosos ou excesso de tecnologia para impressionar, o XC60 tem justamente aquilo que seu público procura em um luxo discreto, que não precisa chamar atenção para provar valor.
O XC60 faz questão de mostrar quem manda debaixo do capô

Se existe um motivo para admirar o Volvo XC60, ele está debaixo do capô. Entre todos os seus rivais diretos, ele é disparado o mais potente. E não existe muita discussão sobre isso. O conhecido motor 2.0 turbo a gasolina entrega 310 cv a 6.000 rpm e 40,8 kgfm de torque.
Só que ele trabalha em conjunto com um motor elétrico traseiro de 145 cv e 31,5 kgfm, alimentado por uma bateria de 18,8 kWh. No fim das contas, são impressionantes 462 cv e 72,3 kgfm de torque. É muito mais do que oferecem os 258 cv de BMW X3 e Mercedes-Benz GLC, os 272 cv do Audi Q5 ou até os 308 cv do Lexus NX 450h+.
Parece um elétrico, mas acelera como esportivo



Junto do câmbio automático Aisin de oito marchas, o XC60 consegue ser um carro extremamente prazeroso de dirigir. As trocas de marcha, quando o motor a combustão está em funcionamento, acontecem praticamente sem que você perceba. Os engates são rápidos, suaves e lineares.
Porém, como estamos falando de um híbrido plug-in, o XC60 sempre prioriza o motor elétrico quando existe carga disponível na bateria. Neste caso, basta tocar o acelerador para o SUV responder imediatamente.



Aqui, não existe a típica espera de um motor turbo para ganhar pressão. O torque elétrico entra em ação na mesma hora e movimenta os 2.174 kg com uma facilidade que faz você esquecer completamente o peso do SUV. O que na cidade é ótimo.
Com isso, as saídas de semáforos, cruzamentos, retornos e mudanças rápidas de faixa acontecem com enorme facilidade. Você simplesmente sai dos enroscos do trânsito sem pensar duas vezes. Quando o acelerador chega perto do fim do curso, aí sim o quatro cilindros entra em cena. E entra muito bem.



O motor produz um ruído fino, um pouco discreto para subir o rpm, mas é bastante agradável. E mesmo sendo um conversor de torque, as marchas são reduzidas praticamente em um piscar de olhos. Mesmo com o motor a combustão ativo (sem energia na bateria, por exemplo), as respostas continuam super imediatas.
Porém com os dois motores tracionado ao máximo, espere um ganho de velocidade com uma vigorosidade difícil de encontrar em outro SUV do segmento. Não à toa, o 0 a 100 km/h acontece em míseros 4,8 segundos. É um número que normalmente esperaríamos de esportivos dedicados, não de um SUV familiar.
Fôlego não acaba

Toda essa disposição acompanha o XC60 também na estrada. Mesmo em velocidades altas, sobra força para retomadas e ultrapassagens. O motor elétrico impulsiona as primeiras acelerações enquanto o propulsor a combustão assume o trabalho pesado quase sem que o motorista perceba.
O resultado é um conjunto que desenvolve velocidade com enorme facilidade até atingir os 180 km/h, limite eletrônico imposto pela própria Volvo. Tudo isso acontece com um belo refinamento.



O isolamento acústico é excelente. Mesmo em ritmo de rodovia, praticamente não existe esforço aparente do conjunto mecânico em velocidades constantes de cruzeiro. Além disso, o silêncio dentro da cabine impressiona, seja na cidade com barulhos no exterior, som de rodagem ou do fluxo do vento.
E graças ao motor elétrico movimentando o XC60, ele tem o andar muito mais silencioso e fluido que praticamente todos seus rivais, com exceção do Lexus NX 450h+, que também usa tecnologia híbrida plug-in. Porém, é justamente aqui que mora uma das maiores críticas do SUV quando comparado, por exemplo, com modelos chineses atuais.
Um híbrido plug-in que poderia aproveitar melhor a própria bateria

Se ao volante o XC60 vai super bem, a sua bateria não é mais referência nos dias atuais. Enquanto praticamente todos os PHEV modernos aprenderam a preservar parte da carga da bateria, mesmo quando o indicador chega próximo do fim, eles deixam uma reserva para continuar rodando em modo elétrico em velocidades de 40 a 60 km/h, dependendo da situação.
Neste cenário, o consumo é bastante reduzido. Porém, o XC60 pouco liga para isso. Enquanto existe carga disponível, ele faz de tudo para rodar no modo elétrico. O motor a combustão praticamente nem faz questão de entrar em funcionamento. O impasse aparece justamente quando a energia acaba, pois a bateria simplesmente se esgota.


E aí o Volvo deixa de ser aquele híbrido plug-in eficiente para depender praticamente do motor a combustão a qualquer custo. O sistema ainda recupera energia nas frenagens e usa pequenas cargas herdadas do motor térmico para auxiliar em arrancadas ou movimentar o carro por poucos instantes em velocidades baixíssimas.
Todavia, ele passa longe de preservar uma reserva elétrica como fazem vários modelos atuais. Por isso, falamos de um gerenciamento que já mostra sua idade.
Autonomia elétrica supera o Inmetro



Enquanto a bateria está carregada, porém, o XC60 entrega exatamente aquilo que se espera de um híbrido plug-in, embora sua autonomia também não seja gigantesca. Em nossos testes, percorremos 74 km utilizando apenas eletricidade, superando com folga os 48 km homologados pelo rigoroso ciclo do Inmetro.
Na cidade, espere números próximos disso dependendo do trânsito e da temperatura. Já na estrada, onde as velocidades são maiores, essa autonomia tende a cair para algo próximo dos 50 km, comportamento absolutamente normal para qualquer veículo elétrico ou híbrido plug-in. O problema começa depois que essa energia termina.
O consumo muda completamente

Assim que a bateria acaba, o comportamento do XC60 muda bastante. O motor a combustão passa a assumir praticamente todo o trabalho e o consumo sobe demais. Durante nossa avaliação foi uma verdadeira luta ultrapassar a casa dos 10 km/l no uso urbano. Na maior parte do tempo, o computador de bordo ficou entre 9 e 9,5 km/l.
Na estrada, o cenário melhora. Portanto, fizemos 13,8 km/l, um número interessante para um SUV de 462 cv e mais de 2,1 toneladas, mas que também mostra como o sistema híbrido poderia ser mais eficiente se preservasse uma parcela maior da bateria para auxiliar o motor térmico durante o percurso.

Mesmo assim, graças ao tanque de 70 litros, a autonomia continua sendo um dos pontos fortes do XC60. Somando a energia elétrica e o combustível, nossos cálculos apontaram para algo perto dos 680 km de autonomia na cidade e perto dos 1.000 km em rodovias. São números bastante competitivos para um SUV desse porte. Só não espere um carro extremamente econômico depois que a bateria chega ao fim.
Já sua recarga pode ser feito apenas em corrente alternada bifásica de até 6,4 kWh. O que um wallbox residencial consegue entregar sem nenhum problema. Portanto, sair do 0 e chegar aos 100% demoraria em torno de 3 horas. Entretanto, em nossos testes, carregamos em uma estação da Volvo Charger com carga de aproximadamente 3 kWh para sair dos 60% a 100%, o que levou cerca de 2h e 30 mim.
Cada modo muda o carro

Desta forma, parte dessa personalidade também passa pelos modos de condução. No Pure, o XC60 prioriza ao máximo o funcionamento elétrico. No Hybrid, ele também fica praticamente elétrico, mas uma maior dosagem do pedal direito ativa o motor a gasolina.
Já no Power, toda a potência dos conjuntos elétrico e a combustão fica imediatamente disponível, deixando o acelerador muito mais sensível e as respostas ainda mais rápidas. Mas toda essa mordomia de modos também mudam outro cenário importante.
Suspensão a ar



As versões Ultra e Polestar Engineered abandonam as tradicionais molas de aço e recebem suspensão pneumática, trabalhando em conjunto com amortecedores da Bilstein controlados eletronicamente.
Assim, o sistema monitora as condições da via e o comportamento do veículo centenas de vezes por segundo, com sensores espalhados pela carroceria que analisam aceleração, velocidade, esterço e irregularidades do piso para ajustar continuamente a firmeza dos amortecedores e manter o SUV sempre nivelado, mesmo carregado.

Por isso, a suspensão pode variar cerca de 5 cm de altura conforme o modo de condução. Nos modos Pure e Power, o XC60 roda mais baixo, ficando entre 189 e 199 mm, favorecendo a aerodinâmica e reduzindo o centro de gravidade.
No Hybrid, ele trabalha com 209 mm, enquanto o Off Road eleva a altura para 249 mm, ajudando a superar obstáculos mais severos, embora funcione apenas até 40 km/h. Mas números, novamente, contam apenas parte da história. O que realmente chama atenção é a forma como tudo isso aparece.
Desafia a física

Mesmo pesando mais de duas toneladas, o XC60 faz curvas com uma facilidade difícil de acreditar, com uma transferência de peso mínima. Você entra forte nas curvas e praticamente não sente inclinação típica de um SUV. A carroceria é extremamente controlada, transmitindo confiança para continuar acelerando.
Boa parte desse mérito também pertence à tração integral AWD, que trabalha em conjunto com a suspensão para distribuir a força ao solo. O resultado é um SUV que simplesmente parece menor do que realmente é.

Nas frenagens, que acontecem surpreendentemente bem, parando o carro com uma total facilidade incrível, acontece exatamente a mesma sensação. A dianteira praticamente não mergulha e a traseira não empina de forma exagerada.
Tudo acontece de maneira muito equilibrada, deixando o carro sempre plano e extremamente plantado no asfalto. Aí que eu falo que a segurança é tão bem passada que faz você aumentar naturalmente o ritmo sem perceber. Não porque o XC60 incentive uma condução esportiva, mas porque transmite confiança o tempo inteiro.
Direção na medida certa



A direção também acompanha muito bem esse conjunto. Ela tem um peso um pouco mais firme, exatamente como se espera de um Volvo. Nunca passa aquela sensação artificial ou excessivamente leve encontrada nos chineses. Ao mesmo tempo, continua bastante rápida e responsiva.
Com isso, a plataforma SPA ajuda bastante nessa sensação de solidez e refinamento de um conjunto muito amadurecido. O volante responde aos comandos e transmite segurança suficiente para posicionar o carro exatamente onde você quer.

Na cidade, essa firmeza não chega a atrapalhar, já que podemos alternar entre os modos Suave e Esportivo. Além disso, o diâmetro de giro de 11 metros, divulgado pela Volvo, facilita bastante as manobras para um SUV de 4,70 m de comprimento. Portanto, estacionar ou fazer retornos exige menos espaço do que normalmente se imagina olhando para o tamanho do XC60.
Por fim, a suspensão absorve muito bem buracos, valetas e imperfeições maiores, isolando os impactos pesados sem deixar rastros da carroceria balançando ou atingir um fim de curso. Ela mantém aquela característica tradicional da Volvo: firme, extremamente bem controlada, mas longe de ser desconfortável. Por outro lado, também não espere um carro completamente cirúrgico na filtragem do piso.

As rodas de 20 polegadas, calçadas com pneus 255/45, possuem uma camada de borracha relativamente fina para um SUV. Isso faz com que algumas emendas de asfalto e irregularidades menores ainda possam ser percebidas dentro da cabine. Não é de incomodar. Mas na verdade, essa leitura mais presente do piso acaba sendo uma consequência da escolha por um conjunto voltado também à dinâmica.
Quem prioriza exclusivamente conforto talvez encontre uma experiência até mais agradável na versão Plus, equipada com rodas de 19 polegadas. Mesmo sem a suspensão pneumática, o perfil de pneu um pouco maior tende a absorver melhor pequenas imperfeições.

Ainda assim, seria exagero dizer que a Ultra é dura. Por fim, com 21,2° de ângulo de entrada, a dianteira passa por rampas, valetas e lombadas sem raspar em praticamente nenhuma situação durante nossa avaliação.
Interior mantém o luxo escandinavo



O interior do Volvo XC60 é um refinamento puro da aula sueca de produzir carros. É um ambiente muito bem acabado e que muitas fabricantes premium, como a própria Audi, Mercedes e até a BMW, dependendo do modelo, deixaram decair um pouco em termos de acabamento.
A Volvo, por outro lado, continua muito bem nesse aspecto por aqui. Esse, inclusive, é um dos poucos triunfos de não ter trocado de geração e piorado a qualidade da cabine.

A gente encontra um refinamento muito puro no visual, onde toda a parte do tablier é macia ao toque, assim como o painel acolchoado. Além disso, há ótimas peças que apresentam belíssima qualidade, como é o caso da madeira genuína que contorna o painel e passa por baixo da central multimídia.
Além disso, temos toque macio em toda a parte superior das portas, tanto dianteiras quanto traseiras, apoio de braço totalmente acolchoado e até a área de porta-objetos das portas recebe material macio ao toque. Também temos o acabamento em madeira da esteira do console central, o preto brilhante, os encaixes muito bem feitos e tudo condizente com a proposta do SUV.

E não tem como deixar de citar a manopla de cristal do seletor de marchas, produzida em cristal legítimo e assinada pela tradicional fabricante sueca Orrefors. Porém, como nem tudo é perfeito, é no interior que o XC60 começa a mostrar a idade do projeto.
Tecnologia evoluiu, mas ainda cobra seu preço
A reestilização da linha 2025, além da nova grade, para-choque e lanterna traseira escurecida, também trouxe mudanças para o interior. Agora, a central multimídia ficou um pouco maior e passou a ficar destacada do painel, seguindo uma identidade semelhante à linha elétrica EX da Volvo.

Nesse caso, falamos de uma tela de 11,2 polegadas equipada com um processador Qualcomm Snapdragon, o que faz a central ser extremamente responsiva, rápida e de ótima resolução. Além disso, embora não tenha milhares de funções como vemos em carros chineses, ela é muito fácil de entender. A navegação é simples, intuitiva e funciona muito bem no dia a dia.
Outro ponto positivo é que ela traz Google Assistant nativo, Google Maps integrado e também Play Store embarcada. Com isso, é possível instalar aplicativos como Spotify, YouTube, Waze e outros diretamente no sistema do carro, sem depender do celular.

Mesmo assim, ela deixa a desejar justamente em um ponto que hoje até carros bem mais baratos já oferecem: Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Pois é. Embora ela espelhe o celular na central, isso acontece apenas por cabo. Tudo bem que um adaptador USB resolve esse problema. Ainda assim, já era algo esperado de fábrica.
Todavia, com tanto recurso, você também pode simplesmente esquecer o celular. E também segundoa própria Volvo, esse recurso poderá chegar por futuras atualizações, mas essa promessa já existe há algum tempo e, até agora, nada aconteceu.
Painel digital poderia oferecer mais

Além da central, o XC60 traz painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, com ótima resolução e excelente qualidade de imagem. Além disso, tanto o Google Maps nativo quanto aplicativos espelhados podem aparecer diretamente no painel.
Por outro lado, mais uma limitação do projeto. O painel digital praticamente não oferece possibilidades de personalização. Com isso, você escolhe entre visualizar o mapa ou uma tela preta, além das informações de viagem. Só.

Embora seus rivais tenham muita mais personalização, não é isso que chega a comprometer a experiência que o XC60 entrega. Mesmo assim, já passou da hora de a Volvo atualizar. O head-up display tem exatamente a mesma filosofia simples que mostra só a velocidade ou a rota quando ativa.
Som de referência
O que realmente faz o Volvo XC60 se diferenciar de todos os seus rivais, e nisso eu sempre bato na mesma tecla, é o sistema de som. A Volvo continua oferecendo o melhor som automotivo disponível no mercado. Aqui temos o sistema Bowers & Wilkins, composto por 15 alto-falantes espalhados pela cabine e 1.460 watts de potência. E, sinceramente, nem adianta eu ficar escrevendo o quanto esse som é bom.

Os graves, médios e agudos são extremamente equilibrados, enquanto a distribuição sonora dentro da cabine impressiona em qualquer posição. Além disso, o sistema oferece diversos modos de personalização da acústica. É como se você estivesse em uma casa de show.
Ergonomia continua sendo um dos grandes destaques
Por fim, outro ponto em que o Volvo XC60 continua se destacando é a ergonomia. Logo ao entrar no carro, você encontra uma posição de dirigir muito facilmente. Os bancos dianteiros contam com ajustes elétricos, memória para duas posições, regulagem de altura, profundidade, inclinação, apoio lombar e até ajuste das abas laterais, permitindo aumentar ou diminuir o aperto do banco no corpo.

Além disso, a versão Ultra também oferece ajuste da extensão do assento, permitindo apoiar melhor as pernas em viagens longas. Com isso, encontrar a posição ideal de dirigir leva poucos segundos. O volante também oferece regulagem de altura e profundidade, enquanto o console central elevado aproxima naturalmente todos os comandos do motorista.
Os bancos revestidos em couro Nappa legítimo também colaboram bastante nessa sensação. Além disso, eles oferecem aquecimento e ventilação para os ocupantes dianteiros.

Por outro lado, nem tudo é perfeito Os comandos físicos praticamente desapareceram do console central. Com isso, praticamente todos os ajustes do ar-condicionado ficam concentrados na central multimídia, o que atrapalha um pouco no dia a dia. Falando nele, o XC60 traz ar-condicionado digital automático de duas zonas.
A traseira não recebe uma terceira zona de temperatura, como acontece no BMW e Audi. Ainda assim, os passageiros traseiros contam com comandos próprios de ventilação posicionados na coluna B, facilitando bastante os ajustes.

Além disso, o sistema de climatização utiliza filtro PM2.5, capaz de reter cerca de 95% das partículas nocivas presentes no ar. O próprio carro ainda informa, pela central multimídia, a qualidade do ar presente na cabine.
Espaço interno e porta-malas
Já na traseira, a situação não é tão confortável quanto a dianteira. Embora o XC60 tenha 2,86 m de entre-eixos, passageiros mais altos vão sentir certa limitação para as pernas. No meu caso, com o banco dianteiro ajustado para a minha posição de 1,88 m de altura, meu joelho encostou na parte plástica do banco da frente.

Quem vai no meio sofre ainda mais com o túnel central elevado. Porém, crianças viajam com mais tranquilidade. Por fim, o porta-malas é justamente onde o XC60 perde terreno para os principais rivais já que são 468 litros de capacidade.
É um bom volume para o dia a dia, mas fica abaixo dos 570 litros do BMW X3 e do Audi Q5, dos 545 litros do Lexus NX e, principalmente, dos 620 litros do Mercedes-Benz GLC, que lidera nesse quesito. Além disso, falta espete, já que temos apenas kit de reparo.
Quiet Luxury define o XC60

Embora entregue a idade do projeto em alguns pontos, o XC60 também deixa claro qual é sua proposta. Aqui você não vai encontrar dezenas de cores na iluminação ambiente, telas gigantes integradas ou efeitos visuais chamativos como vemos em Mercedes-Benz ou BMW.
O XC60 segue fiel ao conceito de quiet luxury. Tudo é muito discreto, elegante e comedido. Porém a sua segurança não tem nada de reservado.
Segurança continua sendo referência

Por isso, quando o assunto é segurança, praticamente nem precisa apresentar um Volvo. A marca que construiu sua reputação justamente nesse quesito e inventou o cinto de segurança faz questão de manter essa tradição aqui.
O pacote de equipamentos também é bastante completo. O piloto automático adaptativo conta com função Stop & Go, acelerando e freando de forma bastante suave até mesmo em congestionamentos. Além disso, o ajuste de distância para o veículo à frente funciona muito bem, enquanto o assistente de permanência em faixa com centralização também é bem calibrado.

O XC60 ainda oferece frenagem autônoma de emergência com alerta de colisão frontal, alerta de colisão traseira com frenagem automática durante manobras, monitor de ponto cego com alerta de tráfego cruzado e monitor de fadiga.
Tudo isso, somado aos sete airbags — frontais, laterais, de cortina e de joelho para o motorista. Ainda assim, alguns equipamentos já oferecidos por concorrentes não temos por aqui como o assistente de desembarque, visto no Q5 e NX, embora a BMW também não ofereça.

A câmera 360 graus também poderia ser melhor. Ela cumpre bem sua função e permite olhar todo o entorno do veículo. Porém, a resolução e a interface já mostram a idade do projeto, principalmente quando comparadas ao nível apresentado por diversos modelos chineses atuais.
Outro item ausente é o Park Assist para estacionar o carro sozinho, equipamento presente no X3 e Lexus. Mesmo assim, tudo aquilo que normalmente esperamos de um Volvo está presente.

O XC60 oferece faróis Full LED com excelente iluminação noturna e comutação automática do facho alto, chave presencial, seletor rotativo para partida do motor no console central, freio de estacionamento eletrônico com auto hold, teto solar panorâmico elétrico, retrovisores externos com aquecimento, rebatimento elétrico e função fotocrômica, Wi-Fi embarcado e porta-luvas climatizado.
Veredicto
O Volvo XC60 já não é mais o SUV mais moderno da categoria. A idade do projeto aparece na cabine. Mas basta rodar alguns quilômetros para entender por que isso nunca foi suficiente para tirá-lo do topo. A Volvo foi pragmática lá atrás e acertou justamente no que continua importando para quem realmente gosta de dirigir: conforto, segurança e um conjunto mecânico que simplesmente sobra diante dos principais rivais.

Se você procura o SUV mais tecnológico, cheio de telas e efeitos, provavelmente vai encontrar opções mais interessantes. Agora, se prefere um carro que não precise provar seu valor a cada esquina, tem onde carregar a bateria em casa e faz questão de potência de sobra, refinamento e silêncio ao rodar, o XC60 continua sendo uma escolha extremamente difícil de bater.
Por isso, esse seja exatamente o porque que ele continue sendo o Volvo mais vendido do mundo e na frente dos seus rivais mesmo que antigo, sem perder sua essência. No fim das contas, existem carros que impressionam na concessionária. Outros convencem depois de alguns quilômetros ao volante. O XC60 faz parte desse segundo grupo.
Ficha técnica Volvo XC60 Ultra
- Preço: R$ 509.950
- Motor a combustão: 2.0 turbo a gasolina, com 310 cv e 40,8 kgfm
- Motor elétrico: traseiro, com 145 cv e 31,5 kgfm
- Bateria: 18,8 kWh
- Potência e torque combinados: 462 cv e 72,3 kgfm
- Transmissão: automática Aisin com conversor de torque e oito marchas
- 0 a 100 km/h: 4,8 segundos
- Tração: integral sob demanda
- Medidas: 4,70 m de comprimento / 1,90 m de largura / 1,65 m de altura / 2,86 m de entre-eixos
- Porta-malas: 468 litros
- Altura livre do solo: 20 cm
- Consumo: 9,5 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada
- Autonomia elétrica: 48 km
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