Ao vivo
Home » Segredos » Chevrolet e Hyundai começam por Tracker e Creta uma família inédita de carros

Segredos

Mudança completa

Chevrolet e Hyundai começam por Tracker e Creta uma família inédita de carros

Chevrolet e Hyundai preparam novas gerações de Tracker e Creta com mesma base, motores híbridos e projeto previsto para 2028

9 min de leitura

O Chevrolet Tracker e o Hyundai Creta vem se preparando para virarem irmãos de plataforma no Brasil. As novas gerações dos dois SUVs compactos devem chegar em 2028 usando a arquitetura K3, base do grupo Hyundai-Kia que acabou de estrear por aqui no recém-lançado Hyundai i20.

De acordo com o quebra-cabeça montado na apuração do Autoesporte, a GM e Hyundai estão no avanço em um ritmo parecido no desenvolvimento dos novos SUVs nacionais. Desta forma, isso significa que Tracker e Creta continuarão rivais nas lojas, porém nascerão de uma mesma estrutura técnica nos bastidores.

Além disso, a parceria entre as duas marcas vai muito além dos SUVs compactos. O acordo também envolve um carro de passeio, uma picape intermediária, uma picape média e até uma van elétrica para a América do Norte, segundo o comunicado oficial divulgado pela GM em agosto de 2025. 

Por que GM e Hyundai decidiram se unir?

Chevrolet S10 e Hyundai farão sinergias [Divulgação]

A parceria entre a General Motors e a Hyundai nasce devido a uma necessidade de ganha ganha dos dois lados. No caso da GM, ela precisava de uma nova base para compactos a combustão e híbridos na América do Sul. Afinal, a família Onix nasceu de um projeto global ligado à China, mas esse cenário perdeu força depois que o Onix e Tracker foram descontinuados no mercado asiático. 

Com isso, a Chevrolet ficaria presa por mais tempo à atual arquitetura GEM, usada por Onix, Onix Plus, Tracker e Montana. Ela ainda funciona, claro, porém não entrega a mesma flexibilidade para uma nova geração de compactos híbridos.

Chevrolet Onix Plus Premier 2026 estático
Chevrolet Onix Plus Premier 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Enquanto isso, a Hyundai tinha outro interesse. A marca sul-coreana já possui uma base moderna para compactos, mas ainda quer entrar de forma mais forte no segmento de picapes na América do Sul. Por isso, a troca faz sentido. A Hyundai lidera a parte dos compactos, enquanto a GM assume a frente da picape média, justamente onde tem mais experiência com S10 e Colorado.

Plataforma K3 será o ponto de partida

A base mais importante dessa nova fase é a K3, também chamada internamente em alguns projetos de Q3. Essa arquitetura estreou no Brasil com o recém-chegado hatch Hyundai i20 e servirá como ponto de partida para vários outros produtos futuros.

Hyundai i20 Ultimate 2027 [Auto+ / João Brigato]

Essa plataforma, por ser modular, vai permitir o desenvolvimento de hatches, SUVs compactos e picapes monobloco. Além disso, ela nasce preparada para receber motores a combustão e sistemas híbridos, algo mais do que fundamental para a próxima geração de produtos no Brasil contra a concorrência chinesa. 

Dessa forma, a GM ganha uma arquitetura moderna para seus futuros carros compactos sem precisar desenvolver uma plataforma inédita. Ao mesmo tempo, a Hyundai aproveita a experiência da Chevrolet no segmento de picapes para acelerar sua entrada nessa categoria na América do Sul.

Creta e Tracker seguirão caminhos diferentes no visual

Hyundai Kona/Creta de nova geração em um novo SUV baseado no Crater
Hyundai Kona/Creta [Reprodução/Carscoops]

Embora o Creta e Tracker vão então usar a plataforma K3 do grupo Hyundai-Kia, eles não serão iguais com apenas o emblema trocados. A nova geração do Creta, que tem domínio do código SX3B no Brasil, vai se unificar com o Kona para virar um único carro e terá um visual próprio com a nova identidade da Hyundai, seja no exterior quanto no interior. 

Enquanto isso, a nova geração do Tracker aproveitará a mesma estrutura, inclusive com possibilidade de usar entre-eixos semelhante ao do Creta. Porém, a Chevrolet terá também identidade própria no desenho externo, na cabine, na eletrônica e no posicionamento de mercado. 

Chevrolet Trax Activ [divulgação]
Chevrolet Trax [divulgação]

Assim, devemos esperar mudanças de  para-choques, capô, faróis, grade, para-lamas, tampa traseira, lanternas, caixas de roda e acabamento interno. Com isso, o consumidor verá dois SUVs diferentes, mesmo que a engenharia compartilhe boa parte da base.

Um exemplo recente, embora distinto do Brasil? BMW Z4 e Toyota Supra. Eles compartilham a mesma base, mesma mecânica, mas cada carro com seu design, interior e ajustes. 

Motores também devem vir da Hyundai

Novo Hyundai Creta 2025 [Auto+ / Rafael Dea]

A nova geração do Tracker e Creta deve usar motores da família Smartstream, da Hyundai. Essa mudança vai ser uma grande virada no caso da Chevrolet que atualmente usam motores turbo com a polêmica correia banhada a óleo que virou alvo de diversas críticas no mercado brasileiro. 

Com a arquitetura da Hyundai, o próximo Tracker deve migrar para corrente de comando, deixando esse ponto polêmico para trás. Além disso, os motores 1.0 e 1.6 aspirados ou turbo devem receber atualizações para trabalhar com sistemas híbridos. O 1.6 aparece como o candidato mais provável para versões híbridas plenas. 

Hyundai i20 X-Line 2027 [Auto+ / João Brigato]
Hyundai i20 X-Line 2027 [Auto+ / João Brigato]

Portanto, essa sinergia entre as fabricantes, além de mudar a arquitetura derivada da Hyundai, a mecânica também influenciará a próxima geração de compactos da Chevrolet

S10 dará origem a uma picape média da Hyundai

Depois do lançamento da nova geração do Creta e Tracker, o site informa que a parceria vai avançar para as picapes. No caso, a primeira que aparecerá será a nova geração da S10 que usará a arquitetura sob chassi da Chevrolet Colorado, vendida no mercado norte-americano. Essa mesma plataforma servirá como base também da futura picape média da Hyundai. 

Chevrolet Colorado ZR2 [divulgação]
Chevrolet Colorado ZR2 [divulgação]

Por isso, enquanto a Hyundai lidera os compactos, a GM ficará responsável pelo projeto da picape média. E esse será um dos pontos centrais da parceria. Afinal, a Hyundai finalmente terá acesso a um segmento onde nunca teve presença forte na América do Sul.

Montana e uma picape Hyundai também entram no acordo

A mesma arquitetura K3 dará origem a uma nova geração da Chevrolet Montana e a uma picape monobloco inédita da Hyundai. Nesse caso, a lógica será parecida com a de Creta e Tracker. Ou seja, as duas picapes deverão compartilhar base estrutural, porém cada marca seguirá seu próprio caminho em design, cabine, equipamentos e posicionamento.

Nova Hyundai Santa Cruz 2025 [divulgação]
Nova Hyundai Santa Cruz 2025 [divulgação]

Esse ponto também é válido para Hyundai. Isso porque a fabricante nunca conseguiu explorar o segmento de picapes monoblocos por aqui. E embora nos EUA vendesse a Santa Cruz, que não teve boas vendas e saiu de linha, no Brasil sua importação não aconteceu por fatores de empecilhos com a CAOA na época e o custo não valeria pelo preço que seria vendido contra as rivais. 

Assim, com uma picape intermediária, a Hyundai entra na briga com a futura Volkswagen Tukan, Renault Niagara, BYD Mako, picape da Toyota, e as já consagradas Fiat Toro, Ford Maverick e Chevrolet Montana. Além disso, entraria em uma faixa de mercado com margem maior que a dos hatches.

Onix também entra nessa nova fase

Chevrolet Onix RS [Auto+ / João Brigato]
Chevrolet Onix RS [Auto+ / João Brigato]

A parceria ainda prevê um carro de passeio compacto. Nesse caso, o projeto deve envolver uma atualização profunda do Hyundai i20 já lançado e a futura terceira geração do Chevrolet Onix. 

Um ponto positivo também para a GM, pois devemos ver a nova geração do Onix também sem a polêmica correia dentada em troca da corrente de comando dos motores da Hyundai. Além disso, o novo Onix poderá nascer pronto para sistemas híbridos.

Hyundai i20 X-Line 2027 [Auto+ / João Brigato]
Hyundai i20 X-Line 2027 [Auto+ / João Brigato]

Com isso, o i20 tem uma grande importância. Ele justamente antecipa parte da base técnica que deverá sustentar os próximos compactos de Hyundai e Chevrolet.

E como ficam as fábricas? 

Oficialmente, GM e Hyundai já disseram que a parceria envolve desenvolvimento conjunto, não necessariamente produção compartilhada. Essa parte, todavia, pode mudar conforme os projetos vão avançando.

protótipo visto de frente da nova geração do Hyundai Bayon
Novo Hyundai Bayon [Carscoops/ Reprodução]

Em conversa com o Auto+, Maurício Jordão, diretor de relações públicas e imprensa da Hyundai, afirmou que a marca avalia aproveitar a capacidade ociosa da Chevrolet no Brasil quando os carros desenvolvidos em parceria começarem a chegar. 

Até então, existia a possibilidade, que não é nula também, de cada fabricante produzir seus carros nas suas próprias plantas. Mas agora, existe a possibilidade de alguns modelos compartilharem linhas de montagem ou estruturas industriais.

Chevrolet Montana RS [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Isso não significa que Onix e i20 sairão necessariamente da mesma linha. Porém, futuros projetos como Sonic e Bayon, Montana e a picape Hyundai, ou até produtos derivados da mesma base, podem aproveitar uma lógica industrial conjunta.

Hyundai precisa de espaço para crescer

A Hyundai tem um motivo claro para estudar essa alternativa. A fábrica de Piracicaba (SP) trabalha no limite de sua capacidade, com HB20, Creta e agora i20 disputando espaço na mesma operação. Portanto, se a marca quiser ampliar sua linha com novos SUVs, hatches e picapes, precisará mexer em sua estrutura produtiva.

Hyundai Creta Comfort branco de traseira em uma localiza
Hyundai Creta Comfort [Auto+ / João Brigato]

A GM, por outro lado, possui fábricas no Brasil com diferentes níveis de ociosidade. São unidades em Gravataí (RS), São Caetano do Sul (SP) e São José dos Campos (SP). Nesse cenário, usar parte da estrutura da Chevrolet pode ajudar também nos planos da Hyundai sem exigir uma nova fábrica do zero.

Quando devemos ver os frutos?

Se tudo seguir o cronograma atual, a parceria entre GM e Hyundai começará a aparecer nas ruas em 2028. O primeiro impacto virá com as novas gerações de Tracker e Creta. Depois, a estratégia deve ser a nova geração da S10, conforme o Autoesporte apurou. 

Chevrolet Trax LT [divulgação]

Deste modo, teremos uma das maiores cooperações industriais entre duas fabricantes concorrentes na América do Sul. E, diferente de acordos mais simples, essa aliança mexe justamente em modelos centrais para as duas marcas.

E você, acha que Chevrolet e Hyundai acertaram ao dividir projetos? Coloque seu comentário abaixo!

Deixe um comentário

Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

Você também poderá gostar