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Futuro indefinido, ainda

DFM disputa fábricas de Stellantis e Nissan para produzir no Brasil

Marca chinesa estreia em agosto, mas negocia produção nacional com Stellantis e Nissan para acelerar sua operação no país

5 min de leitura

A DFM, nome que a chinesa Dongfeng adotará no Brasil para facilitar a pronúncia da marca, ainda nem iniciou oficialmente suas vendas por aqui e já trabalha para dar um passo bem maior. Enquanto prepara sua estreia durante o Festival Interlagos, em agosto, a fabricante também negocia a produção de carros em solo brasileiro por meio de parcerias industriais com Stellantis e Nissan.

Ou seja, a estratégia mostra que a empresa não pretende repetir o caminho de várias fabricantes chinesas que só chegaram no Brasil importando veículos. O objetivo da DFM é construir rapidamente uma operação nacional e, para isso, utilizar estruturas já existentes em vez de investir bilhões em uma fábrica do zero. As informações foram reunidas pelo Autoesporte.

DFM virá de forma independente

Apesar das conversas com grandes fabricantes, a chegada da DFM ao Brasil deverá acontecer de forma independente. Desta forma, os carros serão vendidos com o logotipo DFM e por meio de uma rede própria de concessionárias, sem utilizar a estrutura comercial da Stellantis ou da Nissan. Entretanto, a diferença fica para a parte industrial.

Dongfeng Box azul de dianteira
Dongfeng Box [Divulgação]

Enquanto algumas marcas optaram por importar veículos durante vários anos, a DFM já quer correr com sua nacionalização e procura parceiros para fabricar seus modelos em terras tupiniquins. Isso quer dizer que a independência comercial não impede uma parceria na produção. São estratégias diferentes que podem caminhar juntas.

Produção local virou prioridade

A fabricação nacional passou a ser um dos principais objetivos da DFM porque produzir carros no Brasil reduz custos, abaixa os impostos e melhora a competitividade frente às marcas já instaladas. Por isso, a fabricante estuda utilizar fábricas que hoje possuem capacidade ociosa, repetindo uma estratégia que já acontece na Europa, por exemplo, com a Ford e a Geely. 

Citroën C5 Aircross
Citroën C5 Aircross [divulgação]

Falando no Velho Continente, a Dongfeng já tem uma joint venture com a Stellantis. Nessa parceria, a companhia chinesa divide o desenvolvimento de produtos e prepara projetos industriais conjuntos, parecido com o que acontece com a Leapmotor e que pode servir como referência para o mercado brasileiro futuramente.

Voltando ao Brasil, caso o acordo avance, a parceria seria voltada principalmente para produção, engenharia e manufatura. Assim, não sendo uma joint venture à união completa entre duas fabricantes.

Stellantis aparece como principal candidata

Voah Free e Fiat Toro
Voah Free e Fiat Toro

Hoje, a negociação mais avançada parece acontecer com a Stellantis. Durante o Anfavea Vision, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, confirmou que existem conversas entre as empresas para trazer ao Brasil projetos globais desenvolvidos em conjunto. Segundo o executivo, veículos criados pela parceria internacional poderão ser produzidos no país.

“Sob o ponto de vista de desenvolvimento de produtos, entendemos que, se existir a competitividade adequada, poderemos trazer estes veículos [feitos por Stellantis e Dongfeng em conjunto na China] para o Brasil. São projetos globais, nada específico para o mercado brasileiro”

Fábrica PSA Porto Real (RJ) (divulgação)

Embora ele não tenha citado uma unidade específica, a principal candidata é Porto Real (RJ). A fábrica atualmente produz Citroën C3, Basalt e Aircross. Além disso, ainda neste mês iniciará a fabricação do Jeep Avenger.

Mesmo assim, a planta possui capacidade para ampliar sua produção. Nesse cenário, a chegada da DFM ajudaria a ocupar parte dessa estrutura e aumentaria o aproveitamento industrial da Stellantis.

Campo Largo também entrou no radar

Dongfeng Box [divulgação]
Dongfeng Box [divulgação]

As negociações, porém, não se limitam ao Rio de Janeiro. Segundo a reportagem, representantes da DFM também discutem a utilização do complexo de Campo Largo (PR) A unidade operou durante quase 15 anos produzindo motores da Fiat, mas foi desativada em 2022 e permanece sem utilização.

Fontes ligadas às negociações afirmam que representantes da Stellantis, da DFM e do Governo do Paraná vêm realizando reuniões frequentes para discutir o futuro do local. Ainda não existe uma definição sobre o projeto.

Dongfeng Vigo [divulgação]
Dongfeng Vigo [divulgação]

A fábrica poderá voltar a produzir motores ou passar por uma ampla modernização para se transformar em uma linha de montagem de automóveis. Também permanece em aberto se a operação envolveria apenas Campo Largo ou um acordo mais amplo, com Porto Real também no jogo.

Nissan continua no jogo

Ao mesmo tempo, a Nissan continua como outra alternativa. A possibilidade já havia sido confirmada anteriormente pelo diretor de operações da DFM no Brasil, Felipe Amaral, à CNB. 

Dongfeng Vigo [divulgação]
Dongfeng Vigo [divulgação]

Segundo ele, a relação histórica entre Dongfeng e Nissan na China torna natural que as duas empresas conversem também sobre projetos industriais no mercado brasileiro. O executivo também confirmou que a fábrica de Resende (RJ) faz parte das possibilidades analisadas pela fabricante.

E você, acredita que a DFM deve produzir seus carros com a Stellantis, com a Nissan ou terá outro caminho no Brasil? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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