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Volkswagen ainda esconde SUV da Amarok para enfrentar Toyota SW4

Protótipo de sete lugares sobre chassi de longarinas continua guardado, enquanto a marca estuda como transformar a Amarok em rival de Everest, SW4 e Haval H9

5 min de leitura

O sonho de muitos picapeiros era receber a nova geração da Volkswagen Amarok, produzida na África do Sul, em parceria com a Ford, derivada da Ranger, no Brasil. A lógica seria ainda melhor porque, junto dela, poderia nascer um SUV da Amarok baseado no Everest, justamente o modelo que muitos brasileiros esperam há anos para enfrentar a Toyota SW4.

Esse SUV da Volkswagen não ficou apenas na imaginação dos fãs. A divisão de veículos comerciais da marca construiu um protótipo de sete lugares com chassi de longarinas, carroceria fechada e base compartilhada com a Amarok, mas nunca conseguiu transformar o projeto em um produto de produção.

Enquanto a Ford ainda decide o que fazer com o Everest no Brasil, apesar de já ter apresentado o modelo à imprensa brasileira, o mercado não ficou parado. A GWM aproveitou o espaço e trouxe o Haval H9, um SUV de sete lugares com estrutura sobre chassi, ligado à mesma família de arquitetura da picape Poer P30.

Ford Everest Titanium cinza parado de frente com árvores ao fundo
Ford Everest Titanium [Auto + / Rafael Pocci Déa]

Essa receita vem dando mais do que certo, onde o H9 já conseguiu passar em alguns momentos em vendas da SW4. Enquanto isso, a Ford deixa em aberto sobre o Everest em terras tupiniquins, Porém, seria uma baita jogada. Simultaneamente, é essa lacuna que a Volkswagen observa há anos. 

A Amarok construiu uma imagem forte entre as picapes médias, principalmente por causa do motor V6, mas nunca ganhou um irmão fechado para disputar clientes que precisam de sete lugares e não querem carregar uma caçamba vazia durante quase toda a semana.

O SUV da Amarok existe, mas continua escondido

Volkswagen Amarok Extreme [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Amarok Extreme [Auto+ / João Brigato]

Curiosamente, a Volkswagen desenvolveu o projeto ainda durante a primeira geração da Amarok, portanto antes da atual parceria com a Ford. O protótipo chegou a ganhar proporções definidas, cabine fechada e espaço para sete ocupantes, embora nunca tenha passado para a etapa industrial.

Albert Kirzinger, chefe de design da Volkswagen Veículos Comerciais, voltou ao assunto em 2024, quando publicou um desenho do projeto nas redes sociais. A imagem mostrava uma Amarok transformada em perua, com teto prolongado, terceira fileira e traseira completamente fechada. 

Volkswagen Amarok Extreme [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Amarok Extreme [Auto+ / João Brigato]

Na época, a publicação parecia apenas uma lembrança de um carro que não deu certo. Agora, porém, Stefan Mecha, responsável pela Volkswagen Veículos Comerciais, confirmou ao site australiano GoAuto que a vontade de ampliar a família continua viva.

Segundo o executivo, criar um modelo fechado sobre a mesma plataforma da picape é um desejo antigo da divisão. O problema nunca esteve exatamente na engenharia, mas no dinheiro necessário para colocar um carro tão específico nas ruas. 

Volkswagen Amarok Extreme [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Amarok Extreme [Auto+ / João Brigato]

A Volkswagen precisaria vender o SUV em diferentes regiões para justificar desenvolvimento, fábrica, homologações e rede de peças. Embora esse tipo de veículo faça sucesso na Austrália, Tailândia, África do Sul e América do Sul, ele ocupa um espaço bem menor na Europa, principal território da marca.

Por isso, o projeto ficou preso naquela gaveta onde as montadoras guardam boas ideias que não conseguem ser justificadas. Ainda assim, o protótipo continua na coleção interna da Volkswagen, quase como um lembrete do espaço que a marca deixou aberto para as concorrentes.

A parceria com a Ford

carros
Volkswagen Amarok [divulgação]

A situação ficou mais interessante quando a Volkswagen lançou a segunda geração internacional da Amarok em 2022. Essa picape compartilha plataforma, estrutura e diversos componentes com a Ford Ranger, embora use desenho, acabamento e acertos próprios.

A produção ocorre na fábrica da Ford em Silverton, na África do Sul. Por isso, parecia natural imaginar uma Amarok fechada feita a partir do Everest, que nada mais é do que o SUV de sete lugares desenvolvido sobre a mesma família da Ranger.

Volkswagen Amarok [divulgação]
Volkswagen Amarok [divulgação]

Seria uma solução relativamente direta, pelo menos olhando de fora. A Ford já fez a parte mais cara, criou o SUV, definiu sua estrutura e resolveu pontos como terceira fileira, distribuição de peso, suspensão traseira e isolamento acústico.

A Volkswagen precisaria imprimir sua identidade, trabalhar o acerto dinâmico e encaixar o modelo em sua gama. Contudo, o grande problema é que o Everest nunca fez parte do acordo inicial entre as empresas, que concentrou a cooperação na Ranger e na Amarok. Por isso, ele seria impossível de nascer.

Amarok brasileira seguirá outra história

Volkswagen Amarok flagra na Argentina em versão mais simples
Nova Volkswagen Amarok [Reprodução]

É justamente aqui que a história se divide, porque a Amarok vendida na Europa, Austrália e outros mercados não será a mesma que encontraremos nas concessionárias brasileiras.

Enquanto os europeus receberam a segunda geração feita com a Ford Ranger, a Volkswagen da América do Sul manteve a primeira Amarok em produção na fábrica de General Pacheco, na Argentina, com leves mudanças. Mas essa antiga geração lançada em 2010 se encerra em 2027, quando a Volkswagen lançará uma nova Amarok criada especialmente para a América do Sul. 

Volkswagen Amarok flagra na Argentina em versão mais simples
Nova Volkswagen Amarok [Reprodução]

Ela será desenvolvida mediante a parceria com a SAIC e terá base de um projeto chinês. Com isso, a nova geração será baseada na Maxus Terron 9, picape criada pela chinesa. Ou seja, teremos duas linhagens da Amarok. 

Isso também impede ligar automaticamente o SUV secreto à futura Amarok brasileira. O protótipo nasceu sobre a primeira geração, enquanto qualquer novo modelo precisaria acompanhar uma das arquiteturas que a Volkswagen escolher.

Você gostaria de ver um SUV da Amarok no Brasil ou a Volkswagen já demorou demais para entrar nessa disputa? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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